(Imagem Ilustrativa)

Talvez um dos requisitos para se ocupar a cadeira de Ministro da Educação seja a capacidade de proferir frases infelizes. Os últimos ocupantes preenchem o requisito. O atual sempre tenta encontrar uma justificativa, dizendo que foi mal interpretado. Não deveria ser assim, já que o Ministro tem os títulos de pastor e educador, além da formação em Direito, portanto, deveria ser um bom comunicador.

Acredito que a escola pública tem como um de seus objetivos principais o de criar oportunidades de qualificação e progressão social. A educação é um direito fundamental do cidadão, não é um favor concedido pelo Estado. Assim, os governantes têm como obrigação encontrar meios para atender à demanda da população.

Em uma de suas falas, o Ministro Milton Ribeiro tentou argumentar que não há emprego para os profissionais com formação de nível superior, assim, não há por que formá-los, que “a universidade, na verdade, ela deveria ser para poucos, neste sentido de ser útil à sociedade”.

Eu concordo que formar profissionais de nível médio, no ensino técnico também é importante. O mercado precisa desses profissionais também. Mas não podemos deixar de dar oportunidades de formação para todos os brasileiros que assim quiserem. Ensino superior nunca deverá ser para poucos. Conhecimento nunca é desnecessário.

Muitas empresas incentivam seus funcionários de nível médio a participar de cursos universitários, sabedoras que uma melhor formação contribui para mentes criativas, para o desenvolvimento do senso crítico e para a construção de valores organizacionais baseados na ética, na busca de resultados e consequentemente maior qualidade de vida. Mas isto funciona para quem já tem um emprego.

No Brasil, abandonamos as políticas públicas em todos os setores. Com a educação não foi diferente.

Não temos emprego para os profissionais de nível superior e, da mesma forma, não temos emprego para os com formação de nível médio. Também convivemos com um grande contingente de semi-alfabetizados em subempregos.

Se tivéssemos renda, boa parte dos jovens talvez pudesse pagar o seu próprio curso e a dependência do Estado seria menor. Precisamos quebrar esse ciclo vicioso. Mas não geraremos mais emprego e renda enquanto a nossa principal meta for a exportação de comodities, sem qualquer valor agregado. Não teremos crescimento significativo do nosso PIB enquanto não gerarmos bens para consumo e riqueza para a maioria da população.

Só cresceremos com a boa formação de nossos profissionais. E para formá-los precisamos de professores qualificados e bem remunerados. No passado, isto já foi assim no Brasil. Hoje, contamos com alguns heróis que desafiam todos os obstáculos para atuar como formadores da juventude. Em face de todas as dificuldades, não temos uma maior quantidade de bons professores. Muitos deixam de lado a vocação, os sonhos, para tentar trabalhos com melhor remuneração.

Não há como pensar planos para o futuro enquanto a principal meta for a reeleição no próximo processo eleitoral e a manutenção do poder. Também não precisamos de conflito, precisamos de união.

Enquanto isso, serão para poucos a formação universitária, a saúde, a segurança e a renda. Falando em renda, vem aí o Renda Brasil, que segundo nossos governantes é o que a população espera e merece. Nivelaremos por baixo e aumentaremos o distanciamento entre as camadas da nossa sociedade, pois a renda continuará concentrada nas mãos de poucos e os tributos pagos pelos mesmos contribuintes.

Adnelson Borges de Campos
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