Reprodução/Facebook

Até onde você iria para demonstrar todo o seu amor? Toda garra, determinação e principalmente esperança foram representados durante as semanas de gestação da são-mateuense Jéssica Cordeiro, que faleceu na terça-feira (23), aos 24 anos, seis dias após o parto da sua pequenina Martina, no Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Paraná (HC), em Curitiba (PR).

De acordo com depoimentos de familiares e amigos, Jéssica deu a vida pela filha. Com cardiopatia e hipertensão pulmonar — que dificulta a passagem do sangue pelas artérias e veias pulmonares —, Jéssica ficou grávida em outubro de 2018 e descobriu que corria risco de morte ao manter a gestação. “Os médicos falaram que ela tinha que abortar. Mas ela disse que só Deus poderia tirar a vida de seu bebê, porque ela não faria isso”, conta a irmã Taciane Chaves.

Em dezembro do ano passado, a família – em um chá de revelação muito especial –, descobriu que Jéssica estava esperando uma menina, e Martina – nome que significa “pequena guerreira” –, foi escolhido.

Jéssica seguiu em frente com a gravidez e realizava exames de ultrassom a cada 15 dias. A partir do quinto mês de gravidez, a gestante precisou viajar para Curitiba com mais frequência, duas ou três vezes por semana para consultas médicas.

Na segunda-feira (15), com seis meses de gestação, durante exames no HC, Jéssica acompanhada de seu noivo Diogo Ferreira Przyvitowski constataram que a bebê estava em perigo pois não estava se mexendo.
Os médicos afirmaram que ela precisaria fazer uma cesárea de emergência, portanto Jéssica foi internada no mesmo momento.

Martina nasceu na quarta-feira (17), às 15h17 com mais de 10 médicos presentes na sala. Jéssica tinha apenas 20% de chance de viver. “Ela foi guerreira e sobreviveu ao parto”, relata a irmã. Infelizmente no domingo (21), a saturação de Jéssica não aumentava, e a jovem foi entubada e sedada na segunda-feira (22). “No período da noite ela ia fazer uma transfusão de sangue mas perto de 1h da madrugada os médicos deram a notícia que ela não resistiu”, informa a irmã. A pequenina Martina, que nasceu de 29 semanas, está na UTI Neonatal, com 1kg, 33 cm e passa bem. Jéssica chegou a conhecer a filha, e relatou para a irmã que Martina era pequenininha, muito linda e guerreira.

Pelas redes sociais, amigos e até mesmo pessoas que não a conheciam, ressaltaram a admiração pela atitude de amor de Jéssica. “Você foi guerreira. Deu a sua vida pela da sua filha, um exemplo de mãe. A Martina vai ter muito orgulho de você e de sua coragem”, enfoca um comentário.

A lição de vida repassada pela jovem demonstra principalmente a força de uma mãe com um filho. Mesmo desafiando a medicina, Jéssica, sua fé e Martina transformaram a vida de quem conheceu de perto toda essa história que será lembrada para sempre com muita admiração.

No dia 4 de abril Jéssica escreveu um emocionante depoimento em seu perfil no Facebook:


“Quando ouvi que não deveria levar a gestação para frente porque eu não conseguiria eu humildemente pedi pra Deus um sinal para que fizesse a escolha certa… Sempre tive uma mente muito aberta, mente jovem, que luta por direitos e que sabe que o sexo feminino de frágil não tem nada. Consequentemente, sempre defendi o aborto como uma forma de escolha em situações de vulnerabilidade.

Eu tive esta escolha (ou seja, abortar), que em outras palavras foram “ou interrompe ou morre” e mais uma vez, eu me desafiei, desafiei meu quadro clínico e apenas confiei em quem deveria confiar: Deus!

Todavia, acho importante que as mulheres tenham esta opção, não devemos tirar ou violar direitos e sim dar a cada um o que é seu (sua vida, sua escolha, sua consequência).

Optei em prosseguir com a gestação mesmo o Google não trazendo nenhum resultado bom e os livros que compõem o estudo da medicina também não, estamos aqui: dando um passo de cada vez, lutando por nós e por várias outras pessoas e querendo fazer história e milagre acontecer. Só digo uma coisa, esse texto é sobre direito, humanidade e acima de tudo sobre fé!”

Quando ouvi que não deveria levar a gestação pra frente porque eu não conseguiria eu humildemente pedi pra Deus um sinal…

Publicado por Jéssica Cordeiro em Quinta-feira, 4 de abril de 2019
Redação do jornal Gazeta Informativa

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4 Comentários
  • Alyne
    25 de abril de 2019 at 11:00

    Realmente ela foi uma guerreira em sua escolha, porém não devemos discriminar aquelas mulheres que passam pela mesma situação de gestação de alto risco e que optam pelo aborto. Não devemos nos esquecer que a escolha é única e exclusivamente da mulher, é um direito dela decidir entre prosseguir com a gestação ou interromper, direito este que está sendo ameaçado pelo nosso Congresso que votará hoje se as formas de aborto previstas em Lei permanecerão ou não no Brasil.

  • Jussara Harmuch
    25 de abril de 2019 at 10:51

    Uma história real que contextualiza direito, humanidade e Fé.
    “…não devemos tirar ou violar direitos e sim dar a cada um o que é seu (sua vida, sua escolha, sua consequência)”.

  • SANDRA
    24 de abril de 2019 at 14:58

    QUE DEUS TRAGA TUDO O QUE A FAMÍLIA E OS AMIGOS PRECISAM NESTE MOMENTO E QUE A BENÇÃO DA CHEGADA DESTE ANJO SEJA LUZ NESTE MOMENTO

  • Rodrigo Schoemberger
    24 de abril de 2019 at 12:23

    Jéssica, descanse em paz!
    E que Deus conforte a família. Minha solidariedade aos meus primos Márcio é Márcia, pais da Jéssica e à minha tia Tereza.
    Força e fé!

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