Educação e Cultura

Movimento de ocupação de escolas por estudantes que protestam contra a reforma no Ensino Médio chega a São Mateus do Sul

Nesta terça-feira (18), por volta das 22 horas, em São Mateus do Sul, o Colégio Estadual Paulo Stencel, da Vila Americana, foi o primeiro estabelecimento de ensino do município a ser ocupado pelos estudantes. Segundo a Presidente do Grêmio Estudantil do Colégio, Luciana Machado, “a iniciativa da ocupação veio do Grêmio, como representantes dos alunos, nós vimos que tanto os alunos quanto a comunidade não faziam ideia do que está acontecendo no que tange à educação, com isso não teriam como expressar seus direitos ou tomar posicionamentos acerca deles. Por esse motivo decidimos tomar uma decisão rápida, fizemos uma assembléia com os alunos do colégio e seus responsáveis para esclarecer o que a Medida Provisória [Proposta pelo Presidente da República] para que pudéssemos tomar alguma decisão”.

A presidente Luciana afirma que “a ideia da ocupação havia sido discutida entre os alunos do Grêmio, mas não tinha-mos certeza se os alunos e a comunidade apoiariam a ideia. Mesmo assim começamos a organização para uma possível ocupação. Tudo em sigilo, apenas entre os integrantes do Grêmio”. Sobre o processo de tomada de decisão a partir da assembleia com os alunos, no dia 18 de outubro, “os estudantes presentes apoiaram totalmente a ideia, com isso decidimos no mesmo dia ocuparmos o colégio, achávamos que não precisávamos ficar mais tempo esperando”, conclui.

De acordo com Luciana, é uma ocupação totalmente pacífica e nela estão participando cerca de 40 alunos em revezamento de turnos e funções. Sobre os fatores que levaram à ocupação, a Presidente do Grêmio Estudantil diz que é “uma manifestação contra a MP 746, que prejudica alunos de escolas, universidades e outras instituições públicas. É visível o que o governo quer fazer com nossa educação”.

A Medida Provisória proposta pelo Presidente Michel Temer prevê alterações na grade curricular do ensino médio, alterando assim as diretrizes e bases da educação nacional e o o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Leis nº 9.394 e 11.494). As alterações previstas pela MP estarão modificando a estrutura do ensino médio, com a implementação de escolas de ensino médio em tempo integral, elevando a carga horária progressivamente para 1.400 horas; tornando obrigatórias apenas as disciplinas de português e matemática durante os três anos do ensino médio; dando ao aluno a possibilidade de escolher em qual área irá se aprofundar ao decorrer do curso: humanas, exatas ou biológicas, abrindo mão de outras.

Na última semana o movimento “Ocupa Paraná” vem ganhando força, com o NRE de Laranjeiras do Sul e quase 700 escolas ocupadas por alunos, sendo cerca de 10 delas pertencentes ao Núcleo Regional de Educação de União da Vitória.

Sobre mais colégios do município virem a ser ocupados, Luciana é direta: “Sendo o Paulo Stencel a primeira escola de São Mateus do Sul a ser ocupada, esperamos que mais colégios da cidade se juntem a nós nessa luta, pois ‘a união faz a força’. Juntos seremos mais fortes”. Quando indagada sobre a reação dos professores e direção do colégio ao saberem da ocupação, Luciana afirma que “como disse, tudo foi feito em sigilo no Grêmio Estudantil, os professores ficaram sabendo no mesmo dia que os alunos. A diretora foi pega de surpresa pela notícia, mas não esboçou nenhuma reação de indignação. Apenas pediu para que fossemos cautelosos e organizados, fazendo tudo dentro da lei. A diretora não teria como tentar nos impedir por manifestar-se é um direito de todos os alunos”, conclui Luciana.

Na última semana o governo do estado pediu a reintegração de posse de 13 instituições ocupadas na região metropolitana de Curitiba, que foi negada pela justiça. Também foram enviados ofícios ao conselho tutelar para que se averiguasse a situação dos menores presentes nas escolas, não foram apontadas irregularidades nos laudos.

O Chefe do Núcleo Regional de Educação, Ricardo José Brugnago, quando questionado sobre as ocupações logo aferiu que “sem dúvida nenhuma não é a melhor forma de se fazer uma manifestação”, julgando que a melhor forma de reivindicação é primeiramente o diálogo.

Os estudantes desejam manter a escola em ordem. A escola municipal que funciona no mesmo prédio e que tem aulas à tarde não será afetada; eles permitirão a entrada dos alunos e professores da rede municipal e querem que as aulas na escola municipal sigam com absoluta regularidade. Eles queixam-se de ataques que estão sofrendo pelas redes sociais por parte de estudantes de outros colégios, especialmente da área central, mas relatam que tem recebido pelas redes sociais inúmeras manifestações de apoio de outros estudantes e da comunidade em geral. Todos portam autorização dos pais para permanecerem nas dependências do colégio. Pedem para a comunidade doação de alimentos pois a merenda escolar não será tocada por eles, materiais de higiene e limpeza e materiais para confecção de cartazes (cartolina, tinta, canetões, TNT e outros).

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