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Morador de São Mateus do Sul possui acervo centenário

Darci Stechechen é um amante do garimpo. Ele coleciona muitos objetos antigos e centenários. Rádios, relógios e toca discos ainda estão em pleno funcionamento. (Fotos: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

Subindo as escadas para a porta de entrada da casa de Darci Stechechen, você acaba percebendo os detalhes rústicos em madeira vernizada e a conservação de antiguidades presentes em alguns detalhes da casa. Natural de Porto União – Santa Catarina, Darci é o mais velho de cinco irmãos e traz essa paixão pelo garimpo desde sua infância.

Filho de Nicolau Stechechen e Verônia Stechechen, passou o início da sua vida acompanhando a paixão do pai pela preservação. “Meu pai trabalhava como ferroviário, e já tinha alguns objetos guardados que eram dos meus avós. Eu sempre observava ele lidando com muito cuidado de tudo”, comenta Darci.

Com isso, as histórias e as lembranças se direcionam para o tempo em que a tecnologia não era muito avançada. O aparelho de tv era raridade na cidade, e o rádio era luxo para poucos.

Dentre as principais lembranças, Darci guarda com muito carinho a imagem de seus bisavós da família Stechechen. (Acervo Pessoal)

Como estamos em época de Copa do Mundo, em 1962, com 8 anos de idade, Darci, sua família e os vizinhos se reuniram em volta de um original aparelho de rádio para acompanhar as transmissões dos jogos. “Lembro que escutamos a final de Brasil e Tchecoslováquia, e o resultado deu 3×1 para o Brasil.”

Darci traz da memória a imagem da mãe preparando pipoca e seu pai tomando chimarrão enquanto o jogo era narrado com rapidez. “Com o passar dos anos nossa família acabou comprando uma tv, mas a emoção não era como quando escutávamos pelo rádio”, opina.

Ele ainda conta que certa vez, com saudade de acompanhar os jogos como antes, deu a seguinte proposta para seu pai: “falei para ele: por que não deixamos a tv ligada, com o volume baixo, e colocamos o rádio para escutar a narração? Assim víamos o que estava passando com a emoção de escutar a transmissão como antes”. Seu Nicolau topou e gostou da ideia do filho e juntos, acompanharam mais um jogo, agora, unindo as duas tecnologias.

A vida simples traz muitas recordações, dentre elas estão os famosos álbuns de figurinhas muito utilizados há tempos e que de forma lúdica, garantiam o aprendizado por meio das coleções. “Lembro que para colar as figurinhas minha mãe fazia cola com uma mistura de trigo e água”, diz.

Mas o que pode ser feito com tantos objetos e lembranças? Darci foi o encarregado para cuidar de tudo. Desde o importante aparelho de rádio até os álbuns repletos de figurinhas estão em seu acervo de antiguidades aqui em São Mateus do Sul. “Meu pai antes de falecer me chamou e falou que via a minha paixão pelos objetivos antigos, assim como ele. Dessa forma, fiquei responsável por preservar tudo. Não há dinheiro no mundo que pague a sensação que eu sinto quando vejo cada um deles”, afirma. Ele também guarda com carinho uma fotografia dos seus bisavós da família Stechechen, uma verdadeira relíquia para todos os seus parentes.

Após proposta de emprego na Unidade de Industrialização do Xisto (SIX), Darci e sua esposa decidiram vir morar para São Mateus do Sul, trazendo junto deles, todo acervo. “Tenho em meu acervo quadros de santos que eram da minha mãe, panelas de ferro dos meus avós, lampiões, relógios, cucos, máquinas fotográficas, rádios, toca discos, jogos de porcelana, revistas e mais de 200 discos de vinil”, comenta apontando para cada um dos objetos.

Aliás, os discos de vinil foram fundamentais na vida amorosa de Darci. Contando a história para a equipe da Gazeta Informativa de maneira cômica ao som de Raul Seixas, ele relembra como tudo começou. “Antigamente nas festas as meninas levavam a coca-cola, os meninos alguma bebida para tomar com o refrigerante e mais alguns discos para embalar a noite. Colocávamos luzes florescentes no teto e a festa começava.”

Dessas festas e encontros, Darci conheceu a Lurdinha, e o amor veio à tona. Hoje eles possuem um filho e seis netos. “Conquistei ela com Roberto Carlos”, afirma o admirador da jovem-guarda.

Nessa gama de discos, Darci possui acervo de Música Popular Brasileira (MPB), orquestras, clássicos, flashbacks nacionais e internacionais, sertanejos raízes, bandas alemãs, rocks antigos, discos religiosos e diversos estilos estrangeiros.

Além dos discos, todos os rádios, relógios e toca discos estão em pleno funcionamento. “Tenho objetos com mais de 100 anos no meu acervo”, afirma. Darci ainda comenta que sempre está em busca de antiguidades para somar à sua coleção.

“Penso que daqui alguns anos todos esses objetos serão uma referência para meus netos. Quero que eles cuidem da mesma forma que meu pai e eu cuidados, pois quem sente saudade é porque um dia foi muito feliz”, encerra.

 

Estudante de Jornalismo que adora escrever e conhecer um pouco sobre a vida e a história de cada pessoa envolvida. Preza pela essência que é repassada na produção de cada matéria, valoriza os pequenos gestos e apoia o ativismo ambiental. E-mail para contato: claudia@gazetainformativa.com.br

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