Jornal de São Mateus do Sul (PR) e região

Marido faz parto de sua mulher dentro do carro a caminho do hospital

A benção divina, presenciada por uma família que reside no interior de São Mateus do Sul. (Foto: Alexandre Müller/Gazeta Informativa e Acervo Pessoal)

Dando sequência na série de reportagens sobre as mães são-mateuenses especiais, a Gazeta Informativa conheceu a belíssima e emocionante história da recém-nascida Anna Valentina, seus pais Ângela Tatielli Wenglarek Borges, 37 anos e Edivaldo Cunico de Andrade, 43 anos e seus dois irmãos, Isabella Cristina Borges Cunico de Andrade, 19 anos e Eduardo Henrique Borges de Andrade, 15 anos, moradores da comunidade de Lajeado em São Mateus do Sul.

Casados há 20 anos e apaixonados pela família, o casal que soma experiências profissionais, ela enquanto professora e diretora escolar e ele, policial militar, não planejavam, por enquanto, a vinda de um terceiro filho e, é aí que a história começa!

Em meados do mês de junho de 2016, Ângela procurou o médico, a fim de solucionar dores abdominais intensas que vinha tendo e o mesmo lhe encaminhou para fazer uma série de exames com o intuito de um check-up geral, o qual realizava anualmente no período de suas férias escolares. Já no laboratório, onde possui uma amiga que prontamente lhe atendeu e a mesma brincou: “Para que seja um check-up completo, restam os exames de tipo sanguíneo e o betha (exame de gravidez), Ângela sem nortear-se que o referido exame teria os devidos fins, pediu para que também fossem realizados. No mesmo dia, ao ir buscar os exames, sua amiga a alertou para que tomasse cuidado com os medicamentos que passaria a tomar para não prejudicar sua gravidez. Ângela espantada com aquela afirmação, questionou que não haveria a menor possibilidade de estar grávida e solicitou a realização de um novo teste, o qual ficou pronto no dia seguinte e confirmou a gravidez da pequena Anna Valentina.

A surpresa e a emoção tomaram conta da vida daquela família, mas a genitora ainda continuará a sentir muitas dores e que a levaram a procurar um especialista, o qual lhe alertou acerca da possibilidade de as dores serem em decorrência de um possível aborto, tendo em vista que estava grávida ou uma gravidez de trompas, o que seria uma resposta às dores intensas. A única forma de descobrir seria realizando uma ultrassonografia, a qual de acordo com Ângela foi muito difícil de agendar, mesmo sendo particular. Ao realizar a ultrassonografia, constatou-se o quanto frágil estava seu útero e a norteou o quão complexa seria sua gestação.

A partir deste momento, dando início ao pré-natal, conforme Ângela sua maior provação foi “ficar quieta”, tendo em vista sua personalidade dinâmica e ativa, devido receber ordens médicas para afastar-se das atividades escolares num período de três meses. “Minha rotina baseava-se em ir a consultas médicas às segundas, quartas e sextas-feiras”, relata Ângela. “Logo no início, os médicos da nossa cidade me alertaram se eu possuia plano de saúde, pois São Mateus do Sul apresenta apenas estrutura para partos normais, em casos complexos como o meu, tem de ir pra fora. Eu podia segurar a gravidez até o final ou pudia precisar de uma UTI Neonatal”, diz Ângela, que relatou que essas palavras a desnortearam. “Fiquei muito preocupada em ouvir isso!”, completa. Mas mesmo assim foi atrás de profissionais para fazer seu acompanhamento em União da Vitória.

Chegando na cidade vizinha, ela conheceu o médico, Ari Carneiro Júnior e logo de início o relatou: “Doutor, minha gravidez é de alto risco e pode ser que eu precise de uma UTI neonatal! Por isso preciso fazer o acompanhamento gestacional por aqui”, emocionada Ângela relata que com muita passividade e profissionalismo o médico olhou pra ela e disse: “Para! Calma! Quais exames você já tem? Estou vendo que no seu exame você está grávida. Pronto! Alto risco ou não, é comigo o problema, você não tem de pensar nisso e sim, somente que está grávida e, que a gravidez precisa de cuidado, independente se é de risco ou não”, e ainda concluiu: “Sou médico há mais de 40 anos e já fiz mais de 12 mil partos – nunca perdi nenhuma criança e não vai ser essa que vamos perder – se ele permitir – (olhando para uma imagem de jesus na cruz).” “Essas palavras me acalmaram e depois disso foi tudo mais tranquilo”, comenta Ângela.

