Histórias de Terra e Céu

Júpiter, um gigante nos visitando

Júpiter (Foto: Nasa)

Para quem gosta de astronomia, o céu do verão no Hemisfério Sul é imbatível… Das trinta estrelas mais brilhantes do firmamento, vinte e duas são visíveis durante as noites de fevereiro e março. Se você está lendo este texto ao anoitecer, pode dar uma espiada lá fora e enxergará Sírius no alto do céu, Canopus entre o topo do céu o horizonte sul, e alfa do Centauro bem ao sul, abaixo do Cruzeiro. Estas estrelas são as três mais brilhantes do céu (exatamente nesta ordem). Mas talvez você se pergunte o motivo de eu não ter colocado na lista uma outra “estrela”, que é mais brilhante que estas, e está aparecendo no leste. Bom, não listei este astro porque não é uma estrela, e sim um planeta… E é o maior de todos: Júpiter.

O planeta herdou o nome do deus mais poderoso dos romanos (equivalente a Zeus, para os gregos). Se você quer ter ideia do tamanho de Júpiter, imagine somar a massa de todos os demais planetas. Agora dobre este valor. Pois bem, Júpiter tem ainda mais massa do que isso… Simplificando a comparação, este gigante gasoso pesa 318 vezes mais do que a Terra, e seu volume é mil vezes maior do que o do nosso planetinha azul. Sim, aquele pontinho brilhante que parece caber em sua mão é um gigante. E se ele parece pequeno para você, é porque ele “mora” a 800 milhões de quilômetros do Sol.

Mas a boa notícia é que este vizinho resolveu nos fazer uma visita. Neste mês de fevereiro, Júpiter encontra-se na menor distância em relação à Terra. São “apenas” 640 milhões de quilômetros. Ainda parece muito, eu sei, mas já é o suficiente para que o astro se torne o objeto mais brilhante do céu. Se você tiver um bom binóculo ou uma luneta, olhando para Júpiter verá quatro pontos brilhantes que bailam ao redor dele. São as chamadas “luas de Galileu”, quatro das mais de sessenta luas que o planeta gigante tem. Estas luas chamam-se Io, Calisto, Europa e Ganimedes (esta última é maior do que Mercúrio!). Com a descoberta delas, Galileu mostrou que a Terra não era o centro do Universo, pois havia astros girando em torno de Júpiter.

Já se você possui um equipamento um pouco maior, como um telescópio refletor de 110mm, será possível ver cinturões de nuvens no planeta e a Grande Mancha Vermelha. Esta mancha é duas vezes maior do que a Terra, e trata-se de uma tempestade que ocorre há mais de 400 anos… E além das tempestades monstruosas, a temperatura interna do planeta chega a quase 10.000°C. Realmente o gigante gasoso não é um local muito agradável para viver.

Mas se você não tem binóculos ou telescópios, não se preocupe. Existem coisas belíssimas para ver no céu mesmo sem instrumentos. E aproveite Júpiter nesta semana, pois a lua passará ao lado dele na semana seguinte, ofuscando um pouco do seu brilho. Mas a lua é um assunto para o nosso próximo bate-papo, quando falaremos do encontro entre Órion, o caçador, e Diana, a deusa da caça.

Até a próxima semana e céus limpos para todos nós!

Gerson Cesar Souza
Astrônomo Amador
gersoncesarsouza@gmail.com

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