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Igreja Centenária da Água Branca está passando por restauração

Serviço de caráter emergencial está sendo realizado para reparar as danificações. (Fotos: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

Após esperar anos pela restauração completa da Igreja e principalmente pela execução do último projeto, ao ver o patrimônio sendo danificado pelas goteiras, a comunidade que já estava acumulando os recursos provenientes de festas e pequenas doações decidiu que não havia mais o que esperar para a restauração.

Como a Igreja é tombada pelo Patrimônio Histórico Estadual, solicitou-se a presença da representante da Coordenação de Patrimônio Cultural (CPC) da Secretaria da Cultura Estadual para diálogo, que compareceu no dia 4 de novembro de 2016. Os líderes comunitários que participaram da reunião foram orientados a fazer um projeto, o qual foi elaborado pela Engenhart.

Iniciando os trabalhos no mês de julho através da empresa são-mateuense GRB Construção Civil, a restauração começou inicialmente pela troca do telhado devido ao grande número de goteiras que estavam danificando paredes, assoalho e elementos artísticos religiosos. Logo em seguida as paredes foram restauradas, e atualmente o trabalho está sendo realizado na torre da igreja que tem o término previsto para o Natal, e é um dos pontos mais difíceis para a restauração por conta da altura.

“O serviço que está sendo executado é de caráter emergencial, pois os recursos são oriundos das festas e pequenas doações, não sendo suficiente para fazer o necessário, que vai além do citado. Se alguém quiser contribuir, fique à vontade. Após o término desta parte estaremos fazendo um apanhado geral dos custos e de agradecimentos aos colaboradores”, informa Rozeli Ferreira Oleinik, membro do Conselho Comunitário.

A comunidade ainda tem a intenção de realizar a pintura externa da igreja, mas não sabe se haverá recursos suficientes. Líderes comunitários reforçam o convite de que qualquer maneira de ajuda para a efetivação da restauração da Igreja Centenária da Água Branca é bem-vinda, pois é um ponto turístico e religioso de grande representatividade para a história de São Mateus do Sul.

Conhecendo mais a sua história estrutural

Em relato para o jornal Gazeta Informativa, o pesquisador Evaldo Drabeski traz as seguintes informações: a colônia de Água Branca foi povoada por imigrantes poloneses, provenientes do Reino Polonês, no ano de 1891. A demarcação dos lotes foi feita pelo agrimensor polonês Sebastião Edmundo Saporski. Na sede foram demarcados lotes urbanos para uma futura cidade e nos arredores foram demarcados os lotes rurais.

O nome Água Branca foi dado por causa do rio do mesmo nome, que passa na região. A igreja atual foi concluída no ano de 1900. Inicialmente não possuía as naves laterais nem a área da frente. No mesmo ano o governador do Paraná, Francisco Xavier da Silva, passou para a Irmandade São José a posse definitiva do terreno medindo 214 mil m², onde encontra-se a igreja, a escola, o cemitério e a casa paroquial.

No ano de 1916 um raio atingiu a torre da igreja, destruindo-a. A sua reconstrução aconteceu somente no ano de 1920, devido às dificuldades financeiras. No ano de 1922 assumiu a paróquia o padre João Zygmunt, o qual permaneceu durante 30 anos cuidando da vida espiritual dos colonos poloneses. No ano de 1923 o padre Zygmunt mandou pintar o interior da igreja, bem como os altares. O trabalho foi realizado pelo pintor Ewaldo Ducat, de Irati. Os quadros da via-sacra e dos santos foram trazidos da Polônia e da Bélgica.

No ano de 1935 foi realizado trabalho de reforma na igreja, sendo substituídas as paredes externas bem como o telhado. O beneficiamento das tábuas bem como o serviço de lascar as tabuinhas foi realizado pelos próprios colonos. Em maio de 1936 foi feita a pintura externa da igreja. Nesta época a paróquia contava com 115 famílias, totalizando 662 pessoas.

Em abril de 1944 foi erguido o portal na entrada da igreja. Este portal foi projetado pelo estudante de engenharia Edmundo Gardolinski e construído pelo Sr. João Kieras. As principais obras realizadas pelo padre Zygmunt foram: reforma e pintura da igreja, colocação de janelas nas laterais e na frente da torre, construção do portal de entrada e da escada de pedra, organização da sociedade Tadeusz Kosciuszko, criação de uma sociedade cultural e recreativa e inauguração do Colégio São José.

No ano de 1960 todos os moradores da colônia se reuniram para tomar uma decisão importante: reformar a velha igreja de madeira ou demoli-la e construir uma nova, de material. A decisão da maioria foi reformar a antiga igreja, mantendo assim a memória dos imigrantes poloneses.

Na reforma foi necessário fazer os alicerces de pedra, substituir as vigas danificadas, substituir o telhado de tabuinhas, substituir o assoalho por tábuas de imbuia, refazer a pintura externa, pintar a casa canônica e renovar a cerca. O orçamento ficou em 300 mil cruzeiros. Com a ajuda da comunidade, a obra ficou pronta em fevereiro de 1960.

No dia 17 de maio de 2002 a igreja foi tombada para o Patrimônio Arquitetônico/Cultural através do decreto municipal Nº 099/02, sendo prefeito da época Luiz Adyr Gonçalves Pereira.

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