Esta Semana

Muito Além dos Pokemons

Imagem Ilustrativa – Releitura de Uma Tarde de Domingo na Ilha de Grande Jatte por Ben Wiseman

Imagem Ilustrativa – Releitura de Uma Tarde de Domingo na Ilha de Grande Jatte por Ben Wiseman

Já faz algumas semanas que o jogo Pokemón Go chegou ao Brasil e como previsto, fez um sucesso arrebatador. O jogo de realidade aumentada lançado este ano, foi baixado por mais de 75 milhões de pessoas em todo mundo, para a surpresa das pessoas que achavam que a série estava esquecida ou ofuscada pelo tempo, como uma fênix, Pikachu e seus companheiros, ressurgiram com força total tomando os celulares de muitos brasileiros.

Em meio a milhões de opiniões, positivas e negativas sobre o jogo, não pude deixar de concordar com o fato de que o mesmo faz com que seus jogadores de movam. Assim como na saga do jogo, Ash, seus amigos e agora você, vão sair a procura de novos pokemons, duelando e aumentando a coleção. Porém, em uma sociedade cada vez mais sedentária e com doenças crônicas cada vez mais ligadas à falta de exercícios, hábitos não saudáveis e/ou problemas emocionais, situações como esta em que aplicativos passam a ser virais, podem servir como alerta.

Seja no passeio público, na praça Japão, no ginásio de esportes da cidade, no Central Park, vemos muitas pessoas nos parques, isso é fato. Porém, boa parte delas com seus smartphones em mãos, olhando para uma tela e vivendo em uma realidade que parece diminuída a polegadas.

Ir ao parque, sair de nossas casas, apartamentos e aproveitar o sol, tomar uma cerveja, chimarrão, botar os pés na grama, levar o dog para passear, ver amigos, ver o céu, é mais do que um simples ir ao parque, é uma comunhão com o tempo, com o presente.

Presente vivido, sentido e eternizado na arte, seja na melodia de Gilberto Gil em Domingo no Parque, ou, no pontilhismo George Seurat em Uma Tarde de Domingo na Ilha de Grande Jatte de 1884.

Séculos depois da pintura de Seurat, em meio a uma sociedade transformada e conectada, ainda sentimos a necessidade de passarmos alguns de nossos domingos nos parques, contemplando o local e a presença dos que nos acompanham, e nos desconectar, pode fazer muita diferença.

Aplicativos e pokemons vem e vão, são efêmeros, mas alguns momentos, conversas e cenas podem nos tocar e durar a vida inteira e não há pokebola melhor que nosso coração para guardá-las!

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