Mentes Inquietas

Inquietações, mudanças e transformações

O contexto socioeconômico da atualidade faz com que todos queiram mudanças, que saiamos desta situação, mas ao mesmo tempo é preciso questionar: Como isso será possível? O que deve ser feito para que está situação melhore? Diante de crises sociais, políticas, econômicas e até mesmo individuais a questão nevrálgica reside na necessidade primeira de compreender a natureza do problema em que estamos inseridos. O ímpeto primeiro é encontrar respostas e soluções aos problemas, mas desprovido da compreensão de seus fundamentos as respostas tornam-se paliativas, temporárias, senão equivocadas.

A primeira inquietação frente às mudanças consiste em avaliarmos unicamente as questões políticas e econômicas do país, na corrupção cometida pelos políticos brasileiros e excluirmos nossas ações do dia-a-dia. A segunda versa em não nos espantamos mais com os fatos narrados cotidianamente pela mídia. Estamos anestesiados com a corrupção, com a intolerância com a falta de ética. Terceira inquietação está relacionada em todos quererem mudanças. Porém poucos querem mudar efetivamente. Com isto se apresenta nossa quarta inquietação, terceirizamos nossa responsabilidade, nossa cidade, nossa felicidade, nosso bem-estar, nossas vidas. E a última inquietação: não nos reconhecemos como brasileiros. Não temos orgulho da nossa pátria. Validamos o que é dos outros, que os outros são melhores e mais “civilizados”, mas e nós? O que nós brasileiros temos de bom? O que validamos em nós mesmos, como sociedade brasileira?

Todas estas questões estão marcadas em nossa sociedade desde a nossa colonização. O objetivo principal dos colonizadores era a exploração do país, a retirada dos bens para o enriquecimento da Coroa Portuguesa, para acumular riquezas, da distribuição da terra para poucos e a concentração dos recursos nas mãos de oligarquias, de coronéis, de amigos do Rei. Enquanto a nação padecia na pobreza e na falta de recursos para a melhoria de vida dos contingentes de desafortunados que para estas terras eram enviados. Isto nos acompanha a mais de 500 anos, por isso nos parece tão difícil mudar, contudo é preciso que a mudança aconteça. Porém, cabe mais uma vez questionar: Como a mudança pode de acontecer?

Parece primordial validarmos o que é somos, que comecemos a criar uma identidade brasileira, reconhecermos individual e coletivamente que temos aspectos culturais diversos, merecedores de reconhecimentos. Tal tarefa exige esforços cotidianos de cada cidadão brasileiro.

Não devemos deixar de sentir, de sofrer pelos acontecimentos que presenciamos. Necessitamos ir a busca daquilo que acreditamos, ter pelo o que lutar, seja pela ética nas relações humanas, sociais, politicas e econômicas, por um país melhor, pela qualidade de vida, da natureza e, do mundo que deixaremos para as futuras gerações. Precisamos assumir a responsabilidade com o cuidado do espaço público, do bem comum, nos engajando com a mudança, sem esperar que os outros mudem e melhorem para nós, está na hora de arregaçar as mangas e ir à luta. Não haverá mudanças se não nos propusermos buscá-la diariamente.

Por Giselle Caroline Fuchs: Psicóloga CRP 12/09967 – 08/IS448. Mestranda do Programa de Mestrado em Desenvolvimento Regional da Universidade do Contestado. Sandro Luiz Bazzanella: Doutor em Ciências Humanas pela Universidade Federal de Santa Catarina. Professor de Filosofia e do Mestrado em Desenvolvimento Regional da Universidade do Contestado.

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