A genitora fez o acompanhamento em São Mateus do Sul e também em União da Vitória, cerca de 30 consultas periódicas em ambos os municípios, além de muitas ultrassonografias e dezenas de exames. “Meu esposo sempre esteve presente comigo, em todos os momentos”, fala a mamãe. Após os três meses de licença obrigatória, a professora retornou às suas atividades na direção escolar da escola da comunidade, porém com inúmeras restrições médicas e com um acompanhamento alimentar crucial. “Todas estas restrições me fizeram perder 12 quilos. Tive de adaptar meu cotidiano”, afirma Ângela que também relata que neste momento seus médicos a questionaram se ela preferia realizar cesariana ou parto normal. E por mais incrível que pareça, a genitora não relevou todas as angústias e afirmou que: “Eu insisto em fazer o parto normal, meus outros dois filhos já nasceram de parto normal e nunca tive problemas”, declara. “Na minha 15ª semana de gestação, questionei o doutor Ari se daria tempo de chegar em União da Vitória, quando estourasse a bolsa e ele afirmou que um parto pode levar até um dia para a criança nascer. Fiquei tranquila,” conta Ângela.

O grande dia, foi marcado com a mãe, indo logo pela manhã trabalhar e mesmo sentindo sua barriga “baixar” continuou trabalhando até o final da manhã, quando retornou para casa e alarmou Edivaldo, que segundo ela estava bem tranquilo. “Amor, vamos para União da Vitória! Já!”. Edivaldo, por sua vez surpreendido, questionou se a bolsa havia estourado, o que não tinha acontecido de acordo com Ângela. E lá foram os papais, rumo a União da Vitória, seguindo o trajeto pela cidade de Ireneópolis. Após 35 minutos, que sairam de São Mateus do Sul, já entre a divisa entre os municípios de Canoinhas e Ireneópolis, Ângela teve sua primeira contração e cinco minutos depois mais uma. “Era uma vontade imensa de fazer força. Olhei para o meu marido e perguntei: ‘Amor você já fez um parto em sua vida?”. Ele respondeu: “Não seja loca!”. “Cinco minutos depois gritei dentro do carro: “Para este carro agora!” Seguindo as ordens da esposa, Edivaldo parou o carro e questionou sua esposa sobre o que estava acontecendo e ela afirmou que a bolsa havia estourado e que a Anninha estava pronta para nascer, naquele momento. O genitor, com suas dúvidas pediu para que a esposa senta-se direito e abrisse as pernas que ele iria conferir e foi neste momento que Edivaldo disse: “Amor! Faz força que a Anninha está vindo!”.

“Fiz força e poucos instantes depois, nosso anjinho estava nas mãos dele!”, relata Ângela que ainda complementa: “Ele fez massagem nela e a limpou, até chorar. Daí ele a colocou em meu colo e saiu em busca de socorro e mais uma vez a benção divina intercedeu por nós, pois próximo do local onde paramos havia uma casa e que a dona prestou sua solidariedade a nós e emprestou seu telefone para que conectássemos a Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), que cerca de uns 20 minutos depois chegou. Antes disso, uma enfermeira de um postinho que localizava-se a cerca de 4 km dali, nos auxiliou para cortar o cordão umbilical, deu assistência emergencial e de pronto atendimento, tendo em vista a precariedade do local. Meu parto durou cerca de 15 minutos, tive apenas quatro contrações fortes e a Anninha nasceu”, conta emocionada. Logo após o nascimento, seguido pelo atendimento e encaminhamento do SAMU, a família deslocouse para Porto União, para dar continuidade aos procedimentos pós parto. “Com a graça de Deus tudo ocorreu bem”, diz Ângela.

Questionada sobre como se sente, a mamãe afirma: “Realizada! Você para a fim de analisar que tem um ser humano dentro de você e no primeiro momento o médico lhe diz que ‘vamos tentar segurar seu filho’ e no decorrer com a graça de Deus tudo dá certo. Devemos colocar tudo nas mãos de Deus. Ele faz tudo que é necessário para a nossa vida. Tudo no momento certo!”. Hoje a pequena Anna Valentina, que completou 2 meses de vida, no dia 17 de maio, goza de plena saúde e encanto. Sendo o motivo de perseverança e paz na família.

Alexandre Müller

Alexandre Müller

Repórter | E-mail para contato: alexandre@gazetainformativa.com.br
Alexandre Müller
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