Especial

José Maria França: o ícone da música são-mateuense deixou saudade, mas sua história continua viva no coração de familiares e amigos

De voz marcante e inconfundível, abordo de seu Ônibus Azul, Zé Maria fez sucesso e há seis anos de sua partida, ainda é lembrado em São Mateus do Sul e região. (Foto: Acervo Pessoal)

O dia 10 de julho de 2012, foi marcado como um dos dias mais tristes na comunidade são-mateuense, pois foi o momento que um dos maiores ídolos da música tradicionalista nos deixou. Essa semana foi marcada pelos 6 anos de sua ausência física, pois seu carinho, fama e estima ainda vivem no coração de cada amigo, fã e familiar.

José Maria, nasceu na cidade vizinha de Irati, por onde viveu muitos anos atuando como vendedor em uma distribuidora de bebidas, e enfrentava quase que semanalmente, o curto e ao mesmo tempo, longo trecho, que dá acesso à São Mateus do Sul para visitar seus clientes. Foi assim que por essa cidade se encantou.

Convidado pelo ex-prefeito municipal e amigo, Francisco Luiz Ulbrich (Tiquinho), para vir morar em São Mateus do Sul, José Maria não pensou duas vezes e de mala e cuia veio junto de sua família, onde viveu 30 anos. Quando chegou no município era conhecido como paçoca, devido seu hábito rotineiro de adorar o doce de amendoim.

A aptidão aos microfones nasceu ainda na cidade de Irati, quando fazia propagandas comerciais em uma rádio local, famosa na região. Quando chegou em solo são-mateuense iniciou suas atividades como locutor na Rádio Difusora do Xisto (RDX), a convite do amigo Tiquinho, passando a ser conhecido como Zé Maria da RDX. Em 1985, assumiu a titularidade dos programas: Rancho Alegre, que era transmitido das 5h às 8h, e os programas Paradão Sertanejo e Brasil de Bombacha, entre às 16h e 20h. Atuou 27 anos na RDX e 2 anos na rádio Cultura Sul FM.

Mare Eliza Bacil França, mais conhecida como Dona Mara, viúva do saudoso Zé Maria, relembra emocionada que o conheceu, dois anos depois de sua separação na casa do namorado de sua irmã Jocélia Bacil, em 1990, e ali nasceu um grande amor. Por 15 anos moraram juntos e em 2007 oficializaram o relacionamento se casando. Os frutos desse amor se chamam Eduardo França, hoje com 25 anos e Pedro Lucas França, com 9 anos.

No seu primeiro casamento, Zé Maria foi pai de três filhos, uma já em memória: Elisangela França, Eliete França, Eliezer França, e Ana Paula já de outro relacionamento.

A carreira artística

Dono de mais de 20 composições, Zé Maria começou sua carreira artística junto a fama adquirida como locutor da RDX, animando bingos e festas no interior, sempre levando aos que o ouviam, os maiores sucessos da música tradicionalista. Fã incondicional de Teixerinha, o Rei do Disco que faleceu em 1985, foi uma de suas maiores inspirações, conta Mare.

Sua carreira artística foi um trabalho regado à muito carinho, feito de coração para uma nação de fãs são-mateuenses que começaram a acompanhar sua carreira. O sucesso o motivou a gravar suas primeiras fitas e com o passar dos anos, foram mais 5 CD’s e 1 DVD que rodou os quatro cantos de São Mateus do Sul, além de várias cidades do Paraná e uma temporada no Rio Grande do Sul.

“O Zé sempre foi apoiado por muita gente, principalmente pelo comércio local, a quem agradeço imensamente. Se não tiver ninguém para ajudar e acreditar em nossos sonhos, não chegamos a lugar algum”, relembra Mare que salienta que os principais apoiadores foram Gerson Ari do Amaral Ferreira e Zilma de Fátima Pinheiro Ferreira, saudosos pais de Eduardo Pinheiro Ferreira, o Edu da RDX.

O Ônibus Azul

Ônibus Azul, foi e é até hoje uma das músicas de maior sucesso da carreira de Zé Maria e que ainda toca nas rádios de nossa região. Ela contou com a participação dos amigos Vilson e Leonel na gravação de seu único DVD. Sempre trajando a pilcha, tradicional roupa gaúcha, por onde passava deixava sua marca e alegria.

