Reflexão com Padre Marcelo S. de Lara

Independentes

Na semana que comemoramos a Independência do Brasil, a sua liberdade de ser uma pátria que caminharia com as próprias “pernas”, não sendo mais dependente do Governo de Portugal, queremos pensar na independência pessoal, na vida particular de cada um, até que ponto somos e estamos sendo livres interiormente.

A liberdade é elemento fundamental para que sejamos felizes, para que vivamos bem. E, se a independência de fatores externos: na economia, no governo, nos trabalhos que realizamos, nos caminhos que optamos nos gera prazer, muito mais se somos pessoas livres internamente.

A história nos relata vários casos de pessoas que externamente eram escravas, viviam impedidas por barreiras externas, mas que cultivaram internamente a liberdade que deu sentido às suas vidas, mesmo diante de situações que visivelmente lhes mostravam presas.

O relato da vida de Viktor E. Frankl, preso nos campos de concentração nazista; a história de homens e mulheres que doaram a vida pela fé; e até mesmo Jesus que preso por inúmeros soldados, julgado perante o governo romano, estava livre por dentro, diferente dos que o prenderam. Estes, estavam livres por fora, mas eram escravos do medo de perder seus postos de poder.

Estas pessoas foram realizadas na vida, porque cultivaram dentro de si um espírito desprendido; fizeram das barreiras externas oportunidades para crescerem como pessoas livres internamente; descobriram no sofrimento motivos para cultivar a alegria na vida.

Não basta a independência externa se somos escravos internamente, dos vícios, dos medos, da vaidade, do poder. Em quantos momentos vivemos agindo de modo falso a nós mesmos, condicionados por pensamentos e sentimentos que não harmonizados nos escravizam?

Por isso que, a espiritualidade é caminho para a liberdade. Na oração como Encontro com Deus e consigo mesmo, conseguimos identificar o que cultivamos em nós que falseia nossa identidade e nossa liberdade. A oração nos ajuda a nos desprendermos de armaduras que vestimos para proteger nossas incertezas e inseguranças, mas que na verdade nos escravizam; faz com que nossa “liberdade” seja falsa, pois manipulada pelo nosso querer egoísta.

Pensar nesta liberdade interior, buscar caminhos que nos façam alcançá-la é viver a vida mais realizado, mais feliz e livre; é encontrar a nossa identidade plena, verdadeira, na imagem do nosso Criador. Muitas das coisas que cultivamos em nós falseiam nossa identidade verdadeira e impedem nossa liberdade plena.

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