Histórias de Terra e Céu

Mês Polonês parte 4: Amor escrito nas estrelas

Na semana passada falamos sobre como Jan Hevelius fez história na astronomia descobrindo cometas, catalogando estrelas e mapeando a lua. Mas também falei que Hevelius teve um amor maior que a astronomia. Nossa última coluna deste mês polonês é dedicada a esta mulher, que se tornaria a primeira astrônoma ocidental.

Quando criança, a pequena Elisabeth Koopman implorou para que o mestre Hevelius lhe ensinasse astronomia. A menina cresceu, e com 17 anos renovou o pedido. Hevelius já tinha 52 anos e estava viúvo da primeira esposa. A jovem amava astronomia e também amava o mestre. Um dia, enquanto olhava pelo telescópio, ela fez seu “desejo” às estrelas: “- O que me faria muito feliz seria poder permanecer aqui, sempre observando, para poder explorar e exclamar ao seu lado as maravilhas do céu”. Era um verdadeiro pedido de casamento, e Hevelius não tinha como negar.

O casal teve quatro filhos e conseguia conciliar o cuidado com eles e as noites de observação do céu. Elisabeth tinha papel ativo no mapeamento do céu com o marido e na criação do mais completo catálogo de estrelas na época. Este catálogo ainda estava incompleto quando o incêndio destruiu o observatório do casal. Praticamente tudo que havia lá foi queimado, mas a filha de 13 anos do casal enfrentou o fogo e entrou no escritório do pai para resgatar o catálogo.

Quando o marido faleceu, Elisabeth não se abateu e seguiu mapeando o céu para completar o catálogo. Ao ser concluído, o compêndio apresentava 600 novas estrelas e mais de uma dezena de novas constelações, cujos nomes eles deram e usamos até os dias de hoje.

A menina que havia salvo o catálogo do fogo, herdou da mãe o exemplar histórico. Anos depois, o genro de Elisabeth vendeu quase todos os manuscritos, mas o catálogo foi esquecido num quarto da casa. Durante uma guerra em 1734, a casa foi praticamente destruída e uma bomba caiu no local onde estava o manuscrito, mas ele novamente saiu ileso… O catálogo foi então transferido para a biblioteca do Instituto Tecnológico de Gda?sk, que também foi destruída na Segunda Guerra Mundial. Adivinhem quem sobreviveu? Sim, o manuscrito do catálogo de estrelas! O livro mágico de Elisabeth ainda sobreviveria a mais um incêndio e depois desapareceria misteriosamente, até ser adquirido em 1971 pela Universidade de Utah, nos Estados Unidos, onde se encontra até hoje.

A primeira astrônoma da Polônia e do Ocidente entraria para a história por sua paixão por Hevelius, por sua competência na observação das estrelas e por seu excelente catálogo, capaz de sobreviver ao tempo, às guerras e ao fogo.

Com esta bela história fechamos a última coluna dedicada a astrônomos poloneses. E partimos para setembro, o mês em que teremos um fantástico eclipse lunar.

Até a próxima semana e céus limpos para todos nós!

Gerson Cesar Souza
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