Histórias de Terra e Céu

Mês Polonês parte 2: O Astrônomo da Água Branca

Foto extraída do livro de Gerson C. Souza - A Estrela de Jacó.

Foto extraída do livro de Gerson C. Souza – A Estrela de Jacó.

Na semana passada iniciamos uma série de quatro colunas abordando astrônomos polacos, em homenagem ao mês em que celebramos a cultura polonesa. Se na última conversa apresentamos um gênio de renome internacional, Nicolau Copérnico, hoje falaremos sobre outro gênio, mas um gênio aqui da nossa São Mateus do Sul.

Os primeiros anos da imigração polonesa em São Mateus foram muito sofridos. As viagens nos navios, a quarentena na chegada ao país, a locomoção para as colônias, a instalação nos barracos, as doenças, a corrupção dos agentes do governo e, para completar, a Revolução Federalista, foram verdadeiros flagelos para os imigrantes. Por isso a insistência de alguns intelectuais em pedir o envio de padres e professores para cuidar dos colonos. Queriam pessoas que pudessem exercer uma liderança com inteligência.

Foi assim que em 1896 chegou à Água Branca um padre magrinho, de 36 anos de idade, com o objetivo de concluir a construção da capela e livrar os colonos do alcoolismo e das tantas superstições que cultivavam. Mas o padre Jakób Wróbel não era apenas um religioso. Era um homem culto que falava sete idiomas, dominava a matemática e praticava a astronomia.

Missionários poloneses que visitaram a comunidade em 1904 se impressionaram com o padre que calculava posições na Terra a partir das estrelas e tentava estimar a data exata do nascimento de Cristo a partir de conjunções. As palavras do missionário Hugo Dylla definem o gênio da Água Branca: “Trata-se de uma inteligência perspicaz, ao lado do que o distingue a simplicidade e cordialidade cativante. Passa fome, não come carne, três dias por semana come somente pão seco e água. Tem um aspecto que causa pena.”

Após apresentar o padre da Água Branca como um asceta, Hugo Dylla cita o lado genial dele: “Durante as noites fazia-me verdadeiras preleções sobre astronomia. Tinha a impressão de estar numa universidade – fez o globo celeste e instrumentos para localizar as estrelas“. Impressionante, amigo leitor, há mais de cem anos um padre ensinava astronomia para os colonos e construía seus próprios instrumentos para observar o céu.

O texto do missionário ainda conta que, com base nas observações astronômicas do padre Wróbel, eles calcularam a latitude da cidade de Rio Claro (com uma precisão muito interessante para a época) e cita algumas das estrelas que observaram. Depois de dedicar 18 anos de sua vida à Água Branca, padre Jakób mudou-se para os Estados Unidos, onde também foi reconhecido como astrônomo. Morreu em 1935, deixando um extenso manuscrito sobre astronomia.

Quem quiser saber mais sobre este gênio, pode ler o meu livro “A Estrela de Jacó” ou aparecer na palestra que ocorrerá no próximo dia 20/8, 19h30, no salão do Colégio Duque de Caxias. Lá, sob o tema “Os Guerreiros Poloneses”, uma outra faceta do padre Wróbel será apresentada.

Até a próxima semana e céus limpos para todos nós!

Gerson Cesar Souza
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