Profissões

Levando a arte para a pele das pessoas: a história do tatuador Valmir Rosa

Valmir atua há 6 anos como tatuador, e a evolução de seus desenhos é vista pelas pessoas que admiram o seu trabalho. (Fotos: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

A tatuagem representa a personalidade de uma pessoa. Se espalhando cada vez mais pelos corpos de diferentes idades e gêneros, elas variam das mais delicadas – como frases e traçados minimalistas – à artes que trazem grandes desenhos dedicados ao realismo (e dessa parte Valmir Antonio Rosa entende muito bem). O são-mateuense é um dos grandes nomes da tatuagem do município, e conta como iniciou a sua carreira profissional para a equipe da Gazeta Informativa.

Nascido em São Mateus do Sul, mas passando grande parte de sua vida no município vizinho de Antonio Olinto, Valmir, de 30 anos, admite que a arte é algo que nasceu com ele. “Quando eu era criança desenhava o que via e gostava nas tampas de caixa de papelão, pois na época não tinha em casa folha de sulfite. Eu guardava tudo que dava”, relembra. Algumas pessoas elogiavam esses desenhos, já outras, não se importavam tanto com a qualidade do artista que estava se desenvolvendo. “De alguma maneira eu sempre quis trabalhar com arte, mas era muito difícil encontrar um emprego que envolvesse isso. Alguns amigos me falaram da ideia de ser tatuador, e isso me interessou.”

Aos 23 anos, Valmir inicia sua pesquisa por capacitações na área da tatuagem. “Eu não queria começar errado, mas sim em uma área que desse certo”, afirma. Realizando um curso intensivo na capital Curitiba, a carreira profissional começou a ganhar forma. Nesse meio tempo, o são-mateuense trabalhava na SIX, e atuava na confecção de desenhos de letras para identificação de equipamentos. Depois do término do curso, o desenhista saiu do emprego na área da Petrobras. “Muitas pessoas me disseram que era loucura largar um trabalho estável para arriscar algo novo, mas eu não tive medo e me apaixonava cada vez mais por tatuar”, diz.

Para treinar a mão e o traçado, Valmir usava tanto no curso quanto na própria casa, pele de carne de porco pela familiaridade com a pele humana. A agulha e a tinta passam pela camada da epiderme – parte superficial da pele –, depositando a tinta na derme, parte que contém vasos sanguíneos e nervos. Por isso que a tatuagem é permanente e necessita de profissionais responsáveis pela higiene dos materiais utilizados, pois ela tem contato direto com a parte interna do organismo. Depois de concluir o curso, o tatuador sempre buscou apoio e liberação da Vigilância Sanitária do município, justamente por valorizar esses quesitos higiênicos.

Para Valmir, essa foi a tatuagem que ele mais sente orgulho, demorando 28 horas para ser feita. (Acervo Pessoal)

Valmir confessa que foi evoluindo aos poucos, e com o passar dos meses ganhou a confiança dos são-mateuenses que o procuravam, muitas vezes, para realizar um sonho de adolescência. “Hoje percebo que as pessoas reconhecem a tatuagem como algo que possui um significado em sua vida”, pensa. A primeira tatuagem em São Mateus foi uma frase em três amigas, e de lá para cá, os pedidos são dos mais variados possíveis. Realizando workshops anualmente e participando de convenções, o tatuador possui dois troféus, um de segundo e outro de primeiro lugar de tatuagens feitas nesses eventos. “Para o primeiro lugar, eu competia com 35 tatuadores na categoria realismo preto e branco”. Valmir confessa que a área que mais gosta no meio artístico é o realismo colorido, e esse troféu representa uma superação na modalidade.

Questionado sobre a tatuagem que levou mais tempo para ser feita, Valmir conta que foi o desenho realista do “Chapeleiro Maluco”, do filme Alice no País das Maravilhas, que demorou 28 horas. “Hoje, esse é o meu trabalho favorito, e com ele posso dizer que cheguei perto da perfeição.”

A emoção depois de ver uma tatuagem que homenageia alguém especial, pessoas inseguras e com medo das agulhas e aquele sentimento de alegria depois do resultado faz parte do cotidiano agitado no estúdio do tatuador. “Teve uma senhora de 60 anos que falou que iria realizar um sonho. Ela disse que todas as viradas de ano da sua vida foram iguais, mas que nesse ano seria diferente, e saiu daqui com oito tatuagens”, conta.

“Minha vida toda em Antonio Olinto foi difícil, e São Mateus do Sul me acolheu de braços abertos. Hoje tenho orgulho de levar a arte para a pele das pessoas”, acredita. Valmir e sua esposa, Maria Colaço – que se tornou tatuadora há 8 meses –, são conhecidos por onde passam, pois além da tatuagem, eles desenham vínculos de grandes amizades.

Estudante de Jornalismo que adora escrever e conhecer um pouco sobre a vida e a história de cada pessoa envolvida. Preza pela essência que é repassada na produção de cada matéria, valoriza os pequenos gestos e apoia o ativismo ambiental. E-mail para contato: claudia@gazetainformativa.com.br

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