(Acervo Casa da Memória)

Era o dia 12 de abril de 1945, os soldados da Força Expedicionária Brasileira estavam em Maserno, nas montanhas da Itália. O cenário fazia parte do contexto da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). As notícias demoravam a chegar e a oportunidade de enviar ou receber uma carta/telegrama era esperada com muita ansiedade. Um pouco antes do meio dia, as últimas palavras de um sargento brasileiro para o correspondente de guerra, foram sobre sua filha de 10 anos que ficara no Brasil. As cartas eram muito importantes pois permitiam que os combatentes tivessem contato com as pessoas que amavam e saíssem por um instante daquele contexto rude. Logo depois disso uma fotografia foi tirada.

Na imagem um grupo de soldados e seu comandante, o Sargento Max Wolf Filho (1911-1945). Nasceu na cidade de Rio Negro e morou alguns anos em São Mateus do Sul. Era filho de Max Wolff e de Etelvina Pacheco. Todos os homens da fotografia são soldados, fardados e armados. Subjetivamente a farda está ligada a atividade de risco, ao perigo eminente. A posição do Sargento Max Wolff Filho em pé, em primeiro plano com as mãos na cintura, remete a quem está naquele local em estado de alerta. O militar é o “militas estatarius”, expressão que veio dos romanos e significa aquele que vigia de pé, sempre atento. Ainda em relação à estarem fardados; para o soldado, a farda não é uma veste que se despe com facilidade ou com indiferença. Ela é como uma segunda pele que adere à própria alma, ás vezes para sempre. No uso da farda está contido o sentimento do dever.

A foto foi tirada uma hora antes do Sargento Max Wolff filho morrer em combate em uma missão de reconhecimento. Dois dias depois acontece a “Tomada” de Monte Castello (Importante conquista para a História Militar Brasileira). Nesse sentido, pensando no ato fotográfico em si, no momento exato do congelamento da imagem, podemos fazer uma reflexão sobre a ideia de representação de um determinando tempo e espaço, encontrando num passado remoto, o mesmo desejo, representado na fotografia, da importância de se preservar a memória coletiva e da visão dos agentes históricos como pessoas de carne e osso, reais.

Segundo a bibliografia* consultada, o Tenente Max Wolf Filho (foi promovido a Segundo Tenente após sua morte) é considerado Herói de Guerra do Brasil para o Exército Brasileiro. Por seus feitos em missões arriscadas, nas ações voluntárias de salvamento e pela amizade incondicional aos seus comandados. Comovente é o relato das suas últimas horas de vida e do desespero dos seus homens para resgatarem o seu corpo. Em São Mateus do Sul existem dois monumentos em homenagem aos homens são-mateuenses que fizeram parte da Força Expedicionária Brasileira. Para o historiador, essa é uma missão nem sempre possível, a de tirar do esquecimento tantos outros heróis anônimos do passado. E hoje? Quem são os heróis?


*Memória, museu e história: centenário de Max Wolff Filho e o Museu do Expedicionário/ Organizado por Dennison de Oliveira, colaboradores Claudio Skora Rosty, Centro de Estudos e Pesquisas de História Militar do Exército-Rio de Janeiro: 2012.

*DEQUECH, José. Nós estivemos lá. Curitiba, Legião Paranaense do Expedicionário, 1985.

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