Indústria e Comércio

Membros da IG-Mathe participam de Evento Internacional de Indicações Geográficas em Minas Gerais

III Evento Internacional de Indicações Geográficas e Marcas Coletivas realizado de 9 a 11 de agosto, em Belo Horizonte, contou com a erva-mate são-mateuense. (Fotos: Divulgação)

Alguns dos membros da Associação dos Amigos da Erva-mate (IG-Mathe), participaram entre os dias 9 e 11 de agosto, do III Evento Internacional de Indicações Geográficas e Marcas Coletivas realizado em Belo Horizonte, Minas Gerais, com o objetivo de divulgar as proteções de propriedade industrial e possibilitar a troca de experiências com Indicações Geográficas (IG’s) internacionais.

O evento foi realizado pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em parceria com a Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o Instituto Nacional da Propriedade Industrial da França e o Ministério de Agricultura e Abastecimento (MAPA), e contou com a participação de profissionais palestrantes da França, Guatemala, Marrocos e Chile.

O Sebrae apoia as IG’s desde 2002, e acredita que elas são fundamentais para destacar a importância do processo de fabricação de produtos e seus ingredientes, fortalecendo a origem regional e o uso de elementos singulares da cultura e dos territórios. Esse mecanismo agrega valor ao produto final no posicionamento dos mercados, destacando suas diferenças e qualidade em relação a outros produtos genéricos.

As Indicações Geográficas estão previstas na Lei de Propriedade Industrial nº 9.279/1996, na forma de Indicação de Procedência, que é o nome geográfico do país, cidade, região ou localidade, que tenha se tornado conhecida como centro de extração, produção ou fabricação de determinado produto, e na forma de Denominação de Origem, para designar produtos cujas características se devam exclusivamente ou essencialmente ao meio geográfico de onde vieram.

No Paraná, o Sebrae está fomentando 10 indicações geográficas do estado, inclusive uma das principais, que é a da erva-mate. Essa “missão”, como destacaram os participantes, contou com representantes de todas as IG’s do Paraná nesse curso de formação de executivos e no evento internacional promovido pela entidade.

A comitiva são-mateuense pôde conhecer todos os representantes das IG’s e em especial. Estiveram presentes na oportunidade as seguintes IG’s: café do norte pioneiro, uva de mesa da cidade de Marialva, Denominação de Origem (D.O) do mel de Ortigueira, mel do oeste do Paraná, goiaba de Carlópolis, queijo de Witmarsum e mais as associações que estão em fase de obtenção da IG: o barreado e farinha de mandioca do Litoral, bala de banana de Antonina, a cachaça de Morretes e o melado de Capanema.


O evento contou também com painéis sobre o tema, entre os quais o membro da IG-Mathe, Helinton Lugarini, expôs o sistema de controle e rastreabilidade (DataMatte), que foi criado para colaborar com os produtores da IG são-mateuense e que pode também beneficiar inúmeros outros produtores pelo país.

Em terras mineiras

O Sebrae paranaense, está empenhado na capacitação dos executivos das IG’s. Os representantes da IG-Mathe conheceram e trocaram experiências com os produtores de queijo da Serra da Canastra.

O são-mateuense Ronaldo Toppel, comenta que os produtores mineiros tiveram muitos problemas com o início do processo da IG, devido a legislação brasileira por conta da especificidade de sua produção que é feita com queijo cru, ou seja, leite não pasteurizado. No Brasil é proibida essa comercialização. Na França, por exemplo, o país conta com os queijos mais valiosos do mundo e são feitos a partir do queijo cru.

Os membros da associação da Serra da Canastra também possuem suas propriedades baseadas com as Boas Práticas Agrícolas (BPA), assim como os produtores da erva-mate. A produção é diária e o gado leiteiro é ordenhado duas vezes ao dia, provendo assim, além do aumento da produtividade, a produção de um queijo específico para cada período. “Eles fazem dois queijos, o da manhã e o da tarde, e o gosto desses queijos é completamente diferente.”

Além do aumento da produtividade e valorização do produto, a região avançou enormemente na questão turística. Antes eles podiam apenas comercializar sua produção na própria região e agora com a obtenção da IG e a barreira da legislação vencida, o queijo roda o mundo e até foi premiado como um dos melhores do mundo.

Antes da obtenção da IG, o queijo era vendido em uma base de valor de R$ 3 a cada quilo e hoje, alguns produtores já conseguem comercializar a minimamente R$ 80 a peça, que pesa em média 1kg.

Segundo os são-mateuenses, estas propriedades estão preparadas para receber os turistas, graças as capacitações promovidas pelo Sebrae junto a cada produtor e suas famílias, que vem alavancando a economia da região que é bastante longe de centros comerciais, industriais e tecnológicos.

“Sempre que você sai em uma missão como essa, você ensina e aprende muito mais. Obtemos uma renovação muito grande ao participar de eventos de tamanha importância e relevância aos produtores e membros da cadeia produtiva. Podemos conhecer novas realidades e trocar inúmeras experiências”, enfatiza Ronaldo Toppel.

O evento também contou com o lançamento do catálogo das IG’s de todo o Brasil que pode ser acessado por todos, através do site da NPI, www.inpi.gov.br. São cerca de 56 indicações brasileiras.

Colaborador

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