Histórias de Terra e Céu

Mês Polonês parte 3: Um cervejeiro no mundo da Lua

Foto: www.nndb.com

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Esta terceira coluna do mês polonês é dedicada a outro astrônomo de destaque. Se Copérnico fez a Terra e o Sol trocarem de lugar, a Polônia também geraria alguém que mudaria nossa forma de ver a Lua.

Em 28 de janeiro de 1611, na cidade de Gda?sk, o casal Abraham e Kordula, ricos comerciantes de cerveja, viam nascer seu filho, que recebeu o nome de Jan Heweliusz (em latim Hevelius). Após estudar em diferentes países, o jovem rapaz voltou à Polônia, onde casou-se e foi diretor da Associação dos Produtores de Cerveja. Também atuou como conselheiro municipal e, com 40 anos, tornou-se prefeito da cidade.

Mas se parecia que a vida lhe levaria para a monotonia das preocupações terrenas, o coração de Hevelius morava nas estrelas. Em 1641 construiu um observatório no telhado de três casas geminadas. Fabricou seus próprios instrumentos e completou seu laboratório pessoal com um telescópio de 45m de distância focal. Este magnífico observatório particular chamou a atenção do mundo. Recebeu a visita da Rainha da Polônia (em 1660), do Rei Jan Sobieski III (em 1678), e, um ano depois, de um jovem cientista inglês Edmund Halley, que se tornaria um dos mais famosos astrônomos de todos os tempos.

Neste observatório Hevelius observou manchas solares, descobriu quatro cometas e criou um fantástico mapa das constelações do céu. Mas seu grande legado foi o mapeamento da Lua. Durante anos o genial astrônomo polonês observou cada detalhe, cada cratera, cada monte e cada mar de nosso satélite. Gerou um belíssimo mapa (levando em conta as limitações da época) e publicou suas descobertas na Selenographia sive Lunae Descriptio (1647). Devido à esta obra, o cervejeiro Hevelius foi chamado de “o fundador da topografia lunar”.

Seu magnífico observatório e todos os seus instrumentos foram destruídos por um incêndio criminoso em 26 de setembro de 1679. Hevelius já tinha 68 anos, mas seu amor pela astronomia era jovial: trabalhou noite e dia para reconstruir tudo o que havia perdido e, no ano seguinte, conseguia estar com o observatório pronto para observar o grande cometa de dezembro de 1680. Mas sua saúde apresentaria várias complicações após o fatídico incêndio, fazendo com que o grande astrônomo falecesse em 1687, exatamente no dia em que completava 76 anos.

Eu falei que Jan Heweliusz amava a astronomia, mas preciso confessar que ele conheceu um amor maior: uma jovem chamada Elisabeth, 35 anos mais nova que ele. Ela será o tema de nossa próxima coluna, fechando o mês dedicado à Polônia com esta polonesa, que se tornou a primeira mulher de destaque na astronomia ocidental.

Até a próxima semana e céus limpos para todos nós!

Gerson Cesar Souza
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