Manifestação em Nova Iorque lembrando a morte de Lindolfo Kosmaski. (Fotos: Divulgação)

No último domingo, dia 27 de junho, aconteceu nos Estados Unidos e em diversos outros países, incluindo o Brasil, a Parada do Orgulho LGBTQIA+. A data tem como um dos objetivos conscientizar a população sobre a importância do combate à homofobia. O movimento, que teve início em 1969, com frequentadores do lendário bar gay Stonewall Inn, localizado no bairro de Greenwich Village, em Nova Iorque, quando reagiram a uma das corriqueiras batidas policiais no estabelecimento e deram início a seis noites de protesto que são consideradas um divisor de águas para o movimento LGBT nos Estados Unidos e no mundo. O Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, inspirado pelo evento, é comemorado anualmente na mesma data.

Desfiles semelhantes foram realizados em todo o mundo. A Macedônia do Norte realizou sua primeira marcha do Orgulho Gay no sábado. Em Cingapura, os manifestantes pediram o desmantelamento de uma lei que proíbe o sexo gay. Na Turquia, a comunidade gay e transgênero de Istambul se reuniu para uma pequena manifestação que terminou com o lançamento de gás lacrimogêneo e balas de borracha no domingo, depois que sua marcha anual foi suspensa pelo quinto ano consecutivo.

No Brasil, as manifestações de apoio ao movimento LGBTQIA+ foram registradas em 11 estados (MA, PE, RN, RJ, BA, PR, PI, SP, MT, RS e CE). A data no Brasil também é referência do dia internacional do orgulho pela diversidade sexual e de gênero, comemorada entre lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, queers, intersex, asexuais, drags, e em muitos lugares com a participação do Movimento dos Sem Terra (MST), a manifestação mais comum no país, foram mutirões com o plantio de árvores em homenagem ao jovem Lindolfo Kosmaski e a ex-vereadora Marielle Franco, ambos assassinados no Brasil.

O plantio de mudas representou a semeadura da memória e justiça de ambas as vítimas, que foram assassinadas e ainda não tiveram suas mortes totalmente elucidadas. Lindolfo Kosmaski, jovem professor da cidade vizinha de São João do Triunfo, cujo assassinato ocorreu neste ano, tem indícios de motivação homofóbica. As manifestações no Brasil procuraram expor a situação na qual consideram o país como um dos que mais discrimina e mata pessoas LGBTQIA+. Por meio dos dados divulgados pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), a cada 19 horas uma pessoa LGBT é morta no país. E, segundo o levantamento da Rede Trans Brasil, a cada 26 horas uma pessoa trans é assassinada no Brasil. Além de se tratarem normalmente de mortes violentas, a expectativa de vida de travestis e mulheres trans no Brasil e na América Latina, como um todo, é de 35 anos, o que demonstra a situação trágica existente no Brasil.

Milhares de pessoas se reuniram no centro da cidade de Nova Iorque para a marcha. Entre a população presente, estava o governador do estado de Nova Iorque, Andrew Cuomo, além de senadores e congressistas. Um dos destaques, que chamou a atenção dos brasileiros, foi a manifestação com cartazes e fotografias dos dois personagens brasileiros, a ex-vereadora na cidade do Rio de Janeiro, Marielle Franco, e o jovem professor triunfense Lindolfo Kosmaski, ambos ligados ao movimento LGBTQIA+.

O que significa a sigla LGBTQIA+

A sigla é dividida em duas partes. A primeira, LGB, diz respeito à orientação sexual do indivíduo. A segunda, TQIA+, diz respeito ao gênero.

L: lésbica; é toda pessoa que se se identifica como mulher e têm preferências sexuais por outras mulheres.
G: gays; é toda pessoa que se identifica como homem e têm preferências sexuais por outros homens.
B: bissexuais; pessoas que têm preferências sexuais pelo gênero masculino e feminino.
T: transexuais, travestis e transgêneros; pessoas que não se identificam com os gêneros impostos pela sociedade, masculino ou feminino, atribuídos na hora do nascimento e que têm como base os órgãos sexuais.
Q: queer; pessoas que não se identificam com os padrões de heteronormatividade impostos pela sociedade e transitam entre os “gêneros”, sem também necessariamente concordar com tais rótulos.
I: intersexo; antigamente chamadas de hermafroditas, são pessoas que não conseguem ser definidas de maneira distinta em masculino ou feminino.
A: assexuais; que não sentem atração sexual por ninguém, podendo ou não se interessar por envolvimentos românticos;
+: engloba todas as outras letrinhas da sigla, como o “P” de pansexualidade, que é a atração por pessoas, independentemente do gênero ou da orientação sexual delas.

Hugo Lopes Júnior
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