(Imagem Ilustrativa)

“Mais do que em qualquer outra época, a humanidade está numa encruzilhada. Um caminho leva ao desespero absoluto. O outro, à total extinção. Vamos rezar para que tenhamos a sabedoria de saber escolher”, escreveu há anos o cineasta estadunidense Woody Allen. O contexto era diferente, mas o discurso é muito próximo do propagado no atual momento.

O novo coronavírus, ou Covid-19, começou a infectar humanos na China há pouco mais de dois meses e de lá para cá se mostrou altamente transmissível. O mundo globalizado, o turismo e a interdependência econômica fizeram com que o coronavírus rapidamente se espalhasse pelo mundo. As pessoas são infectadas pelo sistema respiratório a partir do contato direto com portadores do vírus ou com secreções expelidas no ambiente, como a saliva. A principal recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde é que as pessoas lavem as mãos – o sabão “dissolve vírus” – utilizem álcool em gel, evitem levar as mãos ao rosto e, sobretudo, evitem aglomerações. Se uma pessoa estiver infectada, quanto mais indivíduos ao seu redor, maior o alcance da transmissão. A taxa de mortalidade é baixa, entretanto deixa os pacientes inválidos por semanas e ainda não se sabe exatamente se as sequelas são ou não permanentes.

“Isso é tudo armação, eu não acredito nessa história”, dizem algumas pessoas. Acontece que acreditar ou não na existência do vírus não as torna imunes, e não se trata apenas delas, o sujeito infectado pode passar dias disseminando o vírus sem ter sintomas. É um problema de saúde pública, não de crenças individuais. Quem abdica dos dados que nos chegam a cada momento e das recomendações feitas por pesquisadores não faz mal apenas a si, mas a todas as pessoas com quem interage. Não é apenas uma suposição, o vírus vai chegar até aqui e são necessárias medidas para amenizar o impacto.

E o que pode ser feito, afinal? Há duas linhas que precisam ser traçadas. A primeira é pelo poder público municipal que, munido de informações precisas, deve estabelecer um plano claro de combate: quantos leitos estão disponíveis para este tipo de emergência? Há médicos e profissionais da enfermagem suficientes para que os atendimentos sejam realizados? Aulas e eventos com mais de 20 pessoas serão suspensos? É imprescindível que essas questões sejam respondidas, e de forma prática e rápida; a cada dia de demora aumenta o perigo. A segunda linha diz respeito aos cidadãos, que devem respeitar ao máximo as determinações dos órgãos responsáveis e também se manterem constantemente informados. O número de mentiras propagadas nas redes sobre o surto é altíssimo: dizem que vinagre cura a infecção, sem qualquer prova afirmam que se trata de uma armação da China, outros ainda chegam a dizer que não passa de imaginação.

Os números mostram o contrário. A OMS registra que no mundo já são mais de 150 mil casos e mais de 5 mil mortes. No Brasil já são mais de 200 infectados e centenas de casos sob investigação. Pesquisadores informaram ao Ministério da Saúde que o pico de contágio no Brasil tende a ser em abril, mas as medidas de proteção já devem ser tomadas.

A informação é uma arma importante contra a propagação do vírus. Vale ressaltar que informação confiável não vem do WhatsApp, da conversa com o vizinho ou das vozes que talvez falem nas cabeças de algumas pessoas, mas sim de jornais, de organizações internacionais e do Ministério da Saúde (das quais se tem acesso através do jornal), onde há pessoas qualificadas para filtrar as informações necessárias, verificar o que é fato ou falso e assim garantir que a onda de propagação do vírus tenha seus efeitos amenizados.

Até o momento em que se redige este artigo há apenas 1 caso suspeito em São Mateus do Sul, mas não podemos nos deixar levar pela ideia de que se trata de algo distante, de outro país. Em duas semanas os casos confirmados no Brasil mais que dobraram, cinco deles em Curitiba. Agir antes da chegada do vírus é a coisa mais inteligente a ser feita.

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