Localizada em um outeiro, toda construída em madeira, com sua torre em forma de cone apontada para o céu, lá está ela, imponente em sua formosura arquitetônica. Ícone espiritual de uma população que em grande parte é descendente dos primeiros imigrantes poloneses que ali se instalaram, a igreja, dedicada à São José é uma das mais antigas de São Mateus do Sul na Colônia Água Branca, a aproximadamente 11 km do centro da cidade. Ela também é dedicada à nossa senhora de Czestochowa, padroeira da Polônia.

Este foi um dos maiores legados arquitetônicos deixados pelos imigrantes poloneses que vieram ao nosso município, entre os anos de 1890 e 1892, na igreja retratada em uma parte nesta imagem. Construída em forma de cruz, foi concluída no ano de 1900. Toda a madeira utilizada na construção foi serrada e cepilhada manualmente pelo motivo de as primeiras serrarias serem muito distantes. As paredes são duplas de forma padronizada.

Os pregos foram substituídos por técnicas de encaixe com tarugos e cavilhas de madeira e as telhas substituídas por tabuinhas lascadas de cerne de pinheiro. Tempos difíceis que demonstram a grande devoção dos colonos poloneses à fé católica. A igreja foi construída pelos colonos e o terreno foi doado pelo governo. As paredes duplas, serradas de forma padronizada à mão, pelo motivo de as primeiras serrarias serem muito distantes. .

O interior da igreja também é muito bonito, demonstrando beleza e a dedicação dos idealizadores. Nas laterais existem 04 altares, acrescentados posteriormente, todos trabalhados em madeira. Por sobre o altar principal, vê-se uma inscrição em polonês: “W r. 1900 Jezus Chrystus, Bóg – Czlowiek Zyje, Króluje, Panuje”. Na tradução, “Desde o ano de 1900 Jesus Cristo, Deus – Homem vive, reina, impera”. A pintura interna, que permanece até hoje, foi feita em 1923, por Ewaldo Ducat, de Irati. Os quadros de Via Sacra e dos santos vieram da Polônia e Bélgica. Sobre a imagem, é um óleo sobre tela de autoria de Alba Luzia Ribas Reginatto, no verso consta uma data, ano 1955. E na tela uma assinatura e o número “96”. Pertence ao acervo da Casa da Memória Padre Bauer. Na tela, não aparece toda a igreja.

Muitos padres trabalhavam na Paróquia da Água Branca. O padre Jakób Wrobel, um dos primeiros, teve sua história em um livro escrito sobre sua vida e obra. A Estrela de Jacób (2014), do escritor Gerson Cesar de Souza. Mas, teve um padre que também marcou a comunidade e ainda hoje está vivo na memória da população local. Foi o padre João Zygmunt. Ele chegou em 1922 e permaneceu durante 30 anos cuidando da vida espiritual e dando apoio aos imigrantes poloneses. Na entrada da igreja, foi colocada uma placa em sua memória: “Entregou a alma a Deus, o coração à Colônia Água Branca, o corpo a Curitiba.’ É difícil olhar para a placa e não se emocionar.

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