(Imagem Ilustrativa)

No último dia 31 de julho, houve a reinauguração do Museu da Língua Portuguesa. O museu que funciona na Estação da Luz, na capital paulista, passou por um incêndio em 2015. Foi remodelado e ganhou tecnologia nas suas exposições e na interação com o público.

Por incrível que pareça, por motivos políticos o evento foi mais valorizado pelos outros países que falam a nossa língua do que por muitos de nossos governantes.

A língua, os costumes são alguns dos maiores valores de um povo, de uma nação. A língua pátria não é só um conjunto de regras a serem “obedecidas” no dia a dia. A língua é parte da representação histórica daqueles que habitam determinadas partes do planeta.

Com as Grandes Navegações, as fronteiras da nossa língua se expandiram e ela foi enriquecida com a participação das várias etnias e povos que construíram a história dos países que falam o português.

O português falado no Brasil é o resultado da mistura (algumas vezes pacífica, muitas vezes não) dos povos indígenas, dos povos africanos, de espanhóis, franceses, alemães, holandeses, italianos, árabes, japoneses, poloneses, ucranianos, entre tantos outros.

Além de formar o patrimônio, a identidade de um povo é uma das principais ferramentas de transmissão de conhecimento, arte e cultura.

Quando nos expressamos, nem nos damos conta de tudo que aconteceu do que foi experimentado, vivido até a adoção de um vocábulo ou de uma expressão idiomática, por exemplo.

Quando garoto, na década de 1970, durante o Governo Militar, havia um programa divulgado através do rádio, chamado Projeto Minerva. Havia quem não gostasse, pois era de transmissão obrigatória em todo o país, logo após a transmissão da Voz do Brasil. Também apresentava uma versão especial nos fins de semana.

Tinha como objetivo a escolarização de adultos, como preparação para a Madureza Ginasial. Pode-se dizer que foi o primeiro projeto de educação à distância realizado. Mas, também servia como ferramenta de divulgação dos feitos e do modelo de governar dominante.

Deixemos de lado os aspectos políticos e o momento histórico. As informações realmente contribuíam para o desenvolvimento do conhecimento das pessoas. Eu gostava quando meu pai deixava o rádio ligado e, deitado, prestava atenção nas informações irradiadas. Nos finais de semana, o programa valorizava o folclore e a música brasileira.

Se Minerva, a Deusa da Sabedoria romana, realmente existisse, recomendaria aos administradores de muitas redes sociais que só permitissem o acesso dos usuários às páginas após aprenderem um pouquinho, pois apesar de popular, a língua de um povo merece respeito.

Na origem mitológica Minerva era equiparada a Atena, a Deusa grega, que teria presidido o primeiro julgamento de que se tem notícia e que teria terminado empatado no voto de doze atenienses. Então, Atena usou de sua sabedoria para fazer uma “boa escolha”.

O povo de uma nação merece respeito e, no nosso caso, não damos a oportunidade para que todos realmente aprendam e consequentemente, façam o uso adequado (eu disse adequado e não perfeito) da nossa língua.

Então, no mito de Minerva, surgiu a expressão “Voto de Minerva”. Na língua portuguesa há várias dessas expressões. Foi no Projeto Minerva, por exemplo, que entendi a origem de “santo do pau oco”. Outras expressões dizem ter mais de uma origem, como por exemplo, “Sem eira nem beira”. Algumas nos apresentam conselhos como em “vai devagar com o andor que o santo é de barro”.

Em algumas Colunas futuras, vou tentar trazer um pouco disto para discussão: a história de nossas expressões populares.

Então, “por ora”, “adeus!” (contração de “eu te recomendo a Deus!”).

Adnelson Borges de Campos
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