Prismas

Mais um pouco sobre a nova revolução industrial…

(Imagem Ilustrativa)

Há algumas semanas publiquei um texto que falava de uma nova revolução em andamento. Vou insistir no tema. O mundo muda seus paradigmas graças a alguns visionários, capazes de nos deixar perplexos mostrando fatos que estão ali, bem na nossa frente, e não percebemos ou fazemos de conta não perceber. O mesmo pode acontecer com organizações.

Em julho de 2016, um empresário chamado Udo Gollub fez um discurso que foi reproduzido em muitos sites de empresas e organizações voltadas ao desenvolvimento de tecnologia. Neste discurso, ele fazia diversas previsões sobre o futuro das organizações, das profissões. Como já se passaram dezenove meses desde então, podemos avaliar se ele tinha e continua tendo razão em seus pensamentos.

Em seu alerta, ele lembrava o caso da Kodak que baseava seu negócio na venda de filmes e papel fotográfico e abriu falência em 2011, perdendo espaço para as máquinas digitais que já haviam sido inventadas em 1975. Sim, a tecnologia que dominará os mercados e impactará, de um modo ou de outro, nossas vidas já existe, só está esperando o momento certo para desbancar aqueles que insistem em ignorá-la.

Udo citava como exemplos de vanguarda a UBER que se tornou a maior frota de táxis do mundo sem ser proprietária de um único veículo, ou da AIRBNB que já dominava o mercado hoteleiro sem ter construído um único quarto de hotel. Dizia que o software destruiria a maioria das atividades tradicionais nos próximos anos.

Quando falava de inteligência artificial, por exemplo, recomendava que jovens estudando Direito, parassem imediatamente, pois nos EUA softwares, em questões básicas, permitiam aconselhamentos com 90% de exatidão. Já o êxito de humanos beirava os 70%.

Assim, me permito imaginar um programa de computador desenhado para atuar como juiz, analisando toda a legislação e jurisprudência disponível e, após receber inputs com informações sobre o caso, em segundos, emitir uma sentença, lógica, racional e livre de qualquer vício ou vaidade, com um custo muito menor. Quem sabe dispensando os intermináveis níveis de recurso aos tribunais superiores. É claro que sobraria espaço para humanos especialistas em Direito, afinal ainda é preciso que alguém crie a rotina para que a máquina execute ou faça a entrada dos dados. Mas seriam poucos os privilegiados.

Gollub também fazia menção aos carros autônomos, que praticamente não se envolveriam em acidentes. Nesse sentido a UBER dá um novo passo, fazendo caminhões autoguiados circularem por ruas e estradas americanas e agora querem dispensar também os motoristas de seus carros. Imaginem o que aconteceria com as seguradoras de automóveis neste novo cenário. Sem colisões, sem mortes, como venderiam seguros? Eu sempre me perguntava porque as seguradoras não investiam em rastreamento, na segurança dos veículos contra furtos e a resposta era evidente: se não houvessem roubos, não se venderia seguro contra roubos, portanto aceitável que alguns ladrões de automóveis estivessem soltos por aí, perpetuando o sistema. As seguradoras precisarão se reinventar.

Desta foram, a velocidade da implantação das inovações descritas por Udo e outras mais, dependerá da capacidade de resistência e do poder econômico das grandes corporações. Porém, um dia elas terão que se dobrar a força da criatividade, da inovação tecnológica.

O texto já está ficando muito longo. Numa próxima oportunidade volto a abordar o tema. Isto é, se até lá a Gazeta Informativa já não tiver baixado um aplicativo capaz de redigir com maior qualidade a coluna que me empresta.

Adnelson Borges de Campos
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