(Foto: Alana Pietrala Chincoviaki/Gazeta Informativa)

“Meu mundo caiu, minha vida estava em risco e eu só pensava na minha menininha que, nos próximos dias, faria 1 ano”, escreve Caroline nas redes sociais sobre sua luta contra o câncer cervical, uma doença considerada rara que afeta menos de 150 mil brasileiros todos os anos, segundo o Hospital Israelita Albert Einstein.

Caroline Castilho Delboux de Lima, 28, mudou-se para São Mateus do Sul em janeiro deste ano com seu esposo, Carlos Eduardo Delboux de Lima, 27, e a pequena Heloísa Castilho Delboux de Lima, que ainda mamava no peito. Conforme os meses foram passando, e a Heloísa foi mamando menos, Caroline percebeu um sangramento leve, que seria, segundo seu médico, o retorno natural do período menstrual. Só que o sangramento não passou, como ela relata: “foi por duas semanas, todos os dias. Tem alguma coisa errada”. A desconfiança e o apoio do sogro, João Carlos Silva de Lima, 50, foram essenciais e fizeram com que Caroline procurasse a opinião de um segundo especialista; e entrou em contato com o médico ginecologista Dr. Mario Estevam Mallmann da Silva, CRM-15146, em Paulo Frontin (PR). “Foi essencial o trabalho do Dr. Mario. Todos os médicos elogiaram muito o trabalho dele, mesmo sem conhecer”, relembra Caroline.

Através dos exames pedidos, Dr. Mario da Silva identificou uma lesão no colo do útero. Esta lesão, também chamada de Neoplasia Intraepitelial Cervical (NIC), quando identificada em seus estágios iniciais, pode ser tratada em consultório, em um procedimento simples e livre de risco.

Caroline junto de sua filha e esposo. O maior tesouro de uma família é o sorriso de cada um de seus membros. (Fotos: Acervo Pessoal)

As lesões do colo do útero (NIC) têm várias causas, desde alteração hormonal, alteração do útero devido à gestação ou ferimentos na hora do parto, além de doenças não tratadas na região. Uma das causas, também, é o Papiloma vírus (HPV), que é muito comum, são mais de 2 milhões de casos todos os anos no Brasil. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA) do ministério da saúde, 80% das mulheres sexualmente ativas serão infectadas por um ou mais tipos de HPV em algum momento de suas vidas. Essa porcentagem pode ser ainda maior em homens. Como o HPV só é diagnosticado por laudo médico, é muito importante que os exames preventivos sejam feitos todos os anos. O mesmo vale para a NIC, que é uma lesão pré-cancerosa.

No caso de Caroline, a sua lesão teve um desenvolvimento rápido e mais sério, ela foi diagnosticada com Neoplasia Intraepitelial Cervical de Grau III, tendo que ser submetida a procedimento cirúrgico. A sua cirurgia tinha sido marcada para o dia 27/05/2021 no hospital de Mallet-PR. O procedimento cirúrgico, também, não envolvia maiores riscos. Era uma cirurgia com altas chances de sucesso e, apesar de tudo estar pronto para o procedimento, o Dr. Mario optou por não realizar a cirurgia. O que aconteceu é que o problema de Caroline era ainda mais sério. Assim, ela foi indicada a procurar um médico oncologista em Curitiba.

Toda a equipe médica formada por técnicos e enfermeiros que acompanharam Caroline durante as 6 semanas de tratamento.

Carol conta que o apoio que recebeu do sogro foi imprescindível para que ela procurasse ajuda médica.

Caroline comemora a sua última sessão de terapia, pronta para voltar para casa.

A primeira consulta de Caroline na capital do Paraná foi agendada para o dia 04/06/2021 através do Instituto de Oncologia do Paraná (IOP). O médico especialista em Cirurgia Oncológica Dr. João Antônio Guerreiro, CRM-10458, vendo o caso, decidiu agendar uma cirurgia de emergência para a retirada do câncer de Caroline para o dia 12/06/2021, no Hospital Erasto Gaertner. “Ouvir a palavra câncer e que eu tinha um tumor maligno foi muito doloroso, pois eu não sabia a respeito da doença, então acabamos pensando sempre no pior. Eu pensava muito na minha filha, que eu precisava superar tudo isso para poder ver ela crescer”, relata Caroline.

O procedimento cirúrgico foi um sucesso. O que Caroline não imaginava é que a sua luta ainda não havia terminado. Depois de sua recuperação, ela descobriu que teria que passar por um tratamento intenso de radioterapia e quimioterapia. O responsável por ambos os tratamentos foi o médico Dr. Fabrício Martinelli, CRM-17542, especialista em Oncologia Clínica.

