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IG-Mathe cruza o país e troca experiências com associação que conquistou o 1º Selo de Indicação Geográfica do Guaraná no mundo

Mais de 2 mil de quilômetros separando a 1ª IG de erva-mate em relação à primeira IG do Guaraná do mundo, não impediram a troca de experiências e o exemplo que São Mateus do Sul vem mostrando aos olhos do país. (Foto: Acervo Pessoal)

Na sexta-feira (6), a Associação dos Amigos da Erva-mate (IG-Mathe), participou da cerimônia de entrega do Selo de Indicação Geográfica (IG) à Associação dos Produtores de Guaraná da cidade de Maués no Amazonas, popularmente conhecida como Terra do Guaraná. A solenidade aconteceu na sede do Instituto Federal do Amazonas (IFAM).

A cidade que tem pouco mais de 60 mil habitantes e localiza-se à cerca de 356 km da capital Manaus, recebeu após uma década de espera e entraves burocráticos o Registro de Indicação Geográfica (IG), na espécie indicação de procedência, para o guaraná cultivado, produzido e beneficiado no município, a entrega do certificado atesta as características exclusivas do produto, emitido pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), órgão federal ligado ao Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços.

A IG-Mathe foi convidada para participar e dividir experiências com os produtores que conquistaram a Indicação Geográfica do Guaraná de Maués. O presidente da IG-Mathe, Ronaldo Toppel Filho, conta que foi muito bem recepcionado e ficou hospedado na casa de um produtor de guaraná, o que lhe possibilitou trocar inúmeras experiências desde o primeiro momento que colocou os pés na cidade que é cercada de rios e mata, onde as distâncias são marcadas em horas de barco.

Maués possui três associações diferentes e uma que é a responsável por todas, que foi quem recebeu a indicação geográfica. Em um primeiro momento, o presidente da IG-Mathe se reuniu com alguns dos produtores da cultura e relatou todo o processo da obtenção do selo e o importante papel da comunidade nesta luta. Logo após, Ronaldo se reuniu com o conselho regulador da associação que lhe apresentou sua realidade e lhe fizeram inúmeros questionamentos, como os caminhos a serem trilhados e as decisões que deveriam ser tomadas segundo a experiência da erva-mate.

Ronaldo relata que o selo foi conquistado e agora o conselho regulador iniciará as atividades de análise e fiscalização das propriedades, conforme o regulamento de uso à implantação da IG, ou seja, um trabalho que para eles inicia agora.

Ronaldo comenta que sua presença em Maués foi através de uma indicação do Sebrae nacional que está usando a conquista e trabalho desempenhado pela IG-Mathe como referência em todo o país.

No dia da cerimônia de entrega do selo, estiveram presentes autoridades locais e regionais, além de representantes do Sebrae estadual, INPI e governo do estado. A IG-Mathe foi enaltecida através de uma palestra que focou o sucesso da trajetória de conquista e continuidade do trabalho que vem sendo desenvolvido a todos os presentes, “sempre mencionamos que agregar valor é importante, mas mais ainda, agregar experiências é de suma importância”, destaca Ronaldo.

O presidente da associação são-mateuense enalteceu às centenas de pessoas que acompanhavam a cerimônia e consequentemente sua explanação que, “a partir desse momento o Guaraná mudou de nome, vocês não produzem mais guaraná, quem produz guaraná são os outros lugares, aqui vocês produzem Maués.”

“A principal expectativa dos produtores é agregar valor ao seu produto. Foi aí que relatei às centenas de maueenses de que acreditassem, pois no nosso caso a conquista celebrada no 21 de setembro de 2017, aniversário da cidade, onde recebemos o Selo de Indicação Geográfica, foi o resultado de anos de pesquisa, trabalho e empenho de toda a cadeia produtiva e quem diria, que neste momento eu estaria aqui diante deles, menos de um ano após a obtenção do nosso selo, enaltecendo nossas experiências a outros produtores”, conta Ronaldo emocionado.

O diferencial do produto de Maués, basicamente, é possuir um teor de cafeína maior em relação aos demais, a colheita é feita 100% manualmente, os produtores só colhem os frutos maduros, e o sistema de secagem é realizado em fornos.

A produtividade é de cerca de 300 toneladas por ano e não existe grandes produtores, a associação é composta por agricultores que minimamente produzem 100 kg de guaraná por ano, onde com seus barcos, lá chamados de rabetá, percorrerem horas e mesmo dias para poder levar sua fruta à cooperativa para o processamento, pois o que se aproveita é sua semente e a polpa soma sete vezes mais o seu peso.

Na oportunidade também foram assinados convênios com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-AM) e com Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), para prestação de assessorias técnicas aos produtores e no encerramento, convidados e produtores rurais participaram da entrega de mudas de guaraná no viveiro municipal onde já são cultivadas 200 mil mudas do produto e de outras espécies frutíferas.

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