Imagem central do altar, onde se representa Cristo ressuscitado. (Fotos: Alexandre Douvan/Gazeta Informativa)

Todo são-mateuense, morador das cidades vizinhas ou quem apenas já passou por aqui certamente já se deparou com a igreja matriz São Mateus. A construção se tornou um dos cartões-postais do município, que atrai olhares de quem passa pelo tamanho de sua cúpula. Não é raro flagrar pessoas posando para fotos na frente da igreja, ou então a fotografar a própria igreja.

Com paredes que chegam a 25 metros de altura e espaço para mais de 600 pessoas sentadas, o estilo neogótico europeu conta com outra coisa que chama a atenção e não pode ser vista pelo lado de fora: as pinturas e os vitrais que contribuem para a estética ímpar da igreja.

As pinturas foram feitas por um polonês que vivia na Patagônia (Argentina) chamado Marian Latochinski. Infelizmente com o passar do tempo muitos registros se perdem e a memória também vai enfraquecendo. Pouca coisa se sabe sobre o pintor e o que o trouxe até São Mateus do Sul para realizar o empreendimento sacro-artístico. O que realmente se sabe é que as pinturas ocorreram entre 1973 e 1974.

Em conversa com o padre Silvano Surmacz, este informou que quando ainda estava na Matriz São Mateus, a igreja recebeu a visita de Pedro Latochinski, filho do pintor Marian. “Lá na Paróquia tem um registro do meu tempo, no Livro Tombo, por ocasião da visita de Pedro Latochinski e sua família que passaram para ver a Igreja Matriz”, conta Silvano.

O pintor faleceu em 1980, era sobrevivente das perseguições russas, mas nada mais foi encontrado dos registros de seu tempo como pintor da Matriz São Mateus. Por conta da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, de 2018, a reportagem não pode ter acesso ao Livro Tombo para pesquisar sobre o período de realização das pinturas ou sobre a visita de Pedro.

O que dizem as pinturas

O período de construção da igreja foi do ano de 1954 até sua inauguração, em 08 de dezembro de 1964. Como as pinturas foram feitas entre 1972 e 1973, significa que nos primeiros nove anos de existência da igreja as três paredes centrais ainda não contavam com as grandes imagens que as ilustram.

Antes de tratar diretamente das pinturas, cabe comentário sobre os dois vitrais que ficam ao lado do altar. No vitral da esquerda – olhando da porta para o altar – é representada Nossa Senhora da Assunção, que é co-padroeira da paróquia e do município. Já no vitral da direita é retratado São Mateus, apóstolo e evangelista. Eles foram fabricados em Curitiba e trazidos um a um para a instalação na igreja.

Já das pinturas feitas por Latochinski, a central é sem dúvida a que mais chama atenção e não apenas por ser a maior, mas pela quantidade de detalhes que possui. Nela há a representação de Jesus Cristo ressuscitado. Simboliza o Sagrado Coração de Jesus. É o Cristo em glória, rodeado de anjos e também o julgamento final.

Na pintura da esquerda, em tons de azul e branco é representada a Assunção de Nossa Senhora e na da direita, assim como nos vitrais, está São Mateus, apóstolo e evangelista. Na pintura que fica acima das outras três, quase no teto da igreja, está representado o Espírito Santo, que indica a igreja ser conduzida por ele.

Os simbolismos da igreja

Os olhares apressados podem não se dar conta de muitos detalhes e dos motivos que levaram à escolha dos elementos que compõe a igreja. O que se pode dizer é que nada é por acaso. Logo ao entrar na igreja se percebem seis colunas de cada lado. Além da função de sustentar o teto da construção, elas representam os 12 apóstolos.

Os vitrais com imagens de Nossa Senhora da Assunção e São Mateus.

Na entrada pela porta da escadaria frontal percebe-se um lustre de madeira escura com oito velas. Além da primordial função de iluminar, ele representa o oitavo dia da criação, o domingo da Páscoa, da ressurreição. O que também tem oito lados é a Pia Batismal, que fica próxima ao altar, e lembra o primeiro dia da Nova Criação.

As imagens na parede, feitas em madeira, representam a Via Sacra – o trajeto que foi percorrido por Jesus carregando a cruz desde Pretório até ao Calvário onde faleceu.

Centenária imagem de Nossa Senhora das Graças

Mesmo aqueles que frequentam a igreja podem não saber é que a imagem de Nossa Senhora das Graças, que fica à esquerda do altar, tem aproximadamente 121 anos. A estátua ficava no altar central da antiga igreja de madeira, que foi desmontada em 1969. A informação mais precisa é que a imagem esteja em São Mateus desde pelo menos 1900.

A centenária imagem de Nossa Senhora das Graças.

Já a outra estátua, que fica próxima ao local onde os cantores da celebração se atuam, ainda não tem tantos anos de existência e simboliza o Sagrado Coração de Jesus.

É possível que muitos dados interessantes sobre as pinturas e demais obras de arte sacra que se encontram na igreja estejam contidos nos Livros Tombo da igreja ou na memória das pessoas que acompanharam a execução da obra. A produção desta matéria sobre a história da Matriz São Mateus foi possível graças às informações precisas passadas pelo Padre Silvano Surmacz e por um vídeo com detalhes sobre a igreja, prontamente enviado pelo senhor Edmundo Gelinski.

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