O tratamento teve início no dia 09/08/2021 e seguiu por 6 semanas seguidas, na unidade Oncoville do IOP em Curitiba (PR). Todos os dias Caroline enfrentava a radioterapia e todas as quartas, além da já rotineira, uma sessão de quimioterapia. “A radioterapia era indolor” conta “era como um exame de tomografia”. O inconveniente da radioterapia veio com o tempo, Caroline conta que a partir da 15ª sessão começaram os efeitos colaterais. Entre eles cólicas, fraqueza, enjoos e mal-estar.

As sessões de quimioterapia eram mais longas, Caroline relata que “tinham dias em que eu chegava às 10h e só saia às 16h. Como eu saia mais fraquinha da quimio, minha irmã sempre me levava e me buscava”. O procedimento da quimioterapia é a introdução de 3 litros de soro quimioterápico na veia do paciente, este líquido, então, é eliminado no decorrer dos dias, acompanhado de efeitos colaterais, como dor de estômago, enjoo e vômito. “A cada sessão eu ‘engordava’ 3 quilos que seriam eliminados nos próximos dias”, conta.

Nos finais de semana, Caroline fazia questão de vir para São Mateus do Sul. “Era o tempo que eu passava com a minha família, então, chegava sexta-feira eu estava animada”. Ela explicou que durante essas 6 semanas ela ficou na casa da irmã, Josiane Castilho, 43, em Curitiba, e a Heloísa a acompanhou no início do processo e, quando precisava, sua cunhada, Eduarda Delboux de Lima, 20, a auxiliava com a neném. Apenas nas duas últimas semanas que a Heloísa ficou em São Mateus do Sul aos cuidados da avó, Marlene do Amarante Castilho, 61, pois Caroline já estava mais abatida pelo processo.

“Se minha história puder ajudar as pessoas a se conscientizarem a respeito do câncer de colo de útero, que as mulheres cuidem de sua saúde e façam o exame preventivo, eu estarei feliz”.

Caroline também ressalta a importância de sua tia, Eliane Caus de Lima, 49, que deixou seus afazeres em São Mateus do Sul para estar à sua disposição na capital. Ela conta que o tratamento de radioterapia e quimioterapia não foi fácil e que foi essencial o apoio dos familiares, amigos e a grande presença da pequena Heloísa. “Eu superei este processo com certeza por causa da minha filha, eu pensava tanto nela, que ela estava com 1 aninho e eu passando por aquilo, não podia desistir, pois eu tinha que ver ela crescer, ficar com ela e ser a mãe dela”, relata Caroline emocionada.

O tratamento se finalizou no dia 16/09/2021. No último dia de tratamento, Caroline foi recebida com vivas e surpresa de toda a equipe de técnicos e enfermeiros que a acompanhou durante este difícil processo, onde ela teve a felicidade de construir novas amizades. Ela teve alta médica, está livre de risco e saudável e cada vez mais forte.

Olhando para trás, tendo vencido o tratamento, Caroline de Lima se sente feliz e realizada depois de ter recebido todo o carinho de parentes e amigos. “Cada semana foi uma vitória, e cada pequena vitória foi celebrada”. O apoio psicoterapêutico durante o tratamento também é indispensável. “Até a última sessão de quimio eu ainda me perguntava: ‘mas por quê?’ e em uma conversa com a psicóloga ela me disse: ‘Não faça essa pergunta. Quando perguntamos o porquê, nós estamos olhando para o passado e talvez nós nunca entendamos. Pergunte para que?”. Caroline relata que tem se perguntado este ‘para que’, mas que ainda acha cedo para ter uma resposta.

Das lições aprendidas está a necessidade de se fazer o teste preventivo. Caroline comenta que não havia realizado o exame em 2020, mas que teve muita sorte em estar atenta aos sinais do seu corpo e não negligenciar a sua saúde. O que ela deseja é que sua história possa inspirar outras pessoas, outras mulheres a também estarem atentas e com seus exames em dia.

Em outubro é feita a campanha do outubro rosa. É um movimento internacional que foi fundado nos anos 90 pela Fundação Susan G. Komen pela cura (tradução livre de ‘Susan G. Komen for the cure’) para promover a conscientização a respeito do câncer de mama e, desde 2013, também faz parte da sua agenda a conscientização a respeito do câncer de colo de útero, que é a 4ª causa principal de morte por câncer no Brasil, e que pode ser evitada com tratamento precoce.

Por Gustavo Kovalski

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