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Luís Ferraz, o “Forrest Gump” são-mateuense

Doutor em Química pela Universidade Federal de Santa Maria no Rio Grande do Sul, o são-mateuense Luís Ferraz não perdeu sua humildade e simpatia, além de seu jeito pacífico de ser. Um dos seus hobbies preferidos é a fotografia, a qual sempre busca seu aprimoramento. Hoje um de seus principais passatempos é fotografar as nuvens. (Foto: Alexandre Müller/Gazeta Informativa)

São-mateuense nascido na Vila Amaral sob as mãos de uma parteira que realizou o parto da maioria de seus 5 irmãos, Luís Manoel do Rosário Ferraz, de 48 anos, é filho de Antônio Ferraz e Analdina Ferraz (in memoriam).

Criado de forma humilde por seus pais em uma casinha simples aos arredores do Centro de Tradições Gaúchas (CTG), Luís lembra, “talvez por isso tenha ido parar no Rio Grande do Sul”.

Luís ou Ferraz, como é conhecido pelos amigos, desde sua infância demonstrou ser proativo, trabalhando em várias funções para ajudar em casa, “quando você nasce em uma família não muito abastada, você tem de se virar, por isso atuei em muita coisa desde minha infância”. Ferraz já trabalhou em uma funerária, ervateira, como chapeiro fazendo lanches, oficina de bicicletas, floricultura, dentre outras atividades que não se recorda.

Uma das atividades que jamais deixou de lado foi a fotografia, a qual destaca ser um de seus maiores hobbies, “conheci a fotografia quebrando um galho para meu cunhado que trabalha na área e precisava de ajuda em um evento. Gostei e acabei ficando, me aprimorei com cursos e práticas”, relata o hoje conhecedor e crítico da fotografia.

Ferraz cursou o antigo curso de química básica no Colégio Estadual São Mateus e posteriormente o curso de Petroquímica, onde alguns anos depois foi professor e ganhou o apelido por parte dos alunos, de Forrest Gump, “pois segundo eles eu sempre tinha uma história para contar, e contamos o que vivemos”, lembra.

“Eu vivia de fotografia e estudava química, até certo momento que tive de optar entre um ou outro, quando em 1996 tive a oportunidade de ingressar na Unidade de Industrialização do Xisto (SIX)”. Dessa maneira, a fotografia ficou momentaneamente de lado e a responsabilidade assumida a partir daquele momento seria o tratamento de água industrial na unidade por mais de 10 anos.

Depois desse período, o petroquímico passou por um dos momentos cruciais de sua vida. Sua esposa, Simone Teleginski Ferraz, passou em um concurso na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul e precisou se mudar para lá, levando consigo a pequena Manoela que na época tinha apenas 1 ano, “fiquei ainda um ano em São Mateus, atuando na SIX e concluindo a graduação em União da Vitória, mas o coração falou mais alto, abri mão de tudo, pois 700 km de distância da família não é fácil”, admite.

De mala e cuia, em 2006, Ferraz embarcou rumo ao encontro de sua família, mesmo sem saber se haveria trabalho ou o que faria de sua vida, “no início sofri bastante com a ausência de conhecidos, apesar que ao longo de 12 anos fiz inúmeras amizades. Foi uma mudança radical, principalmente pelo clima, pois lá faz muito calor, contrariando aquele pensamento de que quanto mais ao sul mais frio seria”.

Quanto a adaptação, Luís relata que é muito mais difícil se adaptar ao modo gaúcho de viver do que a cidade em si. Demorou um pouquinho para entender as diferenças culturais, principalmente o bairrismo ou regionalismo deles, “gostam tanto de seu estado, de sua região que as vezes de forma até exagerada acabam repelindo as pessoas que não estão habituadas com aquilo”.

Santa Maria, no Rio Grande do Sul é uma cidade universitária, com quase 280 mil habitantes, e com poucas alternativas de trabalho naquela época, Luiz chegou à conclusão de que para poder concorrer no mercado de trabalho teria de investir em seus estudos, pois não conseguiria atuar em sua área de conhecimento profissional. Em 2008 iniciou suas atividades no mestrado e em seguida dando continuidade, concluiu seu doutorado em Química pela UFSM.

Os hobbies pela fotografia e pela marcenaria

“Continuo praticando a fotografia, hoje de uma forma mais tranquila e sempre em contato com os amigos fotógrafos de São Mateus do Sul. Mas hoje com a evolução tecnológica a fotografia em si, sofreu uma mudança radical. Nos anos 80, uma foto com um bom foco se diferenciava em meio as imagens, hoje o pior dos celulares tem excelente foco, ficando fácil fazer fotos de forma genérica”, menciona Ferraz. “Hoje a fotografia é um hobby em minha vida”.

Quanto a marcenaria, Luís comenta que todos os irmãos são pedreiros, apenas ele não teve a oportunidade de reconhecer a habilidade fosse com a construção civil ou mesmo a marcenaria. Mas em Santa Maria, teve de aprender a fazer muita coisa, “comecei a investigar a possível solução de alguns problemas de um armário planejado que adquirimos e nos foi entregue cheio de imperfeições, foi aí que iniciei minha saga às lojas de marcenaria e hoje possuo uma oficina bem avantajada de equipamentos e materiais em 55 m², além de acesso à vários vídeos de youtubers que explicam como proceder em cada tipo de trabalho”, explica o doutor que muitas vezes na garagem de casa passa horas diante peça para criação e restauração.

Segundo Luís Ferraz, um de seus maiores tesouros chama-se Manoela Erotildes Teleginski Ferraz. Com 13 anos, são-mateuense como o pai e agora moradora de Santa Maria, o fruto do amor do casal é o motivo para todo o empenho dos pais que já fixaram raízes em terras gaúchas e se orgulham da pequena que logo cedo demonstra que ainda trará muitas emoções, pois desde já se destaca em matemática e práticas esportivas, principalmente atletismo que treina no colégio militar da cidade, “ela puxou pela mãe, que sempre foi caxias”, comenta o pai coruja que também afirma preocupar-se acima de tudo com a formação cidadão de pequena, baseado na humildade e reconhecimento.

“Não importa o quanto tenhamos de lutar, mas que nunca possamos desistir, sempre focados em nós e não no sucesso ou não, dos outros”, encerra.

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