Saúde

Meu bebê chupa chupeta. E agora?

Dentes tortos, mordida cruzada e má formação do maxilar são alguns dos sérios problemas que a chupeta pode causar na criança. (Imagem Ilustrativa)

Dar ou não o bico artificial para crianças é um tema amplamente discutido não só na odontologia, mas também na área de nutrição e medicina. De modo geral, há uma grande desinformação sobre o assunto e nas consequências que a chupeta pode trazer ao desenvolvimento infantil.

A ação de chupar começa ainda no útero materno, quando os bebês chupam seus dedinhos para fortalecer as musculaturas responsáveis pelos movimentos da sucção, o que depois do nascimento tornam possíveis as mamadas.

A sensação de conforto enquanto os dedos estão na boca acalma a criança, que passa a fazer ligação do gesto com um momento de segurança e aconchego. Neste caso entram também as chupetas e até as pontas de fraldas.

O hábito pode durar até um certo tempo, mas pode se tornar um grande problema quando ultrapassa o primeiro ano de idade. Em casos mais graves pode virar vício e acompanhar a pessoa até a fase adulta.

Estudos recentes trazem à tona que a persistência pode trazer sérios riscos, que vão desde a formação incorreta do maxilar, a deformação da face e posicionamento incorreto dos dentes que ainda nem nasceram, disfunções respiratórias e nutritivas, como também problemas mais profundos ligados ao sono e à ansiedade.

Também pode ocorrer que uma criança que deixou de chupar o dedo volte a fazê-lo ao enfrentar uma situação nova, como o nascimento de um irmãozinho, por exemplo. O trabalho de uma equipe multidisciplinar, com atuação de psicólogo, fonoaudiólogo e dentista, pode auxiliar no tratamento da criança.

Para os dentistas, o período de sucção não nutritiva é tolerado até os quatro anos de idade, quando já é possível constatar maloclusões — desvio do fechamento normal da boca. As alterações dentárias ou de estrutura da cavidade oral dependem da duração da frequência e da intensidade do hábito de sucção, sem desconsiderar também outros fatores, como interferências ambientais e hereditárias.

Os principais problemas relacionado a chupeta são: interfere negativamente sobre a amamentação, pois não tem o mesmo formato que o bico do seio; prejudica o desenvolvimento da fala, mastigação e respiração; altera a forma da boca e a sua tonicidade; faz os ossos do rosto se desenvolverem sem harmonia, com estreitamento na arcada e desvios nos ossos nasais (desvio de septo). Em consequência, as funções de mastigação, deglutição, fala e respiração são prejudicadas, levando, mais tarde, a problemas como rinite, sinusite, amigdalite, entre outras; provoca a mordida aberta, mordida cruzada e dentes saltados para frente, retrognatismo mandibular, prognatismo maxilar, musculatura labial superior hipotônica, musculatura labial inferior hipertônica, atresia do palato, interposição de língua e provoca a respiração bucal.

Como tirar o hábito da criança?

Incentive a criança a tirar o dedo da boca para segurar outro objeto que o substitua, como um boneco, brinquedo ou paninho. É importante que os pais expliquem os malefício que chupar dedo causam. Ao invés da repreensão, procure propor atividades manuais e brincadeiras para entretê-la de modo criativo. Uma tática válida é colocar, por alguns dias, curativos adesivos coloridos no dedo dela e dizer que fez “dodói” de tanto chupar. Dessa forma, seu filho não conseguirá sugar o dedo. Não é indicado colocar pimenta ou outras substâncias picantes ou amargas, tanto no dedo como na chupeta. Depois de esgotadas as tentativas e ainda persistir o hábito, pode ser válida uma avaliação de um pediatra ou psicólogo, antes que isso prejudique a dentição.

Diagnosticando problemas ortodônticos desde cedo

Mesmo com poucos dentes de leite ou permanentes, é possível identificar alguns problemas ortodônticos que podem ter sido causados pelo uso da chupeta. Alguns sinais podem ser evidentes, como quando: os dentes da frente não se tocam; a arcada superior é muito estreita e fechada; ocorreu perda precoce dos dentes de leite devido à cáries ou tombos; os dentes superiores cobrem os inferiores muito mais do que o normal; o queixo está muito para a frente ou o inverso disto; a criança respira mais pela boca do que pelo nariz (o correto é a respiração nasal); a criança dorme com a boca predominantemente aberta e a criança apresenta olheiras profundas.

Nestes casos, é muito importante um diagnóstico feito por um ortodontista para projetar o início do tratamento o quanto antes. A idade ideal para fazer essa consulta é aos 7 anos, como explica a Dra. Carla Baioni, responsável técnico pela área de Ortodontia da Baioni Odontologia em São Mateus do Sul. Ela explica que, com esta idade, a criança já realizou grande parte da troca dos dentes de leite pelos permanentes. A posição das arcadas dentárias nesta fase já dá uma boa amostra da forma definitiva que terão na idade adulta.

Dra. Carla Spagliare Baioni
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