Educação e Cultura

Karolinka representa a diversidade do folclore polonês em evento olímpico no Rio de Janeiro

Foto: Larissa Drabeski/Levante

Um espetáculo de cores, passos e ritmos envolventes e contagiantes. Isto foi o que proporcionou o Grupo Folclórico Polonês Karolinka, de São Mateus do Sul, durante sua apresentação na sede do Comitê Olímpico Polonês, na Sociedade Beneficente Polônia – Rio de Janeiro, na tarde de sábado (20).

Na plateia, brasileiros viam empolgados a representação daquela cultura que, para muitos, tinha a ver com origens familiares. Para os poloneses ali presentes, foi como sentir-se mais perto da terra natal.

Tanta dedicação à preservação da cultura polonesa rendeu ao grupo um importante reconhecimento por parte do Comitê Olímpico. Um diploma especial foi entregue na ocasião a pessoas que trabalham pela valorização da cultura polonesa, dentre as quais foram agraciados os representantes Josiane Nizer, presidente; Irio Janoski, coordenador do grupo; e Iris Janoski, coordenadora do projeto Tradição em Movimento, promovido pelo Karolinka.

“Este reconhecimento é para todos vocês que fazem parte do Karolinka”, exclamou Irio naquela ocasião, lembrando que a principal força do grupo são as pessoas que a ele se dedicam.

De acordo com o Embaixador do Comitê Olímpico Polonês, Witold Rybczy?ski, a homenagem é uma forma de valorizar as pessoas que contribuem para divulgar a cultura polonesa mundo afora. “Uma das nossas funções é manter e fortalecer esta consciência nas pessoas de origem polonesa que residem em outros países. E a cultura, certamente, é a forma mais agradável de alcançar este objetivo”, destacou.

A apresentação, de cerca de 40 minutos, incluiu danças típicas de diversas regiões, além de músicas tradicionais polonesas entoadas pelo “Chór Karolinka” (ou Coral Karolinka, em português). O resultado rendeu muitos aplausos e manifestações positivas.

“Estou muito encantada. É uma essência da Polônia: coração, sentimento, alma. Vimos uma geração tão dedicada e tão sorridente. Vir ao Brasil e sentir a Polônia aqui vale todo o dinheiro do mundo!”, destacou Hanna Starzy?ska, coordenadora de Assuntos Internos do Comitê Olímpico Polonês. Sentimento que foi reforçado pela cônsul polonesa da região Norte, Katarzyna Anna Braiter. “Fiquei com lágrimas nos olhos. A mistura das culturas polonesa e brasileira no final criou uma percepção tão linda”, exclamou.

Para quem acompanhou a trajetória do grupo desde a fundação, o orgulho de ver seu amadurecimento é ainda maior. Grazyna Machalek, do Departamento de Contato com os Poloneses no Mundo, era cônsul em Curitiba na data de criação do Karolinka e recorda-se que acompanhou de perto aquele momento histórico. “Hoje eu vejo um grupo espetacular, com novas gerações. O Karolinka é também fantástico em termos de trajes. O coral também é uma novidade muito interessante, porque hoje são poucos os grupos que mantém as duas atividades”, avalia a diplomata. “Este é o fruto do trabalho de diversas pessoas, de diversas idades. Eu me sinto um pouco madrinha do Karolinka e estou muito feliz”, complementa.

A dedicação em representar a cultura polonesa possibilitou ao grupo também contatos promissores. O embaixador polonês no Brasil, Andrzej Braiter, fortaleceu os sonhos da instituição de levar o nome de São Mateus do Sul ainda mais longe. “Esta é uma experiência que deve ser continuada. A embaixada agora estuda a possibilidade de levar o grupo para se apresentar em Brasília, em 2017. Talvez, futuramente, possamos trabalhar para ter uma participação do Karolinka em festivais na Polônia”, destacou Braiter, que deixou também um recado aos integrantes do grupo: “Vocês preservam a nossa cultura e guardam o nosso tesouro nacional”.

Para a Coordenadora do projeto Tradição em Movimento, Iris Janoski, participar da programação de atividades da Casa Polônia durante a Rio 2016 foi uma grande realização. “Fizemos uma apresentação para mais de 100 pessoas, entre autoridades polonesas, comitê olímpico e comunidade polaca do Rio de Janeiro que é bastante forte. Na ocasião, pudemos reforçar contatos e fazer novos amigos. Divulgamos nosso trabalho e a cidade de São Mateus do Sul. Temos a certeza que essa apresentação serviu de vitrine. Muitos outros convites surgirão”.

A apresentação estava agendada para às 18h. Mesmo horário em que estaria acontecendo a final de futebol masculino, que a seleção brasileira estava disputando. “Nossa apresentação foi adiada para pouco mais de uma hora, tempo para terminar o jogo, pois a sociedade Polônia estava cheia de pessoas assistindo a transmissão ao vivo do jogo, inclusive nós do Karolinka. Quando terminou o tempo normal do jogo, as pessoas simplesmente levantaram e começaram a ir para o salão onde seria a apresentação. Ficamos surpresos”, conclui.

Para a dançarina e secretária do Karolinka, Willeni Cassia Graboski Zablowski, que faz parte do grupo há 13 anos, afirma que a oportunidade da apresentação proporcionou-lhe uma sensação de orgulho, emoção, alegria e dever cumprido. “Tanto para mim, como para os demais integrantes do grupo foi uma experiência única, a apresentação superou nossas expectativas, pois conseguimos levar o que a gente se propôs a fazer, tanto que ao ouvir que levamos quem estava lá assistindo a Polônia foi o melhor elogio que poderíamos receber”.

Para São Mateus do Sul, o Karolinka é motivo de muito orgulho, é o que destaca Willeni. “Pois somos o principal vínculo com a tradição deixada pelos principais colonizadores de nossa cidade, onde resgatamos e mantemos não só as danças, mas também os cantos e a língua polonesa. E também, levamos o nome do nosso município para tantos outros lugares. Para minha vida, o Karolinka representa a minha família, minha segunda família, é lá que tenho os meus segundos pais, onde fiz minhas amizades mais sinceras, que levo até hoje, meus irmãos de coração”, finaliza emocionada.

Aline dos Santos Guimarães é dançarina e tesoureira do Karolinka e também está há 13 anos participando grupo. Para ela, a sensação foi de dever cumprido, após semanas de ensaio e organização por parte do grupo de dança e coral. “Além do orgulho do grupo Karolinka ter sido escolhido entre tantos grupos folclóricos poloneses no Brasil. A apresentação foi maravilhosa, superou as expectativas em vários sentidos. O reconhecimento e valorização do nosso trabalho que recebemos por parte do público e do comitê olímpico polonês nos incentiva a continuar e procurar fazer sempre o melhor no nosso objetivo de divulgar a cultura polonesa”.

Para sua vida, Aline comenta que o grupo representa o que ela é! “Boa parte da noção de comprometimento, postura, respeito, determinação e organização que tenho vieram dos anos que participo do grupo. Além de ter feito amizades e conhecido lugares que provavelmente não conheceria se não fizesse parte do grupo”, diz.

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