Gatos criados dentro de casa tem melhor qualidade de vida. (Fotos: Arquivos Pessoais)

Constantemente vemos gatos perambulando pelas ruas de São Mateus do Sul, se tratando muitas vezes de animais que possuem donos. Felinos que estão acostumados a dar suas “voltinhas” costumam trazer preocupações a seus tutores, pois eles estão sujeitos a várias doenças. A melhor maneira de prevenir é mantê-lo dentro de casa.

Muitos ainda acreditam que é saudável deixar seus animais livres pelas ruas, porém, há diversos perigos envolvidos, desde envenenamentos e atropelamentos até mesmo brigas com outros animais e o contágio com doenças perigosas. Infelizmente, há a falsa premissa popularmente difundida de que o gato possui um “espírito aventureiro”, sendo esperto e rápido o suficiente para se proteger sozinho.

Vale ressaltar neste ponto que falamos aqui sobre o gato doméstico (Felis catus), que é uma espécie distinta dos gatos silvestres (Felis silvestres catus) e que, com o tempo amplo de domesticação se tornaram dependentes de cuidados e auxílio humano.

Pesquisas nos trazem dados de que um gato doméstico pode viver até os 15 anos, enquanto aqueles que possuem acesso à rua possuem uma estimativa média de apenas 2 a 3 anos. Os números se tornam mais assustadores ao se tratar de felinos abandonados, chegando aos alarmantes 3 meses.

Pulgas, carrapatos e sarna são os menores problemas que seu pet pode enfrentar nas ruas. Doenças que infectam os gatos de vida livre são muito comuns em nossa região. As mais conhecidas – porém, pouco compreendidas – são as retroviroses e, dentre elas, nos felinos domésticos se destacam o vírus da leucemia (FeLV) e da imunodeficiência felina (FIV).

No primeiro caso, o principal modo de transmissão do vírus da FeLV ocorre pelo contato direto entre os animais, com fluídos corporais. Em nossa cidade existe uma alta taxa de prevalência desse vírus e isso se deve ao fato de que uma cidade pequena e de interior ainda reproduz hábitos antigos e errados, onde muitos gatos são criados livremente. Qualquer felino pode estar infectado e ser transmissor, pois a doença “não tem cara” e pode não apresentar sintomas, por isso é importante realizar o teste. Não tem cura, mas há vacina para a prevenção.

Para o vírus da FIV, a principal forma de transmissão é apresentada por ferimentos de mordidas. Causa doença imunossupressora e, por este motivo, é conhecida como “AIDS felina”, causando alteração grave na medula. Não tem cura e não existe nenhuma vacina que possa impedir a contaminação. Ambos os casos, existe tratamento, porém é complexo e varia conforme a manifestação clínica do animal contaminado.

Enriquecimento ambiental com prateleiras, nichos e arranhadores. (Imagem Ilustrativa)

Além das doenças, tem o risco de acidentes. Em contato com veterinários e protetores da região, estima-se que, nestes primeiros meses de 2021, foram 150 gatos atropelados em São Mateus do Sul. Acredita-se ainda que esse número seja maior, avaliando que muitos não tiveram repercussão e conhecimento dos entrevistados. “Eu chego a atender até 3 casos por semana de gatos atropelados”, afirma Miguel Magnani, veterinário da cidade. “Isso sem contar os envenenados”, ele complementa. A clínica Animalia também afirma que atende mais de 15 casos de atropelamento por mês, envolvendo cães e gatos.

O acesso às ruas também contribui diretamente para o descontrole populacional, quando esses não são castrados. Consequentemente, há um aumento no número de animais abandonados, pois muitas ninhadas se criam pelas ruas. Gatos possuem muita facilidade de reprodução e o excesso de animais de rua é um problema não apenas em nossa cidade, mas enfrentado pelo Brasil há muitos anos.

Bruna Helen Lopes Ferraz, pós-graduanda em clínica médica de felinos, nos conta que “a fêmea entra na maturidade sexual por volta dos 5 meses de idade e, a partir disso, estima-se que em 1 ano pode gerar 12 novos gatos, em 2 anos novos 200 e em 4 anos mais de 2.000”. A castração é uma forte aliada para impedir esse aumento da população. “Também é capaz aumentar a expectativa de vida do gato, reduzir comportamentos indesejados, estresse e doenças”, completa Bruna.

Infelizmente, casos de animais com acesso as ruas ainda são comuns e Laís Cristine, em entrevista, nos conta que quando adotou seu primeiro gato não tinha conhecimento sobre os perigos que as ruas podem ofertar, pois era comum ver sua bisavó cuidando dos animais soltos. “Um dia eu cheguei em casa e vi um caminho de sangue. Seguindo, encontrei minha gata toda machucada”, confessa. Ela conta que o animal foi espancado na rua, onde teve seu maxilar e outros ossos da face quebrados. “Foram mais de R$ 5 mil com a cirurgia”. Laís reconhece seu erro e afirma que agora toda a sua casa é telada e seus 7 gatos vivem em segurança.

É importante reforçar que um gato que permanece em ambiente interno precisa de enriquecimento desse, para que possa se exercitar e ter uma saúde mental. Nisso, se torna interessante a disposição de brinquedos, nichos e arranhadores, por exemplo. Tudo isso visa diminuir o estresse e trazer uma melhor qualidade de vida para seu felino. Um gato se torna muito mais feliz com um ambiente enriquecido do que na rua, onde ele sofre, disputa território, se envolve em brigas, tem contato com doença e a maldade humana – com envenenamento, tiro e diversas outras formas de agressão.

Se não puder manter o seu felino dentro de casa, o mais indicado é não ter o animal. Quando está disposto a aumentar sua família, trazendo um novo membro, é necessário avaliar se são capazes de assumir um compromisso sério. Animais domésticos vivem, pelo menos, 10 anos, o que representa um longo cuidado com a saúde, alimentação, consultas no veterinário, abrigo seguro, cuidados com a higiene e bem-estar. Também é necessário investir em tempo para passeios e brincadeiras com o seu pet, além de um recurso financeiro previamente avaliado, capaz de garantir gastos com ração, castração, vacinas, veterinários e uma reserva para situações de emergência.

Qualquer animal de estimação implica responsabilidade e consciência e isso parte de nós, adotantes. Uma reflexão e análise antes da decisão é importante e garante que o animal tenha uma boa qualidade de vida.

Comentários

MATÉRIAS RELACIONADAS
A história do Bombeiro são-mateuense que participou da missão de resgate em Brumadinho
A irmandade em dose tripla
Os Müller e uma parte da história da música são-mateuense