Quem de nós já não se sentiu fascinado (a) pelo retrato de alguém? Quem de nós não demorou um pouco mais para olhar um rosto em especial? Seja ele na pintura, no desenho ou de forma mais frequente na fotografia, inúmeras são as histórias por trás dos retratos que encantam, que nos atraem. O retrato também foi registrando momentos específicos, sendo um dos responsáveis pelo destaque político e social que causou em algumas classes sociais, e também pelo aumento do consumo de bens. Antes do surgimento da fotografia, que apenas se tornou de domínio público em meados do século XIX, era o pintor retratista que satisfazia duplamente a classe burguesa, por exemplo: usando a técnica do momento e procurando satisfazer o cliente ora com a proximidade da semelhança ora com a imagem idealizada pelo retratado (a). Da Monalisa de Leonardo Da Vinci até os dias de hoje, o retrato é sobretudo sobre uma pessoa, afinal, mesmo esse pintor sendo considerado um gênio da arte, a musa inspiradora foi “La Gioconda”.

A figura feminina aqui retratada é o tema. Podemos descobrir muitas informações através das pistas ou indícios como preferem chamar alguns historiadores. Um retrato, porém, também não diz tudo sobre uma pessoa. Sobre a identidade feminina o registro pode mostrar funções sociais, pode-se perceber durante a análise da fotografia os gestos, o vestuário, a expressão facial, os acessórios. Também podemos observar se a fotografia foi feita em um estúdio, dentro de uma residência ou ao ar livre. Se as mulheres eram trabalhadoras, mães, artistas, dançarinas, e claro, se eram da elite ou da realeza, reveladas nas fotografias, por exemplo.

O que se vestiu no passado pode revelar um novo olhar para descobrir aproximadamente a data da fotografia. O modelo do vestido usado pela moça pode ser do início da Primeira República no Brasil (1889-1930). Um vestido de cor clara, onde a parte da saia desce lisa sobre os quadris abrindo-se em direção ao chão, em forma de sino. Decote fechado com cintura abaixo do busto e mangas três quartos, detalhes de modelos utilizados por volta dos anos de 1900. Durante a Primeira Grande Guerra as barras sobem e os decotes descem. Cabelos provavelmente longos e presos num coque baixo evidenciando uma certa maturidade (já não é mais uma menina que usa os cabelos soltos). A parte da saia deixa à vista os sapatos escuros e uma parte dos tornozelos ao andar; tornozelos esses que já foram motivo de atenção masculina em certa época. Nenhum anel no dedo da moça que indique a condição de casada. Usa um colar e os pulsos estão elegantemente adornados por pulseiras que conferem uma feminilidade ao conjunto de acessórios que ela usa. Parece ser de uma condição social mais elevada.

Mas afinal, quem é a moça? Esse é o mistério dessa fotografia! Não temos registro algum sobre a identidade dela, não sabemos da data da foto ou do fotógrafo, muito menos se era de São Mateus do Sul. Sabemos apenas que a fotografia foi feita em Curitiba e está na coleção de fotografias que pertenceram à Julia Witkowski. Talvez seja uma parente ou amiga. E se tivermos um pouco de sorte, algum (a) leitor (a) poderá ainda nos ajudar a descobrir quem era ela, porque a história desse retrato ainda não teve um final.

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