Histórias de Terra e Céu

Mês Polonês parte 1: O Pai da Astronomia

Foto: www.planetariodorio.com.br

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Em nossa última conversa, ao falar sobre os paradigmas que a ciência quebra, lembrei que “há apenas alguns séculos era ‘óbvio’ que o Sol girava diariamente em torno da Terra”. E já que pretendo dedicar as quatro colunas deste mês polonês a astrônomos polacos de destaque, vamos começar em grande estilo, exatamente com aquele que tirou a Terra do centro do Universo.

Nicolau Copérnico nasceu em Torum, a 19 de fevereiro de 1473. Com apenas 10 anos Copérnico ficou órfão, e passou a ser criado pelo tio, Lucas Watzenrode. O que era uma tragédia pessoal acabou mudando a vida do pequeno Nicolau, pois seu tio demonstrou uma preocupação enorme com a educação do garoto. Copérnico foi enviado para o principal centro educacional da Polônia: a Universidade Jaguelônica. Ali estudou matemática e desenho. Depois foi para a Itália onde estudou astronomia, medicina e direito canônico.

Em nove de março de 1497, Copérnico observou a ocultação da estrela Aldebarã pela Lua. Era a primeira de muitas observações astronômicas que faria. O jovem astrônomo construiu seus próprios instrumentos e, com estas observações, associadas aos seus estudos matemáticos, teve a certeza de que algo “estava errado” no modelo astronômico vigente, que colocava a Terra no centro do Universo. Este modelo era validado pela Igreja, pois mostrava que Deus colocara sua principal criação no centro de tudo o que existia.

Mas foi só quando retornou à Polônia que Copérnico começou a estruturar suas ideias em textos. Primeiro escreveu uma pequena obra (Commentariolus, por volta de 1510), que distribuiu para alguns amigos, descrevendo um sistema planetário com o Sol no centro do Universo. Essa era uma ideia revolucionária e extremamente perigosa, num momento em que a Igreja precisava defender-se das ideias protestantes que surgiam em toda a Europa. Talvez este tenha sido o motivo pelo qual Copérnico resistiu a publicar sua proposta de modelo astronômico.

Enquanto Copérnico escrevia silenciosamente sua teoria, Lutero publicava a sua reforma (1517), Calvino também fomentava o protestantismo (1533) e a Igreja reagia reinstaurando a Inquisição. Em 1543 a grande obra de Copérnico (“Das revoluções das esferas celestes”) saía da gráfica. Doente e acamado, o idoso astrônomo polonês recebeu o exemplar que mudaria a história da ciência. Poucas horas depois, Copérnico morreu, sem saber que a astronomia moderna estava nascendo naquele momento. O “parto” seria longo. As ideias de Copérnico levaram quase 300 anos para serem aceitas, mas valeria a espera: ele passaria a ser chamado de o “Pai da Astronomia”.

Há dois anos eu tive a oportunidade de estar na Universidade Jaguelônica, em Cracóvia. Andar pelos corredores em que Copérnico andou e ver sua estátua foi uma grande emoção. Mas eu estava lá seguindo os passos de um outro astrônomo polonês, que será o tema do nosso próximo bate-papo.

Até a próxima semana e céus limpos para todos nós!

Gerson Cesar Souza
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