Reflexão com Padre Marcelo S. de Lara

Jubileu da Misericórdia

No dia 13 de março, o Papa Francisco anunciou o 29.º Jubileu na história da Igreja Católica, um Ano Santo extraordinário centrado no tema da Misericórdia. Por isso, no dia 11 de abril, Francisco apresentou a Bula: Misericordiæ Vultus (rosto de misericórdia), convocando oficialmente o Jubileu da Misericórdia a ser celebrado de dezembro de 2015 a novembro de 2016.

O rito da publicação contou com a leitura de algumas passagens da Bula diante da Porta Santa da Basílica de São Pedro, que vai ser aberta pela primeira vez desde o ano 2000. O documento foi entregue simbolicamente a representantes da Igreja no mundo inteiro. A Porta Santa é aberta apenas durante o Ano Santo, permanecendo fechada no resto do tempo, e existem portas santas nas quatro basílicas papais em Roma: Basílica São Pedro; São João de Latrão; São Paulo Fora de Muros; e Santa Maria Maior.

A tradição do Ano Santo iniciou na Igreja Católica com o Papa Bonifácio VIII, em 1300, e a partir de 1475 determinou-se um Jubileu ordinário a cada 25 anos. Até hoje houve 26 Anos Santos ordinários e dois extraordinários: Anos Santos da Redenção, em 1933, com o Papa Pio IX, e em 1983 com o Papa João Paulo II.

O jubileu tem raízes no ano sabático dos hebreus e consiste num perdão geral, uma (indulgência) aberta a todos, e na possibilidade de renovar a relação com Deus e o próximo.

O termo bula vem do latim, Bulla (objeto redondo) e indicava originalmente a cápsula metálica utilizada para proteger o selo de cera que se unia a um documento de especial importância, para certificar a sua autenticidade. Com o passar do tempo, passou a indicar primeiro o selo e depois o próprio documento.

O documento tem três partes. Primeiro, o Papa Francisco aprofunda o conceito de misericórdia e explica o porquê da escolha da data de início, em 8 de dezembro, Solenidade de Maria: “para não deixar a humanidade sozinha à mercê do mal” e por coincidir com o 50º aniversário da conclusão do Concílio Vaticano II, que derrubou as muralhas, “que por muito tempo, mantiveram a Igreja fechada em uma cidadela privilegiada”. “Na prática, disse o Papa, todos somos chamados a viver de misericórdia, porque conosco, em primeiro lugar, foi usada a misericórdia”.

Por segundo, o Santo Padre dá sugestões para celebrar o Jubileu, como realizar uma peregrinação, não julgar e não condenar, mas perdoar e doar, permanecendo afastado das fofocas e das palavras movidas por ciúmes e invejas, tornando-se “instrumentos de perdão”; abrir o coração às periferias existenciais, realizar com alegria obras de misericórdia corporal e espiritual e incrementar nas dioceses a iniciativa de oração e penitência, “24 horas para o Senhor”, entre outros.

Na terceira parte, Francisco lança alguns apelos contra a criminalidade e a corrupção dirigindo-se aos membros de grupos criminosos e aos corruptos; exorta ao diálogo inter-religioso e explica a relação entre justiça e misericórdia. A Bula se conclui com a invocação a Maria, testemunha da misericórdia de Deus. Para recebe a indulgência, durante o Ano Santo, os fiéis devem também fazer obras penitenciais como, peregrinações e visitas a igrejas.

Leia a Bula em português, clicando no link.

Fontes:
Site 01
Site 02

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