(Imagem Ilustrativa)

Algumas pessoas sempre me trazem boas lembranças em suas postagens, como a do link que recebi no último fim de semana. Quando nos reencontramos com um sabor, um perfume, uma imagem ou uma música, por exemplo, viajamos no tempo, revisitamos algumas fases, alguns aprendizados.

Foi assim com uma canção da banda britânica Supertramp, lançada em 1979, mas que fez parte da minha vida no final da década de 1980. Depois disso, minha vida mudou um pouco e acabei esquecendo do velho disco de vinil. Nas tardes de solidão, numa cidade diferente, num desafio profissional diferente eu me questionava quanto aos rumos que a minha vida tomaria. O refrão ecoava em meus pensamentos: “Who I am?”.

Logical song (Canção lógica, numa tradução direta), fala da transição na vida de uma pessoa para a fase adulta, de como encaramos o mundo em cada uma das fases e de como o mundo a sociedade tenta nos enquadrar para uma vida “lógica”.

Quando mais novos somos de certa forma ingênuos, acreditamos que todos sejam verdadeiros, nos encantamos com coisas simples, nossa felicidade está na simplicidade da vida, que parece mágica. É claro que alguns de nós precisam amadurecer antes, pois alguns obstáculos, algumas responsabilidades surgem um pouco mais cedo.

Como numa grande representação, no palco da vida, logo temos que representar os nossos papéis e para tal a sociedade nos impõe algumas características nos ensinam e precisamos ser assim, com o diz a canção: sensatos, lógicos, responsáveis, práticos, confiáveis, clínicos, cínicos.

Logical song vai nos apresentando tudo de forma poética, em rimas que só o inglês pode nos oferecer, acompanhada de um rock diferenciado, onde o teclado eletrônico e o saxofone são o diferencial.

Já mais adiante, a letra nos lembra que na solidão da noite nos vem os questionamentos. São tantos para uma só pessoa. Procuramos saber quem realmente somos e para que existimos.

Nos colocamos sob a avaliação e observação das pessoas, alguns nos chamarão de radicais, outros de liberais, fanáticos, criminosos. Mas todos esperaram que sejamos aceitáveis respeitáveis ou quem sabe vegetais, manipuláveis. E continuamos a nos perguntar, insistentemente: quem eu sou?

Penso que as velhas canções nos faziam pensar, sem deixar de lado a musicalidade, o ritmo, o espetáculo. Seria bom se pudéssemos resgatar um pouco disso e repassar para os nossos jovens, pois embora a sociedade nos imponha papéis, com senso crítico podemos escolher aquele que mais se adequa a nossa realidade, a nossa personalidade, aos nossos princípios.

Mas também é importante que aqueles já um pouco mais vividos repensem frequentemente seus papéis e reencontrem a simplicidade, a magia da vida que algumas vezes achamos que perdemos quando a nossa juventude se foi.

Tudo na vida se renova, se modifica e, numa visão otimista, para melhor. Não é só uma questão de testes de verdadeiro ou falso, pois diferente das ciências exatas, para se viver não há uma resposta nula, um simples verdadeiro ou falso. A vida é resultado de uma combinação de possibilidades e com resultados múltiplos, muitas vezes inesperados ou inexplicáveis para a nossa “vã filosofia”.

Para encerrar, que tal ouvir Logical song?

Adnelson Borges de Campos
Últimos posts por Adnelson Borges de Campos (exibir todos)

Comentários

Compartilhe:


MATÉRIAS RELACIONADAS
Não é só a consciência que pesa
A era das mentiras
Viagem no tempo