(Imagem Ilustrativa)

No planejamento mensal que adotei para construir essa coluna, reservei a última deste mês para homenagear o Dia Nacional do Livro, comemorado em 29 de outubro. Nesse dia, em 1810, era fundada a Biblioteca Nacional do Brasil, no Rio de Janeiro, ocorrida pela transferência da Real Biblioteca Portuguesa para o nosso país, então colônia. E, nada melhor do que, nessa empreitada, abordar meu último livro de cabeceira, cuja leitura foi cumprida com sucesso há poucos dias: “Inverno Ateu – a redução de tudo à miséria do nada”.

O livro faz parte de uma trilogia e como caracterizado pelo autor da obra, o filósofo e historiador Giovanni da Salara, “Inverno Ateu” é o irmão mais novo dos gêmeos “Inverno Árabe” e “Inverno Comunista”. Parte do princípio de que o Demônio, através das suas artimanhas, tenta convencer a humanidade de que Deus não existe e, assim, nos afasta do Céu para nos inclinar ao Inferno. E nesse intento de aniquilar Deus, também vale nos convencer de que ele próprio não existe e que, portanto, o Inferno é uma fantasia humana. Como descrito na contracapa do livro, “Instigador-mor do ateísmo, Satanás acredita em Deus. Não há diabos ateus”.

Suas páginas fazem um percurso pelos diversos movimentos que influenciaram o pensamento humano, e como o ateísmo vai se incorporando nesse processo até chegar ao homem atual. Nas palavras do autor, “o ateísmo está entre as muitas realidades históricas cuja existência precede a sua nomeação. A história do ateísmo pode ser definida como ‘a história dos homens que creem apenas na existência dos homens’”. Para Dom Estêvão Bettencourt, “o ateísmo é uma atitude que vai se difundindo em nossa sociedade, nem sempre sob a forma de militância antirreligiosa, mas frequentemente como indiferentismo; dir-se-ia que o homem contemporâneo acha que não precisa mais de Deus, pois consegue, mediante os avanços da ciência e da técnica, criar para si mesmo um bem-estar que lhe dá certa satisfação, tida por ele mesmo como suficiente”.

É por isso que, dentre os diversos tipos de ateísmo, o mais usado para embasar a “crença” na inexistência de Deus e que busca comprovar essa teoria, embora sempre fracasse, é o chamado ateísmo científico. Ateus, agnósticos e afins explicam sua negação de Deus afirmando que ciência e religião são incompatíveis. Não sem motivo, um renomado físico alemão, Werner Heinsenberg, dizia que “o primeiro gole do copo das ciências naturais transformar-te-á num ateu, mas no fundo do copo, Deus espera por ti”. Ao ler essa frase no livro, lembrei-me de uma colega de faculdade. Apesar de frequentarmos cursos diferentes, éramos vizinhas de laboratório e, certa vez, me confidenciou que a Biologia havia dado sentido à sua vida. Aquela constatação, aos meus ouvidos, não produziu nenhum sentido. Desde que me conheço por gente, é fato que Deus está no centro de tudo, e os diversos ramos da ciência são frutos desse centro, ou seja, dons de Deus dado aos homens, que pelo uso da inteligência constroem o conhecimento. Como Salara diz em sua obra, é contraditório falar de uma ciência ateia, como aquela defendida pela minha colega, visto que a confiabilidade é uma premissa para o conhecimento científico, exigindo a existência de leis regulares e confiáveis no mundo e que, por sua vez, “clama pela existência de um Legislador inteligente e justo”.

Ressaltado pelo autor, são vários os motivos que levam o homem a negar Deus, mas em todos está a soberba, aquele pecado enraizado que origina todos os outros. Na ânsia de querermos ser autossuficientes, caímos no conto da serpente que diz: “sereis como deuses”. Acreditando ou não nessa mentira, no fundo, todos sabemos: somos apenas humanos.

Que as boas leituras nos ajudem a construir dias sempre melhores. Um cordial abraço!

Ingrid Ulbrich
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