(Imagem Ilustrativa)

O conhecimento que você tem seria capaz de mudar o mundo? Imagine que você descobrisse no sótão de uma velha casa uma máquina capaz de fazer você viajar no tempo, somente para o passado e com o seu conhecimento acumulado tivesse a possibilidade de mudar a história da humanidade. O que você ensinaria, o que seria capaz de criar, de reproduzir?

Na série da década de 1970 de título O planeta dos macacos, um humano, um astronauta, num sentido oposto de tempo, viajou para o futuro, onde a Terra era dominada por macacos evoluídos. Ele assombrou os símios dobrando uma folha de papel e construindo um aviãozinho. É certo que os fez pensar sobre como voar, aproveitando-se a resistência do ar, porém mesmo com os ensinamentos da NASA ele não conseguiria sozinho construir um avião, nem mesmo reparar sua espaçonave para uma nova decolagem.

É certo que temos entre nós alguns gênios, pontos fora da curva, e que conseguem assimilar e acumular muito conhecimento, mas mesmo eles não possuem sozinhos a capacidade de reconstruir todo o conhecimento de uma civilização, nem mesmo uma parte significativa dele. Temos muitos especialistas e, com isso, visão segmentada.

Vamos continuar na nossa hipotética viagem ao passado. Você chega a Idade Antiga (um pouco mais segura para um bruxo, pois ainda não havia a Inquisição) e sente a falta da energia elétrica. Lembra que um simples dínamo pode acender uma lâmpada. Sim, um dínamo, um dispositivo como aqueles que se instalava nos garfos de bicicletas, típicos da década de 1960, pois as ruas das cidades do interior, na sua maioria, não eram iluminadas. Pensa: vou buscar alguns vídeos no Youtube ou pesquisar no Google algum projeto para a fabricação do dispositivo. Mas sem energia elétrica não há como se ligar um computador ou um smartphone, nem esses aparelhos você tem, quem dirá o aplicativo de pesquisas.

Mas vamos considerar que você tem o conhecimento suficiente para saber como construir o dínamo. Agora você precisa fundir os metais, fabricar os componentes, mas você não tem as ferramentas, as máquinas para produzir tais peças, também não aprendeu como construí-las.

Você pensa em recorrer a uma biblioteca, mas mesmo que a de Alexandria ainda existisse, você não encontraria lá o que procura. Então, você que julgou ter em suas mãos, à sua disposição os conhecimentos acessíveis na Internet ou nos bancos de dados de supercomputadores, tudo que lhe dava poder, se vê impotente. É capaz de falar de tudo que foi descoberto pela ciência até os seus dias no futuro, mas incapaz de convencer outras pessoas no passado que tudo o que você conhece e fala e possível de ser criado, construído, melhorado.

Pois bem, o meu texto desta semana, embora possa ser melhor explorado, foi breve. Foi feito para que alguns daqueles que se julgam doutores, sábios por terem facilidade de navegar pelas redes globais e se acham donos da verdade, por frequentarem alguns canais no Youtube e por realizarem algumas pesquisas na Wikipédia, possam parar e pensar naquilo que realmente sabem, naquilo que de fato conhecem. Avaliar se realmente podem fazer a diferença na história da humanidade ou na vida de pelo menos uma ou algumas pessoas.

É importante ter acesso e saber com o acessar este mundo de possibilidades, como usar uma infinidade de aplicativos e estar conectado com todos os indivíduos deste planeta. Porém, precisamos compreender que todo o conhecimento que temos acumulado, é baseado no aprendizado, no experimento, na vivência de quem veio antes de nós. Não somos autônomos, precisamos uns dos outros, do conhecimento uns dos outros. Então, precisamos conhecer, aprender, experimentar ainda mais. As máquinas são importantes, fundamentais em nosso dia-a-dia, mas não podemos prescindir do desenvolvimento da nossa inteligência, do exercício do nosso cérebro, do melhoramento de nossas habilidades. A inteligência artificial, uma realidade entre nós, precisa ser espelho daquilo de bom que há em nós, das nossas capacidades. Não o contrário.

Se viajarmos para o passado precisamos tomar cuidado para não sermos chamados de loucos ou de bruxos. Já no futuro, precisamos batalhar para que não sejamos considerados descartáveis pelo nosso conhecimento limitado.

Adnelson Borges de Campos
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