Reflexão com Padre Marcelo S. de Lara

Igreja e Sociedade

(Foto: Divulgação)

Tudo o que se deseja e se espera do ser humano é que ele viva bem, viva em paz. As instituições com todas as suas organizações, regulamentos e trabalhos têm seu fim último no bem estar social e humanitário. Por mais que se crie uma empresa com fins lucrativos, por detrás de tudo sempre está o bem estar das pessoas.

Ora, se as que se dedicam aos produtos materiais visam o bem, a felicidade, a satisfação do ser humano, não é diferente e talvez muito mais então as que se voltam para fornecer caminhos de realização humana, de encontro pessoal e com Deus na vida de cada um.

Contudo, ambas não são concorrentes, não deve haver separação ou contradição se buscam no fim o mesmo objetivo, porém, fornecendo produtos diferentes.

A realidade material não se contrapõe à espiritual e vice-versa, ambas caminham juntas, corpo e alma, matéria e espírito formam uma unidade.

Diante disso, as instituições criadas visam atender as necessidades de quem as criou e para que as criou, ou seja, as instituições são servas do homem e da mulher, estão para servir a eles visando seu próprio bem.

Longe de se reviver tempos em que se satanizava a matéria e se divinizava o espírito, em que se encarava a vida material como uma prisão, um tormento para se purificar o espírito, as próprias instituições religiosas demonstram hoje o quanto o espiritual, a fé deve estar intimamente ligada às atividade cotidianas do mundo material.

Nessa relação da expressão da fé, de se demonstrar aquilo que se crê, nas atividades corriqueiras e profissionais do dia a dia, muitas religiões já demonstram isso por meio de atividades sociais, bem como na vida particular de cada um. Incluída nessas está a igreja católica que lança todo ano uma campanha chamada Campanha da Fraternidade, a qual sempre expõe um tema, um assunto, uma exigência diante das necessidades observadas, para que seus fiéis e todo aquele que desejar possa refletir e praticar em sua vida.

Esse ano a Igreja traz como tema: Fraternidade: Igreja e Sociedade; e o lema: “Eu vim para servir”, baseado no Evangelho de Marcos, capítulo 10, versículo 45, justamente abordando a questão que, todo cristão deve demonstrar sua fé no cotidiano de sua vida em sociedade. A Campanha vem também reforçar a ideia que a Igreja não está no mundo para ser servida, mas sim para servir ao ser humano na busca de sua realização plena, a Igreja protagoniza em seus fiéis a salvação de todo o mundo.

Confiada por Jesus ao seres humanos, a Sua Igreja deve estar no mundo, caminhando e fazendo acontecer a mensagem de Jesus na vida das pessoas em todo e qualquer lugar onde elas estejam. Cada cristão, cada pessoa de fé segundo a Igreja deve fazer transparecer aquilo que crê no cotidiano da vida, sem imaginar que a fé é uma teoria, algo sem conexão com a realidade.

A Campanha da Fraternidade de 2015 quer despertar um melhor e maior diálogo entre a Igreja e a Sociedade, quer avaliar onde se pode trabalhar unidos respeitando as diferenças mas buscando o mesmo objetivo de todos, o bem de cada pessoa e da sociedade como um todo. A Igreja trabalha para construir, já aqui na terra, o Reino de Deus preparado para o ser humano, a felicidade que tanto a sociedade almeja e busca. Para isso é necessário que Igreja e Sociedade, fé e cidadania não esteja e não se vivam de forma separada, mas que caminhem juntas. Cada cristão, cada fiel, cada homem e mulher de fé é sujeito ativo do mundo ao qual vive. Igreja e Sociedade não estão separados, mas em trabalhos distintos constroem o mesmo mundo, o mesmo Reino.

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