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Mas afinal, o que é crise?

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Quando encontramos nossos amigos para colocarmos a conversa em dia, assunto é o que não falta. Mas atualmente um tema bem especifico tem tomado não só as rodas de conversa, como todos os lugares a nossa volta. A crise. Então resolvi abordar esse assunto que a cada dia se torna importante para as pessoas e para as empresas que são diretamente afetadas por ela.

A crise econômica se caracteriza pelas mudanças bruscas nos cenários que comprometem o desenvolvimento, ao apresentarem indicadores negativos, perspectiva de crescimento abaixo do esperado, contração de atividades, alto nível de desemprego, e por aí vai.

Mas como entramos em crise? Bom, em nosso país observa-se uma economia que se desenvolve através da produção e do consumo de bens e serviços, ou seja, além de produzir, é preciso consumir para a economia permanecer em movimento. Tivemos a oportunidade de constatar esse efeito na entrada do segundo semestre de 2008, quando ocorreu uma crise dessa ordem a nível global. Na ocasião, nosso país viu no seu modelo econômico a oportunidade de superar aquele momento de turbulência. Para tanto, foi incentivado o consumo. Assim a economia interna permaneceria em crescimento. Foi por isso que na época tivemos redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), facilidade de acesso ao crédito, menores taxas de juros, aumento de ofertas de trabalho, enfim, várias medidas que facilitassem o consumo. E realmente, além de passarmos pela turbulência, obtivemos um considerado crescimento econômico no período.

Porém, como Sir Isaac Newton nos ensinou, para toda ação existe uma reação. Então, o mesmo cenário deu origem a uma bolha, que estava se inflando, e mais cedo ou mais tarde viria a estourar.

Nesse mesmo modelo econômico, o consumo atua como acelerador de inflação, que é o aumento do nível dos preços de tudo o que se consome, fazendo com que o dinheiro perca seu valor. Agora imagine toda uma população e uma economia que depende disso, tendo seu poder de consumo reduzido mediante o disparo dos preços causados pela inflação, que o próprio consumo proporcionou. Pronto, temos uma crise.

E qual a maneira de controlar ou reduzir a inflação? Se você respondeu, reduzir o consumo, acertou. Só que para consumir menos, é preciso produzir menos, assim a taxa de crescimento das industrias e demais empresas começam a cair, aumenta o desemprego, o acesso ao crédito fica restrito, as taxas de juros aumentam, enfim, ocorre toda a recessão que estamos enfrentando no momento.

O forte consumo dispara a inflação a ponto de ficamos muito distante do ponto de equilíbrio, pois acabamos tendo elevação nos preços, e como o consumo precisa cair, o mercado acaba tendo prejuízo, que por sua vez e o responsável pelo fechamento e falência de várias empresas.

E em paralelo, quando o sistema financeiro disponibiliza crédito para alguém, ele o concede mediante uma promessa de recebimento futuro. Agora, nem todo o crédito que foi disponibilizado para o consumo retornou para o sistema financeiro. Logo, o credito disponível para circulação é menor, por isso acaba saindo caro toma-lo emprestado. Portanto, a escassez do crédito contribui fortemente para um menor poder de consumo. Isso sem contar o fato de muitas pessoas e empresas terem aumentado seu endividamento pela facilidade de ter o crédito, porém por terem utilizado sem muita consciência.

O consumo envolve uma enorme ramificação econômica. Muitos partem do extrativismo, passando pela industrialização, logística, distribuição, até parar nas suas mãos, ou na sua casa, ou na sua empresa. E quando ele é colocado em xeque, acaba comprometendo toda essa estrutura. Por isso todos sentem com alguma proporção os efeitos da crise.

Nosso país é campeão na agricultura, temos um grande potencial econômico, porém não desfrutamos de todo esse potencial. Plantamos, cultivamos e colhemos os diversos produtos que são comercialmente chamados de commodities, que são vendidos e exportados “in natura” por preços baixíssimos para o mundo a fora. Depois compramos e importamos o mesmo produto que já era nosso, só que de maneira processada, industrializada e com a agregação de valor, e pagamos mais caro por eles.

Isso faz com que nossa economia fique muito vulnerável, pois acabamos impondo limitações no próprio crescimento. E quando crescemos além do nosso limite, por não termos estrutura para suportar, a queda econômica é inevitável.

E como nosso modelo econômico é fortemente amparado pelo consumo, podemos afirmar que a maior parte de toda a arrecadação tributária provém dessa atividade. E você deve estar se perguntando, se o consumo está menor, então a arrecadação também diminuiu, certo? Sim, é isso mesmo, e a solução para não comprometer a arrecadação é nada mais nada menos do que um belo ajuste fiscal. Portanto, esse cenário inclinado à negativa, embora lamentável, se faz necessário para um ajuste, que ao encontrar o ponto de equilíbrio entre a oferta e demanda, resultará na estabilidade econômica.

A economia de qualquer país é fortemente influenciada politicamente, entretanto não podemos ter um equívoco no entendimento da política, não há tempo nem espaço para isso. Ela é necessária para uma boa economia. Os problemas que observamos não estão na política, estão nas pessoas que fazem mal uso e mal emprego dela.

Amigo leitor, esse não é o primeiro problema econômico enfrentado, e certamente não será o último. Temos muito a aprender com esse cenário, e como não existe uma economia que só cai, em breve teremos um novo crescimento com novas oportunidades, e aprendendo com a crise, quem sabe não conquistamos a tão sonhada resiliência.

Nos encontramos na próxima edição! Bons Negócios.

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