Profissões

Medicina Anestesiologista: o cotidiano de quem trabalha diretamente na área

A médica anestesista Leila Aparecida Mendes é graduada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e trabalha em São Mateus do Sul há 4 anos no Hospital e Maternidade Doutor Paulo Fortes e também é uma das proprietárias da Clínica Mais Saúde. (Foto: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

Todos nós em algum momento da vida sonhamos com a tão desejada e sonhada carreira profissional, e não temos a noção do quanto essa dúvida de escolha estará sempre em nossa vida, seja direta ou indiretamente.

Mesmo com o decorrer das graduações que iremos realizar com o passar dos anos, essa perspectiva de dúvida no trabalho aparecerá também para nossos filhos e netos, que levarão e buscarão a realização em um emprego que possibilite e concilie uma qualidade profissional e pessoal.

Pensando nestes quesitos, e querendo facilitar estes processos que geram grandes dúvidas, a Gazeta Informativa em parceria com grandes profissionais são-mateuenses buscará neste novo espaço de reportagem retratar sobre as inúmeras profissões que existem, e trazer depoimentos dos profissionais que atuam diretamente na especialidade de sua área. Acompanhe a história de nossa primeira entrevistada!

Como funciona a Medicina Anestesiologista

Há tempos que a medicina está no topo das graduações mais concorridas nos vestibulares nacionais, e como o desafio de passar em uma faculdade pública pela economia financeira está entre os propósitos dos jovens calouros, a convivência e a rotina com a área de saúde é um ótimo pontapé inicial para quem deseja atuar na área.

Graduada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), formada há 16 anos e há 8 trabalhando como anestesista, a médica Leila Aparecida Mendes é natural de Marilândia do Sul, cidade que fica no norte do Paraná, onde lá viveu uma realidade humilde que a fez dedicar-se nos estudos em busca de uma melhor qualidade de vida.

Instigada sobre como decidiu prestar vestibular para medicina, Leila conta que sempre estudou muito, e tinha o desejo de fazer alguma faculdade concorrida, mais como desafio pessoal do que algo que levava consigo como sonho. “Acredito que poucas pessoas com 17 e 18 anos tem a noção de como é a vida de um médico”, diz.

Sobre sua rotina e o primeiro contato com a grade de estudos na faculdade, a médica lembra que o primeiro e segundo ano da graduação foram dedicados apenas para matérias essenciais de conhecimento do corpo humano porém, sem contato direto com pacientes nos hospitais. “Para mim tudo era muito novo e maravilhoso. No começo a grade de estudos é parecida com o pessoal das outras áreas de saúde, com temas como bioquímica, anatomia e fisiologia. Só a partir do terceiro ano que passamos a ter o contato na área médica e com os pacientes, estudando maneiras de abordá-los em conversas e diagnósticos”, conta.

Um dos temas bastante pautados em medicina é a anatomia e o estudo do corpo humano em cadáveres, e Leila recorda que estes momentos eram bastante referenciados em sala de aula. “Sempre nos prepararam para ter muito respeito por aquela pessoa que estava doando a vida para a gente aprender”, relembra.

A médica garante que a grade da faculdade em si não é difícil, mas que necessita de dedicação e tempo. “Depois que saímos da parte básica e fomos adquirindo contato com os pacientes todas as matérias passam a tornar-se interessantes, como a cardiologia, cirurgia vascular, dermatologia, ginecologia e pediatria. Na época eu gostava muito de cirurgia e fiz várias monitorias”.

Depois dos seis anos de graduação em medicina, Leila optou por ficar trabalhando um certo tempo como clínica geral. “Nesse tempo realizei uma pós-graduação em Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), trabalhando com casos de emergência e comecei a gostar muito dos procedimentos”, diz.
A médica relembra que acompanhava os pacientes do centro cirúrgico até a UTI, e dessa maneira ela começou a ter feição por estas etapas. “Eu estava mais madura como mulher e profissional, e com 30 anos resolvi fazer minha residência em anestesiologia por estar convivendo e gostando do modo de vida do anestesista”, afirma.

A função de um anestesista em uma cirurgia não se limita apenas em fazer um paciente dormir ou realizar um bloqueio aplicando uma injeção para que ele não sinta dor. A atribuição do anestesista é fazer com que todo o organismo do paciente e suas fisiologias fiquem dentro de um padrão e um protocolo de segurança.

Em uma cirurgia acontece vários tipos de alterações no corpo humano, como a mudança da pressão, das frequências cardíacas, respiratórias e demais aparelhos do paciente, e a responsabilidade do anestesista é fazer com que estas alterações estabeleçam um parâmetro de segurança para o indivíduo. O profissional conduz o organismo do paciente até o final do procedimento cirúrgico para que ele seja efetuado com estabilidade para o cirurgião e o enfermo.

“Sinto que o cotidiano em um consultório é bacana mas me sinto mais realizada com o vínculo do anestesista com o paciente. Uma gestante por exemplo, chega bastante ansiosa com mais medo da anestesia do que com a própria cirurgia, e eu gosto disso, de acalmar e fazer com que ela perceba que não sentiu nenhuma dor”, admite.

Leila conta que os procedimentos efetuados por um anestesista no centro cirúrgico é de bastante responsabilidade e que o profissional precisa entender bastante de clínica médica. “Consegui unir estas duas coisas na minha carreira”, afirma.

Solicitada sobre algumas histórias que viveu durante sua carreira médica, ela lembra: “Eu atendia uma época pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), e uma vez chegamos até a casa de um paciente e eu me assustei muito porque achei que o homem iria me agredir, pois estava muito agitado. Ele estava tendo uma reação alérgica grave (choque anafilático) por mertiolate e não conseguia respirar e estava desesperado, e nós conseguimos reverter prontamente o caso na sua casa, pois ele não conseguiria chegar vivo até o hospital. Para mim este foi um momento marcante que percebi que fiz uma diferença na vida daquele homem”.

Trabalhando em São Mateus do Sul há 4 anos, Leila e o esposo Paulo Kaufmann especialista em pediatria, são proprietários da clínica Mais Saúde, a médica também atua como anestesista no Hospital e Maternidade Doutor Paulo Fortes.

“Estudar medicina é uma filosofia de vida, e exige muito das pessoas. É uma profissão que remunera bem, mas que acima de qualquer valor financeiro o médico precisa ser humano, e isso é adquirido com o tempo. O profissional precisa colocar-se no lugar do outro, nunca subestimar e principalmente, precisa entender que nem sempre consegue resolver e encontrar a cura para uma doença, e o conforto é a melhor saída para estes momentos”, encerra Leila. Leila cursou 6 anos de graduação e 3 anos de residência médica em anestesiologia.

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