(Imagem Ilustrativa)

Engana-se quem pensa que é só o escritor quem se habilita a escrever. Outros, têm verdadeiros traumas com a redação, mas não deveria ser assim. Você pode escrever, sem medos, sem culpas. Melhor, escrever pode lhe ajudar a combater medos, culpas, traumas. Quando se elabora um texto, quem mais se beneficia é quem escreve. Neste sentido, esta semana, recebi mais algumas dicas sobre escrita e achei que deveria partilhar com vocês essas considerações. Se mais alguém se aventurar no mundo da escrita, ficarei feliz.

Primeiro ponto: a escrita é um universo democrático, uma forma de livre expressão. Muito embora, em determinados regimes, escrever, contrariando quem está no poder, pode causar algumas consequências indesejáveis. Ainda bem que sempre há alguém com coragem e determinação para registrar, criticar, valorizar ou informar. Não fosse isso, teríamos perdido alguns capítulos da história.

Há vários tipos ou conceitos de escrita, de acordo com o resultado pretendido: escrita expressiva, escrita terapêutica, escrita afetuosa ou afetiva, escrita humanizada, entre outros.

Hoje, falaremos sobre a escrita expressiva e terapêutica. Um psicólogo americano chamado James Pennebaker pesquisou a psiconeuroimunologia, uma técnica onde os participantes passavam quinze minutos escrevendo sobre os maiores traumas ou momentos difíceis que se passaram em suas vidas. Isto se repetia por várias sessões ao longo de alguns meses. No começo, tudo parecia um pouco difícil e doloroso, mas com o passar do tempo, os ganhos ficaram evidentes. Não só a forma de redigir e o emprego das palavras mudaram, mas também as vidas dessas pessoas. Alguns chegaram a se curar mais rapidamente ou foram menos ao médico, além de outros efeitos positivos.

Talvez parar para pensar, registrar modos alternativos de enfrentar os obstáculos ou apenas dividir com o pedaço de papel alguns dos problemas ou frustrações parece ter tornado a carga mais leve para os participantes. É algo similar ao que acontece na relação com o psicanalista, onde o paciente fala sobre seus problemas (o trabalho orientado por um profissional qualificado é sempre melhor). Muitos não conseguem, então, uma relação com a folha de papel ou com tela do computador pode ser uma alternativa. Se você tiver alguém em quem confiar para dividir seu texto, seus registros, melhor ainda.

Intuitivamente, sem um estudo científico, sempre acreditei nisso. Escrever nos faz parar para pensar, refletir sobre determinado tema ou problema. Os pensamentos se organizam e muitas vezes enxergamos algo que estava na nossa frente, uma solução, algo que não percebíamos.

Registrar as alternativas existentes, os prós e os contras de cada opção, nos ajuda na tomada de decisão. Acho que já escrevi numa outra Coluna um ensinamento de Dale Carnegie onde ele afirmava que se você tem um grande problema que lhe aflige, pense no que de pior pode acontecer e busque uma solução para tal. Geralmente há diversas opções, mas se não há, seu problema já está resolvido e o resultado é inevitável, então porque continuar gastando energia com preocupação. Como diz o ditado: o que não tem remédio, remediado está. A escrita nos apoia nessa constatação ou nos permite escolher, racionalmente, uma das possibilidades.

Então, a escrita: é uma ferramenta para organização dos pensamentos e ideias; oportunidade de ressignificar (encontrar uma nova forma de encarar algo) acontecimentos traumáticos; ajuda a refletir sobre como reduzir os níveis de estresse e alivia sintomas depressivos; permite focar no momento presente, diminuindo a ansiedade.

Como já afirmei, para escrever só é necessário começar, sem compromissos ou regras. Assim mesmo, seguem alguns conselhos: escolha um local confortável em que você se sinta bem, teste qual é o melhor momento do dia para se dedicar à escrita, crie suas próprias regras. Escolha o que você quer escrever:

Cartas – para si mesmo (você no passado, você no presente ou você no futuro), para amigos, amores ou familiares;

Diário – a prática de fazer um diário gera aquele sentimento de gratidão à medida em que você enxerga as pequenas coisas boas que aconteceram no dia que talvez, se você não escrevesse, você nem perceberia; traz reflexões; dissipa preocupações e medos, por exemplo;

Rascunhos – O ato de escrever sem compromisso, como propõem os rascunhos, gera uma liberdade que pode ajudar na criação, seja de textos, projetos e até negócios. A criatividade gosta de sair das regras de vez em quando, portanto, experimente rascunhar a vida ao invés de sempre seguir as regras impostas.

Não se preocupe com a qualidade do texto que você cria, busque o seu jeito e a sua verdade. Com o tempo, vá inserindo novos conhecimentos sobre a escrita para aprimorar o processo.

Adnelson Borges de Campos
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