(Imagem Ilustrativa)

Que bom que algumas pessoas ainda pensam! São iluminadas. Felizmente o mundo tem muitas delas. Infelizmente, elas não estão no poder.

Li uma frase esta semana que dizia que os políticos estão sempre no fim da fila quando uma ideia inovadora surge, uma ideia que pode melhorar o mundo. Só seguem na mesma direção quando não há mais saída, quando toda a sociedade já se movimentou em algum sentido. Aí precisam preservar seu status, precisam vencer a próxima eleição, então se obrigam a aceitar.

Se sabemos, por exemplo, que investir em educação, em saúde básica, infraestrutura e criar oportunidades de trabalho são a base para o crescimento e para a melhoria da qualidade de vida por que não o fazemos?

Não trago aqui uma discussão com posicionamento de direita ou de esquerda, não defendo o comunismo, nem o capitalismo. Está provado que os dois modelos não deram certo para reduzir as desigualdades no mundo. Alguns neoliberais ainda se agarram em suas ideias de que o setor privado pode resolver tudo sozinho e de que o Estado é apenas um empecilho, mesmo quando eles, neoliberais estão no poder e poderiam transformar o Estado. Temos que buscar, incessantemente, esse modelo. Não necessariamente igual para todos os países, pois há realidades diferentes. Aqui mesmo, no Brasil, temos mais que uma realidade, com cidades diferenciadas e que oferecem mais aos seus habitantes.

Há qualidade de vida, quando há crescimento econômico e valorização do indivíduo, quando o cidadão tem renda, educação e bons serviços de saúde. Quando ele tem renda, então, pode e deve recolher impostos, porque sabe que estes tributos serão utilizados como investimentos pelo Estado para o bem do próprio cidadão.

O historiador holandês, Rutner Bregman, um desses iluminados, diz que deveríamos taxar mais a preguiça. Infelizmente, no mundo atual, taxamos quem trabalha, quem produz e privilegiamos o capital especulativo, aquele que proporciona ganhos sem esforço.

Outro ponto a considerar é a questão dos profissionais que estamos formando e para que estamos formando. Há pessoas inteligentes, com habilidades e potenciais incríveis que preparamos para nos “convencer a clicar em botões”, a nos fazer comprar um produto ou serviço através de aplicativos. Será que é realmente para isso que precisamos de nossos gênios?

Nessa pandemia, usamos muito dos aplicativos desenvolvidos para nos facilitar a vida em isolamento, então são importantes. Mas quando discutíamos quais eram os serviços essenciais, em quem pensamos? O que realmente era importante para nós?

Na crise da COVID-19, “valorizamos” os profissionais de saúde, os bombeiros, a polícia, os professores, o funcionário do supermercado, o agricultor, aqueles que trabalham em turnos na indústria, o cientista, entre tantos outros. Havia entre essas pessoas que executam serviços essenciais algum profissional que se inclua entre as melhores remunerações do mercado?

A sociedade tem memória curta e é muito provável que, quando a crise da Covid-19 se reduzir, esqueçamos de tudo, voltemos a olhar apenas para o nosso umbigo, defendendo nossos interesses individuais.
Conheço muitas pessoas inteligentes, com senso crítico e ávidos por conhecimento que, por falta de oportunidade ou de orientação deixaram de se aprimorar. É incrível o capital humano que desperdiçamos em nosso país. Precisamos criar oportunidades.

Também não precisamos só de gênios, não temos que ter só doutores em nossa sociedade. Precisamos de pessoas capacitadas para atuar em todos os setores da economia, não só para produzir coisas.

Precisamos de gente que cuide de gente e que sejam valorizados para isso. No final, tudo o que precisamos é de cuidado, de atenção, de proteção, de felicidade. Se não for para isso, pelo que viver?

Adnelson Borges de Campos
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