Setor de zoonoses da Vigilância em Saúde faz o mapeamento dos locais em que macacos foram encontrados em São Mateus do Sul. (Setor de zoonoses da Vigilância em Saúde)

Parece ser tão simples e parte do senso comum (que todos entendem com grande facilidade) que água parada é o principal fator responsável por dengue e febre amarela. Fazendo da eliminação de recipientes com estes depósitos líquidos uma atitude peculiar que salva muitas vidas, mas na prática não parece que a humanidade tomou consciência disso. Prova deste fato é a circulação de vírus, que mata, na região.

Outra consciência que ainda impera na resistência e propagação é a imunização, no caso da febre amarela. Existe a vacina, disponível em postos de saúde, presente no calendário dos bebês aos nove meses com reforço aos quatro anos e para adultos de forma geral em dose única, mesmo tendo sido imunizado quando criança. A infecção leva em torno de 15% para agravamento e, destes, até a metade pode morrer.

Toda conversa com setor de epidemiologia, às reportagens, tem o alerta de que os bichinhos nada devem. Os primatas, muitos bugios na região, sofrem. Quase cem animais, em menos de um ano detectados e examinados, e terço deles apresentando o contágio em São Mateus do Sul. Sem qualquer possibilidade ou comprovação científica de que este vírus é transmitido para um ser humano, a partir do macaco.

Análise e casos

Ao todo são, de julho de 2019 até a metade do mês de abril, 99 casos notificados de macacos mortos no município, com 33 apresentando exames positivos. Anta Ruiva, Colônia Cachoeira, Espigãozinho, Tesoura, Pimenteira, Retiro, Lageado, Arroio da Cruz, Faxinal dos Elias, Fluviópolis, Vargem Grande, Colônia Eufrosina, Cambará, Terra Vermelha, Divisa e Fartura do Potinga tiveram casos confirmados em laboratório.

A médica veterinária Rachel Azambuja Langaro, responsável pelo setor de zoonoses da Vigilância em Saúde, alerta que a febre amarela mata, mas tem vacina para combater. É uma doença infecciosa grave, apesar de não contagiosa e é transmitida por vetores: no caso o Aedes aegypti, Haemagogus janthinomys e Sabethes sp. Estes três mosquitos levam o vírus de uma pessoa para outra.

Tanto primatas quanto os humanos são vítimas da febre amarela. Ambos são suscetíveis à infecção, mas não transmitem entre si e nem ao outro. Somente a picada do mosquito, qualquer um dos três, mas em especial o Aedes e o Haemagogus infectam igualmente ambos. Não há registro de transmissão de um ser humano para outro, nem de macaco para macaco ou para as pessoas.

Setores de saúde pública, em diversos locais do Brasil, atribuem a redução drástica do número de primatas ao fato de haver muito preconceito com eles. Contudo, os macacos são vítimas tanto quanto os seres humanos, no caso da febre amarela. Mais que isso, apontam onde existe o vírus circulando. Um animal morto pode ser o indício da circulação viral, somente comprovada em laboratório após teste nele.

Na sexta-feira passada, um macaco foi capturado dentro da cidade de São Mateus do Sul, vindo a morrer em seguida quando houve tentativa de recuperação. “Fizemos a captura de um macaco vivo, no loteamento Santa Cruz. Esse animal foi encaminhado para uma clínica em Curitiba. No final da tarde foi a óbito. Foi coletado amostra para exames”, cita a médica veterinária.

A dica de proteção não é contra o macaco e sim frente aos transmissores. “O mosquito da dengue também pode transmitir a febre amarela. Como temos casos de epizootias [animais mortos]muito próximas, até mesmo dentro da área urbana, pedimos que todos cuidem dos seus quintais e eliminem os possíveis depósitos de água parada que possam se tornar focos do mosquito”, alerta Rachel Azambuja Langaro.

Sintomas e vacina

Os sintomas iniciais, conforme a Vigilância em Saúde, são: febre súbita, dores de cabeça – nas costa e corpo, calafrios, náuseas, vômito e fraqueza. Dados estatísticos apontam que em torno de 15% dos infectados desenvolvem a forma grave com febre alta, coloração amarelada da pele e do branco dos olhos (icterícia), hemorragia (gastrointestinal), choque e insuficiência de múltiplos órgãos.

Estudos mostram que de 20 até 50% destes pacientes, da forma grave, não resistem e morrem. “A vacina é muito importante e todos devem ter na carteirinha o registro de pelo menos uma dose aplicada após os cinco anos de idade. Quem não tiver é só se dirigir a um posto de saúde com a carteirinha em mãos”, informa a responsável pelo setor de zoonoses em São Mateus do Sul.

A vacina é o meio mais eficiente de combate, pois imuniza os seres humanos, o que, infelizmente, não ocorre com macacos e os torna frágeis à picada dos mosquitos e, consequente, morte. A primeira dose, nos bebês, ocorre aos nove meses – com reforço aos quatro anos de idade. A partir dos cinco anos o esquema vacinal prevê dose única para todos, independe da idade e mesmo tem recebido a inicial.

Quando há situação de surto ou morte de macacos contaminados (caso de São Mateus do Sul) – mostrando a circulação viral – gestantes não vacinadas podem ser imunizadas, mas com prescrição médica. Quem amamenta, menores de seis meses, e não recebeu a dose da vacina, também, pode ser vacinado. Para tanto suspendendo a amamentação por dez dias e retornando após este período.

Essa mesma regra vale para cidadãos com mais de 60 anos, sem doenças crônicas ou graves, mediante avaliação prévia dos serviços de saúde. Toda e qualquer dúvida pode ser esclarecida nas unidades de saúde, portando o documento: carteira de vacinação. Evitando, em tempos de Covid-19, aglomerações. Grupos de risco e idosos devem ter atenção redobrada e evitar estar na rua ou circular neste período.

Sidnei Muran

Sidnei Muran

Jornalista (MTB 7597 DRT/PR), formado pelo Centro Universitário de União da Vitória (Uniuv), pós-graduado em História e Cultura pela Unespar – campus de União da Vitória e Licenciado em História pela Unespar – campus de União da Vitória.
Sidnei Muran

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