Com apenas 20 anos de idade, Victor já tem uma história de luta e superação.
(Fotos: Alana Pietrala Chincoviaki/Gazeta Informativa)

O município de São Mateus do Sul conta com diversas histórias de vida e batalhas pessoais superadas, muitas vezes, com o apoio de toda a comunidade. Victor Rafael de Souza Kuchacki é um jovem da cidade que também contou com esse apoio em um momento difícil que enfrentou no ano de 2021.

Com apenas 19 anos, Victor já trabalhava em uma funilaria. E no mês de julho, durante sua jornada de trabalho, sentiu um certo incômodo na região dos testículos. Apesar disso, ele acreditava não se tratar de um grande problema devido ao esforço do serviço que realizava. “Percebi um inchaço, além dessa dor. Mas, como eu tinha que empurrar muitos carros, pensei que havia me machucado fazendo força”, relatou. O inchaço piorou e foi então que o rapaz decidiu procurar ajuda. “Sendo homem, é difícil falar deste tipo de problema. Moro apenas com minha mãe, mas não teve jeito, eu precisava de ajuda”, comentou Victor durante entrevista com a equipe do jornal Gazeta Informativa.

O rapaz procurou a unidade de saúde e a equipe médica local o encaminhou para fazer exames imediatamente. Quando retornou com os resultados, foi encaminhado ao Hospital Angelina Caron, conhecido centro médico hospitalar de referência, localizado na cidade de Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba. O problema, naquele momento, ganhou maiores proporções. “Na tomografia, um testículo já estava do tamanho dos dois juntos. Aquilo incomodava, doía até mesmo para dormir, mesmo com os remédios”, relata Victor Rafael.

Já no Hospital Angelina, foram realizados mais exames e, então, agendada a cirurgia para o dia 9 de julho do mesmo ano. Victor ficou internado por dois dias após fazer a retirada do tumor maligno e, quando recebeu alta, voltou para sua casa em São Mateus do Sul, acompanhado de medicamentos. Após toda a batalha que enfrentou, juntamente da intervenção cirúrgica, o rapaz conta que precisou reaprender a se movimentar: “Quando estamos deitados e nos levantamos, fazemos força na região e eu tive certo incômodo por conta disso. A partir daí, precisei me adaptar e a forma que encontrei foi passar a me deitar de lado para só então levantar com ajuda do braço”.

Passado algum tempo de recuperação após a cirurgia, ele descobriu que precisaria dar continuidade aos cuidados, através de um tratamento específico. “Eu precisei retornar para realizar a remoção dos pontos da cirurgia e o médico disse que ia ter que iniciar um tratamento com quimioterapia. No começo, eu fiquei assustado, porque ninguém da minha família tinha passado por isso. O médico disse que eu tinha câncer maligno, mas que eu poderia me curar com o tratamento”, relata o jovem. O primeiro problema era a distância, porque as sessões de quimio aconteceriam todos os dias durante a primeira semana do mês e as doses de reforço seriam sempre nas segundas-feiras subsequentes.

Felizmente, Victor também pôde contar com o auxílio de Sidinei Pivovar, 42, que recebeu o jovem em sua casa. “Por sorte, eu tenho um parente que mora na região metropolitana, em Piraquara, então só tinha que pagar o transporte até o hospital”. O transporte da casa de Sidinei para o Hospital Angelina foi feito por condução particular e, para auxiliar nos custos, a família organizou tardes de pastéis e rifas. “Muitas pessoas colaboraram, até mesmo com pix. Eu não imaginava que as pessoas iriam me ajudar, muitas que eu nem esperava, auxiliaram muito”, comenta emocionado.

O jovem são-mateuense é exemplo de perseverança na luta contra o câncer.

O tratamento de quimioterapia, que iniciou no dia 10 de agosto, utiliza medicamentos que se misturam com o sangue e são levados para todas as partes do corpo, destruindo as células doentes que estão formando o tumor e impedindo, também, que elas se espalhem. A medicação é aplicada diretamente na veia do paciente e é bastante exigente. Victor conta que “as primeiras sessões de quimio são puxadas, a primeira você não sente, só demora para passar o tempo pois são cinco a seis horas tomando o remédio, mas foi na terceira sessão que eu comecei a sentir o ‘baque’ da situação”.

Como a medicação faz o paciente inchar, Victor comenta que passava as noites indo ao banheiro e isso atrapalhava no sono, mas ele diz que não passou tão mal, como outras pessoas que ele viu. “O que mais me incomodou foi o gosto ruim na boca, um gosto metálico, tudo ficou com gosto de metal. Com isso, eu não tinha vontade de comer nada”, relata.

A maior preocupação de Victor era demonstrar que estava melhorando para a sua mãe, Joana Aparecida de Souza, 55, e sua namorada, Heloisa Aparecida da Silveira, 17. “Eu pensava bastante na minha mãe e na minha namorada, pois as duas me acompanharam nas sessões de quimioterapia”. Sobre a equipe médica, Victor diz que “não tem do que reclamar! A equipe foi muito boa”. Ele conta que passou por cinco psicólogas à disposição para auxiliar nestes meses que esteve em tratamento e que foram fundamentais para o processo de aceitação da doença e de busca de estratégias para lidar com os efeitos colaterais.

Victor e sua mãe, Joana, uma semana antes de começar o tratamento.

Victor em uma foto mais recente, junto de sua namorada. (Fotos: Arquivo pessoal)

Uma das descobertas de Victor nesse período foi o seu reencontro com sua espiritualidade. “Eu sempre fui católico, mas nesse tempo de pandemia, não fui à igreja. Não podia tomar a vacina por causa da baixa imunidade, mas conversava com Deus todos os dias”. Encontrar esse propósito foi tão fundamental para a sua saúde mental que o seu conselho para quem está enfrentando uma situação parecida é: “tenha fé, o médico sabe o que está fazendo e, quando você começar a colocar a cabeça no lugar, tudo vai melhorar”. Ele ainda conta que “às vezes, eu ficava nervoso e parecia que tudo começava a dar errado. Já quando eu colocava a cabeça no lugar, pensando positivo, as coisas mudavam de rumo, melhorando”.

Agora, com seus 20 anos de idade completos e como uma pessoa que venceu o câncer, Victor olha para o futuro com um sorriso no rosto. “Quando eu descobri o câncer, eu estava com 19 anos, querendo fazer tudo: comprar carro, casa, ser melhor que os outros por besteira, por apego ao bem material. Esse câncer foi uma lição para toda a vida, pois sem a saúde do corpo nós não somos nada. O que nós temos que cuidar é da saúde, porque o resto a gente tem a vida inteira para conquistar” finalizou em sua entrevista.

O câncer de testículo corresponde a 1% do total de casos de câncer entre os homens. Mas hoje representa o tumor mais comum em homens de 20 a 40 anos de idade. Ele costuma ter velocidade de crescimento rápida e, por isso, vale ressaltar a importância da procura por ajuda profissional logo nos primeiros sinais de que algo está diferente da normalidade. A dor no local, assim como o endurecimento e sintomas inflamatórios, como o inchaço, são os mais comuns. Tendo qualquer um desses sintomas, há a indicação da procura de um médico para melhor lhe orientar.

Gustavo Kovalski
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