Quem não se recorda, minimamente, de alguns trechos da música: “…eu lembro o dia e a hora, quando você foi embora naquele ônibus azul. Eu fiquei ali padecendo de amor, quase morrendo na distância de você sumir. Sigo agora sem alegria, já passaram mais de trinta dias e até hoje não posso dormir…”

Presente nas primeiras horas do dia quando os são-mateuenses ligavam seu rádio ao levantar, os ouvintes acompanhavam as trovas e boas conversas daquele locutor com voz marcante que motivava o dia a dia, sem esquecer do galo Justino, seu mascote, que cantava trazendo a hora certa.

A canção que Mara mais gostava era a música: Roubei a Fazendeira, de autoria de Teixerinha, mas confessa a equipe do GI: “Sofri bastante, um pouco por ciúmes, outro tanto por preocupação por ele sair muitas vezes cedo de casa para fazer shows e só retornar a noite. Mas sempre entendi que aquela era uma forma de ele trazer o sustento para dentro de casa.”

O fatídico dia

Anos de carreira que jamais serão esquecidos, José Maria França deixa saudades há longos 6 anos, mas vive novamente nas recordações. Faleceu com 59 anos, próximo de completar seu sexagésimo aniversário, logo em novembro de 2012.

A viúva conta que no fatídico dia 10 de julho de 2012, seu esposo levantou às 4h para apresentar o programa Rancho Alegre e comentou de dores em sua nuca, no peito e que estava suando frio. Ela lembra que o orientou a tomar 30 gotas de dipirona, mas ele não quis e disse que iria para a rádio e se não estivesse bem, procuraria um médico na sequência.

Logo após, o radialista pediu a sua filha mais velha que aferisse sua pressão e ela assim o fez, e num súbito momento ele caiu da cadeira onde estava sentado, já desprovido de vida. Segundo os médicos, ele foi vítima de um infarto fulminante que encerrava ali sua jornada de vida, de sucesso enquanto radialista, cantor, compositor e acima de tudo, enquanto pai.

No dia de seu velório, milhares de são-mateuenses, fãs, amigos e apoiadores, lotaram o Salão Paroquial da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em meio a lágrimas e muitas canções que marcaram sua carreira. A viúva lembra que se sentiu emocionada pelo reconhecimento da comunidade a seu esposo que naquele momento partia em seu ônibus azul para junto do pai.

A família conta que Zé Maria deixou planos, que ainda no início do ano de 2012 já traçava suas ideias. Uma deles era gravar mais um DVD.

Segundo Mara, todos os filhos de seu finado esposo eram seus tesouros, mas um dos mais especiais é o filho mais novo, Pedro Lucas, que já foi personagem de uma matéria especial da Gazeta Informativa que retratou o atendimento das crianças com Síndrome de Down. Seu filho Eduardo segue os passos do pai como locutor e segundo Mara, 50% do pai, pois não gosta de cantar e sim de rádio e microfone. Seu maior sonho é fazer o curso de Jornalismo.

Talvez o Zé Maria nos dias de hoje, com toda a mídia já evoluída, pudesse ser ainda mais reconhecido por seu talento nato, que não foi deixado para traz com sua partida, pois vive a cada momento que nos recordamos de sua hombridade e capacidade artística de movimentar centenas de pessoas. “Mas o querer de Deus, muitas vezes não é o nosso”, como afirma a viúva.

“…Ônibus azul, não esqueço da sua partida, quando ela na despedida, me beijou jurando voltar. Todos os dias, eu espero naquela estação, ouço a voz do meu coração, que chorando começa a cantar. Ônibus azul, que levou meu amor para bem longe e até hoje eu não sei para onde, em meus sonhos seu nome eu chamo. Ônibus azul, traz de volta o meu amor para mim, para o meu desatino ter fim, só nos braços da mulher que amo…”

CHARGE:

Comentários

Compartilhe:


MATÉRIAS RELACIONADAS
Maior superlua de 2019 acontece terça-feira (19)
Novo mascote do Corpo de Bombeiros já é sucesso na equipe e nas redes sociais
O Dia do Jornalista e a missão de informar