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Manifestação sobre “Ideologia de Gênero” causa divergências de opiniões e apoios em São Mateus do Sul

Caravana de jovens organizada pelo Instituo Plínio Corrêa de Oliveira (IPCO), trouxe para as ruas de São Mateus do Sul na sexta-feira (26/01) a venda do livro sobre a “Ideologia de Gênero”. (Fotos: Thaís Siqueira e Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

Na manhã de sexta-feira (26/01), uma mobilização em São Mateus do Sul gerou grande repercussão entre os moradores do município, onde uma caravana de 52 jovens organizado pelo Instituto Plínio Corrêa de Oliveira (IPCO) vendia exemplares do livro “Ideologia de Gênero: saiba como defender sua família dessa nova ameaça”, e através de apresentações de bandas, instigava os são-mateuenses sobre o assunto.

O IPCO é uma associação de direito privado, de pessoa jurídica de fins não econômicos, nos termos do novo Código Civil. De inspiração católica, sua sede principal fica em São Paulo capital, e o grupo é responsável por disseminar campanhas que retratam diversos tipos de assuntos da atualidade.

Sendo uma caravana exclusivamente de jovens do sexo masculino, a mobilização está passando por diversos estados do Brasil. “Aproveitamos as férias para realizar esta campanha por conta da disponibilidade dos jovens”, explica Paulo Henrique Américo, um dos representantes do IPCO. Com intuito de instigar a população brasileira sobre o estudo de “Ideologia de Gênero”, a campanha de venda do livro mantém a estadia, combustível e alimentação dos voluntários.

“Realizamos as campanhas de divulgação do livro focados diretamente ao público da rua, por isso trazemos conosco muitos símbolos, bandeiras e apresentações musicais de nossa fanfarra”, enfatiza Paulo, que explica que o livro foi escrito pelo Padre Davi Francisquini em defesa da família contra a “Ideologia de Gênero”. “Este tema está sendo colocado nas escolas como uma ‘imposição’, nós realizamos está divulgação do livro justamente para demonstrar às pessoas argumentos de especialistas que apresentam que a ideologia de gênero não tem base científica, é simplesmente uma ideologia”, diz.

O livro trouxe apoios e divergências de opiniões.

De acordo com os organizadores do IPCO, muitos moradores do município adquiriram o livro. Como este é um assunto que divide opiniões, a Gazeta Informativa pôde acompanhar muitos comentários contrários à ação, que mostraram seu ponto de vista sobre o tema.

Concordando falar sobre isso, o historiador e professor de sociologia Mário Sergio Deina, conta que desde jovem liderava grupos de jovens na igreja católica e teve curiosidade em entender melhor a sociedade em que vivemos, como ela se construiu, se organiza e funciona.

Trabalhando diretamente com temas direcionados à educação de jovens, o professor defende a Constituição Federal de 1988 que estabelece em seu artigo 5° “que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”. “Entende-se que esse artigo elimina qualquer possibilidade de exclusão de grupos sociais de qualquer natureza, salvo os casos de flagrante e desrespeito às leis nacionais. Por isso é importante o debate sobre a questão de gênero no sistema de ensino brasileiro”, afirma.

O professor destaca que quando se fala em gênero, pensa-se imediatamente em homossexuais, bissesexuais, transexuais, etc., mas no entanto, gênero diz respeito a muito mais que isso. Mulheres por exemplo ao serem discriminadas em qualquer sentido, estão sofrendo preconceito de gênero; mesmo homens podem ser vítimas dessa mesma intolerância. “Ou seja, não há uma clareza por parte da sociedade em geral a respeito do que seja a questão de ‘Gênero’. Por isso a importância de sua inclusão nos currículos escolares, para que no futuro as pessoas não sejam tão desinformadas e preconceituosas”, realça.

Mário não apoiou a manifestação pois não concorda com a “pregação” que a organização estava fazendo. “Também não aprovei por se tratar de um grupo que fala em catolicismo, embora vejamos na atualidade até o líder máximo da Igreja Católica, Papa Francisco, personalidade respeitada pelo mundo todo defendendo a tolerância às pessoas com orientação sexual diferenciada. A organização realmente tem raízes no interior da Igreja Católica, mas de uma parte extremamente conservadora da Igreja, que ao meu ver é uma parte minoritária”, diz.

Como professor, Deina sempre busca apresentar dentro das diretrizes escolares a questão de gênero em sala de aula, orientando os alunos para os riscos de se incorrer em crime ao discriminar certos comportamentos ou opções de vida do próximo. “Mais do que chamar a atenção para a possibilidade de infringência à lei, procuro conscientizá-los de que vivemos numa sociedade plural, onde não há mais espaço para divisões”, ressalta.

“Meu recado é que os estudos de gênero no âmbito do sistema de ensino precisam avançar; nossas crianças e adolescentes precisam ser conscientizados da necessidade de respeito à diversidade de pensamento. Completo reafirmando minha condição de cristão católico e respeitando todas as demais denominações cristãs, porém pedindo que todos reflitam com mais racionalidade a respeito dessas importantes questões que permeiam a sociedade contemporânea”, encerra.

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