(Imagem Ilustrativa)

“O Testemunho” é um daqueles filmes que deixa a sua marca indelével em quem o assiste. Faz-nos refletir sobre a responsabilidade que temos em bem empregar o tempo das nossas vidas, por ter diante dos olhos a história de um grande homem, que foi um apóstolo amoroso de Cristo em nossos tempos e um incansável peregrino da paz pelo mundo. O filme relata a trajetória de João Paulo II, através da pessoa de Stanislaw Dziwisz, Cardeal e arcebispo de Cracóvia, que foi seu amigo pessoal e que testemunha, assim, particularidades da vida do pontífice. Assisti-o por duas vezes. E nas duas vezes me encontrei em lágrimas. Não sei explicar ao certo o que sinto nas vezes em que observo cenas ou fotografias do nosso Papa polaco: um misto de admiração, com um toque de ternura, misturado, talvez, com um vislumbre do que seja o Céu.

Resolvi trazer a figura de Karol Josef Wojtila neste mês de outubro, que tem duas datas importantes em sua referência, dias 16 e 22. A primeira foi no ano de 1978, quando ele adotou o nome de João Paulo II ao ser escolhido Papa e, dali em diante, cumpriu o terceiro maior pontificado da história cristã, que teria o término com a sua morte, após quase 27 anos de dedicação. A segunda data, dia 22, é o dia da sua festa litúrgica, pois, como as ações de sua vida já antevinham, tornou-se São João Paulo II, canonizado em 2014. Para todos da minha geração era normal assistir nos noticiários da TV àquele homem vestido de branco, de sorriso fácil, que desembarcava do avião e beijava o solo que seus pés tocavam. Era como se ele sempre houvesse sido Papa e sempre, assim, seria. Foram nada menos que 129 países visitados em 104 viagens apostólicas, além de 124 viagens dentro da Itália. Por onde passava reunia multidões. Foi assim, em 1995, quando reuniu mais de 5 milhões de pessoas nas Filipinas na Santa Missa, por ocasião do encerramento da Jornada Mundial da Juventude, evento criado e impulsionado por ele próprio. Por isso mesmo, foi muito amado e apontado pelos jovens do mundo todo como um líder exemplar da humanidade.

No Brasil, João Paulo II realizou três visitas, em 1980, 1991 e 1997. Esta última, já apresentando os sinais da doença de Parkison, condenou em seus discursos o aborto, o divórcio e os métodos contraceptivos. Sempre simpático e bem humorado, repetiu na sua despedida no II Encontro Mundial com as Famílias, na cidade do Rio de Janeiro, que “Se Deus é brasileiro, o Papa é carioca”, sem deixar de completar que, “Em Porto Alegre, o Papa é gaúcho”. Foi o primeiro Papa que visitou nosso país. Além das viagens, destacam-se as mensagens que deixou aos bispos daqui, como a de 26 de novembro de 2002: “Não é possível compreender o homem a partir de uma visão econômica unilateral, e nem mesmo poderá ser definido de acordo com a divisão de classes”.

Profundamente devoto de Maria, o lema de seu pontificado era “Sou todo teu, Maria, e tudo o que é meu é teu”. Ao sofrer um atentado em 13 de maio de 1981, dia de Nossa Senhora de Fátima, quando foi alvo de dois tiros, deixando o hospital no dia 14 de agosto, um dia antes da data da Assunção de Nossa Senhora, resumiu o auxílio divino e materno nestas palavras: “Uma mão disparou. Mas outra mão guiou a bala.” O que não esperar dele, senão o fato de que, mais tarde, o Papa tornaria público o seu perdão ao autor dos disparos, um terrorista de origem turca, visitando-o na prisão.

Voltando ao “O Testemunho”, as cenas dos últimos dias do nosso Papa evocam ainda mais a beleza dessa santa vida. As suas duas últimas tentativas de dar a bênção de sua janela, arrancam aplausos e prantos dos fiéis reunidos na Praça de São Pedro, pois ele nada consegue dizer, mesmo com todo o seu tremendo esforço. “Foi a última estação pública de sua dolorosa Via Sacra”, disse um documento vaticano. “A bênção, João de Deus, nosso povo te abraça!”.

Que as efemérides da vida nos ajudem a construir dias sempre melhores.

Um cordial abraço!

Ingrid Ulbrich
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