O destino final correto dos materiais deve ser perseguido e alcançado. (Imagens Ilustrativas)

Uma grande bandeira de discussões políticas no mundo nos últimos anos tem sido a questão ambiental que os problemas de queimadas e desmatamentos realizados mundo afora e, principalmente, em relação à Amazônia, que temos olhos do mundo voltados a ela. Mas, uma das principais questões ambientais dos nossos dias é, sem dúvida, a enorme quantidade de lixo produzido no planeta. Quando se trata das florestas, a opinião é quase unânime, mas poucos querem saber sobre o lixo doméstico e associado a esse problema que está dentro de casa, falar sobre a não reutilização adequada desses materiais devido ao consumo desenfreado, ao desperdício e ao descarte incorreto do lixo.

Apesar das leis que exigem o tratamento correto do lixo doméstico e devido a complexidade e custos que envolvem esse problema, os municípios e estados buscam evitar esse tema.

Ao longo dos anos, o problema do descarte incorreto de lixo resultou em doenças e prejuízos expressivos, tanto no âmbito ecológico quanto social. O lixo doméstico não é um problema exclusivo do Brasil, mas da maioria dos países. No nosso é uma situação bem preocupante, visto a inexistência de determinados serviços e investimentos em saneamento básico, em certas regiões não temos nem mesmo água potável (estima-se que cerca de 35 milhões de pessoas no Brasil).

Quanto ao lixo doméstico, em muitas cidades não existem aterros sanitários e áreas próprias para recebimento de resíduos recicláveis. Embora exista toda uma estratégia para melhorar a questão, e faça parte da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), pouco se tem feito para mudar esse cenário. Para muitos governos trata-se apenas da gestão do resíduos, o descarte do lixo, quando na verdade assume o status de saúde pública, quando 24% dos domicílios brasileiros não contam com a simples coleta de lixo.

Um ponto importante é a diferenciação entre os tipos de resíduos sólidos que sobraram de um determinado produto ou processo. Caso ele ainda suporte alguma possibilidade de uso, ou seja, possa ser consertado (reúso) ou transformado (reciclagem) para servir para outra finalidade, é chamado de resíduo. Já o rejeito é o resíduo sólido cujas possibilidades de reaproveitamento ou reciclagem estão esgotadas. Nesse último caso, só resta encaminhá-lo para um aterro sanitário licenciado ambientalmente ou para incineração. Mas é possível verificar a necessidade de melhorias no processo de educação básica, inicialmente fazendo o correto descarte do lixo no local adequado e seguido do envolvimento para o reaproveitamento dos materiais que podem ser reciclados. Não adianta ter usina e processos de reaproveitamento se o material reciclado vai para o lixo comum, não sendo separado.

Vidros, plásticos e metais devem ser reciclados.

O descarte incorreto, além de poluir, pode resultar em muitas doenças.

Separação correta deve ter início em casa.

Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), apesar da possibilidade de se reciclar 30% de todo o lixo produzido no país, a taxa de reaproveitamento desses insumos chega a apenas 3% desse total. Com isso, o país tende a perder muito dinheiro com o descarte incorreto, pois deixa de aproveitar oportunidades de grande viabilidade econômica, além de ampliar os custos da manutenção dos aterros sanitários.

É necessário a consciência sobre o lixo doméstico e a sua separação para a redução, reutilização e reciclagem, isso tira da natureza diversos materiais que podem ser reutilizados ou que demoram muitos anos para se decompor, como o plástico que pode demorar mais de cem anos para se decompor. De modo geral, o ideal é que papel, alumínio, plástico, vidro e orgânicos sejam separados nas residências e disponibilizados para a reciclagem, seja por meio dos coletores de reciclados, individuais ou ainda da coleta municipal. É consciência e atitudes que precisam iniciar em casa, dar o correto destino do que se consome.

Um plano de ações para Gestão de Resíduos Sólidos, entre outras coisas, tem como objetivo promover processos de reciclagem, inclusão dos catadores e incentivar a coleta adequada de resíduos. Algumas ações podem ir além se a população aderir ao movimento e passar a praticar a coleta seletiva em casa, o simples fato de não jogar lixo nas ruas ou estradas, guardando pequenos papéis e plásticos no bolso até chegar numa lixeira, carregar pequenas sacolas nos carros e coletar o lixo e depois depositar em local adequado, isso fará muita diferença no costume de outras atitudes que devem ser incorporadas em nosso dia a dia.

Algumas dicas de como separar resíduos recicláveis do descartável:

  • Inicialmente, é preciso separar em casa três tipos de resíduos: lixo orgânico, lixo material não reciclável e lixo material reciclável. Separe também os resíduos orgânicos dos secos. E sempre utilize sacos biodegradáveis. Alguns exemplos de materiais que você pode separar na coleta seletiva e encaminhar para a reciclagem são potes, garrafas e embalagens de plástico e vidro, papel sulfite, jornais, papelão, revistas, embalagens de metal, materiais de ferro, garrafas pet, sacos plásticos, canos de plástico ou metal, tecidos, couro, fios elétricos, pregos, parafusos e alguns equipamentos eletrônicos.
  • Saiba que não é possível reciclar: papel carbono, papel celofane, etiquetas, fitas adesivas, fotografias, latas de tinta, verniz, espumas, cabo de panela, esponjas de limpeza, embalagens de produtos tóxicos, vidros temperados, esponjas de aço, embalagens metalizadas, espelhos, porcelana, cerâmica, cristais e isopor.
  • Entre os recicláveis estão as garrafas PET. Separando-as, a reciclagem reduz o volume de lixo, gera emprego e renda para trabalhadores autônomos e cooperativas.
  • Diminuir o tamanho das garrafas PET e de latinhas, amassando-as com as mãos ou pisando em cima delas auxilia o processo de reciclagem. É preciso fechar as garrafas com a tampa após amassada.
  • Uma latinha de alumínio feita a partir de minério virgem gasta 20 vezes mais energia elétrica para ser produzida do que uma latinha feita de alumínio reciclado. Reciclar as latinhas, além de gerar emprego e renda, evita a extração de mais minério e economiza energia.
  • Sempre que fizer compras, leve a própria sacola. Ela diminui o uso de sacolas plásticas. O plástico, se descartado de forma incorreta, pode levar até 100 anos para se decompor. Se a sacola pessoal não for suficiente, opte por adquirir sacolas plásticas recicladas.
  • Óleo de cozinha usado também é reciclável. Algumas pessoas e entidades transformam o óleo em sabão. 1 litro de óleo usado despejado na pia, além de entupir o encanamento, pode contaminar até 18 mil litros de água, quase dois caminhões pipa.
  • O papel é um dos itens mais volumosos no lixo doméstico. Separá-los, rasgá-los em pedaços e empilhar, além de diminuir o volume, ajuda na hora de enviar para reciclagem.
  • Baterias de telefones celulares e outras pilhas geram lixo tóxico. Por isso, uma alternativa ao descarte deste material no lixo de casa, é entregar em lojas de eletrônicos. Muitas delas providenciam ou encaminham o material para reciclagem. O mercúrio é um dos metais mais tóxicos que existem e ataca o sistema nervoso.
Hugo Lopes Júnior
Últimos posts por Hugo Lopes Júnior (exibir todos)

Comentários

Compartilhe:


MATÉRIAS RELACIONADAS
São Mateus do Sul sofre com a seca
380 quilos de lixo do rio Iguaçu são coletados no 16º Encontro Ecológico
4 toneladas de resíduos eletrônicos foram recolhidos no Dia do Descarte Consciente