Artigo de Opinião

Junto das chamas a morte de nossa história

(Imagem Ilustrativa)

Como vocês podem acompanhar no texto ao lado dessa coluna, o Museu Nacional, localizado na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, perdeu todo seu acervo em um incêndio no domingo (2). Tenho certeza que todas as pessoas que valorizam realmente a história sentiram e muito com essa perda que ficará marcada negativamente na história nacional nessa semana de comemoração da independência. O Museu havia completado 200 anos em 2018, e a estrutura já abrigou um rei e dois imperadores. Em 2 de setembro de 1822, a princesa Leopoldina assinou naquele palácio a carta de independência do Brasil.

É difícil mensurar as proporções históricas, científicas e antropológicas que todo o acervo do Museu possuía. É mais difícil ainda perceber que em questão de horas, anos de história e descobertas viraram cinzas. Múmias, fósseis, importantes registros e obras de arte sumiram em meio à chamas, que poderiam ser evitadas se a valorização de nossa cultura fosse reconhecida por todos os nossos representantes, de forma unanime. A estrutura pedia socorro há anos por conta da grande crise financeira que afetou o estado. Há três anos o Museu Nacional estava atuando com orçamento reduzido, fazendo com que algumas salas de exposição fossem fechadas provisoriamente. A estrutura também estava danificada, colocando em risco a vida de trabalhadores e visitantes. Alguns jornais nacionais noticiaram as seguintes manchetes nos anos anteriores: 2015 no jornal Estadão “Museu Nacional, o mais antigo do Brasil, fecha por falta de dinheiro”; 2016 na revista Veja Rio “Museu Nacional suspende visitação por falta de verba”; 2018 jornal O Globo “‘Só temos verbas para medidas paliativas’, diz diretor do Museu Nacional”; 2018 Agência Brasil “Incêndio atinge Museu Nacional do Rio de Janeiro”.

No dia 2 de setembro de 2018 morreu a história física de nosso país, e o que mais me deixa preocupada são as novas gerações que não terão a oportunidade de vivenciar a história encontrada no Museu mais antigo do Brasil. Tenho medo do futuro e da história ser ainda menos valorizada por aqueles que não saberão a importância dos registros encontrados ali.

Encerro esse texto com a frase da placa que se encontrava na frente do Museu. “Todos que por aqui passem protejam esta laje, pois ela guarda um documento que revela a cultura de uma geração e um marco na história de um povo que soube construir o seu próprio futuro.”

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