Educação e Cultura

III Café Sociológico reúne jovens de colégios estaduais para discutir a política e a cultura brasileira

Evento reuniu dezenas de jovens são-mateuenses no Salão Nobre do Colégio Estadual Duque de Caxias. (Foto: Alexandre Müller/Gazeta Informativa)

Na quinta-feira (23), foi promovido no Colégio Estadual Duque de Caxias, de São Mateus do Sul, o III Café Sociológico no Salão Nobre da instituição, reunindo dezenas de alunos da rede estadual de ensino do município, com o tema: “A Cultura e a Política Brasileira.

O Café Sociológico foi idealizado em 2015 pelos professores Reginaldo Marques, Airton Gasiorck e Queila Carvalho, que tinham como objetivo promover debates sobre temas contribuintes com a formação cidadã, social, política e cultural dos alunos e a comunidade escolar. A primeira edição teve a temática: “A Política Hodierna na Escola Sem Partido”.

Em 2016, os referidos professores organizaram o evento junto ao grupo de estudos consolidado com seus alunos e chamado de “Mentes Inquietas”. A segunda edição abordou o tema: “A Base Nacional Comum Curricular (BNCC), e a Reforma do Ensino Médio.”

O III Café Sociológico contou com cerca de 200 alunos dos colégios, Duque de Caxias, Paulo Stencel, Casa Familiar Rural, Colégio Orlanda Distéfani dos Santos e alguns professores do Colégio São Mateus. O evento foi organizado pelo professor Reginaldo Marques junto dos alunos do ensino médio, professores das ciências humanas, direção e demais colaboradores da instituição.

Segundo Reginaldo o objetivo do evento foi alcançado. “Penso que o resultado pode ser medido a longo prazo, de toda maneira, pela participação de nossos professores e alunos. O objetivo de refletir sobre tais temas foi atingido.”

O evento contou com a participação dos professores Antônio Charles Santiago Almeida que é graduado em Filosofia, Mestre em Ciências Sociais e Doutor em Educação pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), e é o Coordenador do Colegiado de Filosofia da UNESPAR, e também com Sandro Luiz Bazzanella, graduado em Filosofia, Mestre em Educação e Cultura, Doutor Interdisciplinar em Ciências Humanas e Professor do Programa de Mestrado em Desenvolvimento Regional da Universidade do Contestado.

As palestras ministradas por ambos os professores abordou dinamicamente a cultura e a política brasileira, de forma a envolver os alunos e faze-los entender a grande importância da política no estado democrático.

“Sempre que nos deparamos com problemas culturais temos a impressão que a cultura é estática e que as coisas não vão mudar. Quando desconstruídos esse ‘paradigma’ passamos a questionar nosso papel enquanto construtores de história, autores de si e colaboradores para a construção de uma sociedade menos individualista, que coopera e que entende o ser humano como ‘animal político’, que precisa urgentemente sair da condição de espera por um ‘Salvador’ e cumprir com suas obrigações em casa, na comunidade, no município e sucessivamente no estado brasileiro”, explica o professor Reginaldo.

Há um dilema no cenário político nacional e mundial hoje em dia, conforme argumenta o professor Charles. “Existe uma dificuldade hoje, por parte da juventude, no sentido de se envolver com a política. Há um desencantamento por conta do próprio desenvolvimento político, devido aos escândalos existentes em torno da política, fazendo com que eles se afastem. Isso gera um problema sério para o país, pois você não conta com a juventude participando e construindo alternativas, e a velha política com os velhos políticos continuam.”

A abordagem permitiu que os alunos analisassem qual é o seu papel dentro da comunidade. “A tradição política não nos permite ver quais são as lideranças jovens existentes, pois perdemos as condições de impactar o jovem à participar da política. Um fenômeno bastante complicado e perigoso que favorece o desmantelo da política e a continuidade dos mesmos modelos e pessoas”, enfatiza o professor.

Charles parabeniza os organizadores do evento. “Desenvolver algo desse tipo nos tempos que estamos vivendo não é fácil. Esse foi um evento significativo que envolve a juventude desencantada com a política, independentemente de ser de direita ou esquerda, se gera uma possibilidade deles estarem pensando”, conclui o palestrante.

Segundo o professor Antônio, o Café Sociológico é importantíssimo no sentido de caminharmos na dimensão de uma civilização brasileira. “A natureza da política implica em reconhecer que ela é o único caminho que nós temos para enfrentar os problemas e as contradições as quais nos envolvemos. A importância de tudo isso se revela quando podemos conversar com os adolescentes, que não são apenas o futuro da nação e sim o presente, e estão em formação. E é nesse momento que eles necessitam ter essa experiência de diálogo e do compartilhamento democrático de ideias e percepções de mundo que passam pela política.”

O palestrante ressalta a importância de momentos como esse, pois a política é algo cotidiano, que faz parte da vida. “Ela precisa ser discutida. É preciso que compreendamos a natureza dos problemas os quais estejamos envolvidos”, conclui.

Colaborador

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