Nos primeiros dias, trocas de receitas de bolos e sobremesas, dicas de limpeza, técnicas de higienização. Nos tornamos uma grande rede de aprendizado de afazeres domésticos. Cursinhos online, então, se multiplicaram em grande velocidade. Eu fiz um curso de astrofotografia, bem, quase fiz, porque abandonei as aulas, mas até onde fui estava bom. Minha sobrinha Larissa está num intensivo de crochê. Outro amigo me confidenciou que a dedicação ao curso de fotografia e práticas relacionadas, foram decisivos para a manutenção de sua saúde mental. – “Eu estava pirando, precisava ocupar a cabeça” – disse ele numa de nossas conversas, online é claro.

O fato é que quase ninguém esperava que a pandemia durasse tanto tempo, e isso afetou nosso psicológico das mais variadas formas. Hoje conversei com um estudante da UFSM que relatou que não teve problemas porque sempre preferiu ficar em casa e passar o tempo livre em jogos de videogame, mas disse que sua namorada estava “pirando” com o isolamento. E quanto aos que o vírus conseguiu atingir, que contraíram essa maldita doença? Como ficou o psicológico dessas pessoas?

Um amigo que se recupera da covid me disse que sentiu muito medo e que isso se originou no sentimento de imprevisibilidade e impotência. – “Eu estava bem, e de um dia para outro comecei a sentir falta de ar e fraqueza. E amanhã como estarei?” E o que fazer? Como reagir? Como melhorar as chances de vitória nessa batalha injusta? Com informação de qualidade. Estamos falando de ajuda médica. De aconselhamento técnico qualificado.

Os relatos são de ansiedade, de irritabilidade aumentada, de perda de memória. Todos os sintomas requerem ajuda médica. Sem exceções!

Mas quando já se está medicado ou pelo menos aconselhado por profissional da saúde, o que mais pode ser feito para preservar a saúde mental nesses longos meses de pandemia? Não existe uma resposta definida. Estamos todos lutando contra um inimigo novo, pouco conhecido. O que parece ser essencial é que se tente manter ativo, principalmente do ponto de vista mental.

Instintivamente buscamos novidades nesse período. Parece ser uma defesa natural. É o cérebro dizendo: “se ocupa, ficar aí olhando pro teto não vai ajudar”. E cada indivíduo age de uma forma. É assim mesmo. Não há padrão para o comportamento. O que pra um é tranquilo, pode ser o fim do mundo para outro e devemos respeitar isso. Saber que é normal nos sentirmos impotentes, desorientados e com medo, talvez seja a primeira condição para vencer tudo isso.

Muito se fala em buscar o equilíbrio quando falamos de saúde, seja mental ou física. Mas é preciso ter em mente que isso vai depender de cada pessoa e que é equilibrado para um pode ser loucura do ponto de vista do outro.

Buscamos o equilíbrio. No casamento, nas finanças pessoais ou empresariais, nas relações interpessoais… em quase tudo queremos o equilíbrio. Chamar de desequilibrado é um xingamento. O que poucos percebem é que o equilíbrio pleno e duradouro só existe para coisas mortas e ainda assim sempre haverá alguma partícula subatômica em busca do equilíbrio. Um aparelho elétrico, para funcionar, precisa que haja desequilíbrio (diferença de potencial) entre seus contatos. O simples ato de caminhar é uma sequência de desequilíbrios. Somos muito mais desequilibrados do que imaginamos e isso é absolutamente normal!

Então chore, ria, grite, pule, se aquiete, corra, salte, pedale, pinte, desenhe, cole ou só observe. Porque teu corpo, tua mente, tua vida pertencem a você, ao outros que lidem com isso!. Podem até te chamar de louco.

“Mas louco é quem me diz, é não é feliz. Não é feliz!”

Luís Ferraz
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