(Foto: Acervo Pessoal)

Os relatos nas redes sociais são de que uma gestante chegou até o Hospital e Maternidade Doutor Paulo Fortes, na sexta-feira (30/10), achando estar em trabalho de parto. Contudo, a avaliação médica feita na consulta não mostrou nenhuma anormalidade clínica, dentro de um protocolo internacional e no atendimento de uma profissional especialista da área e com exame.

Menos de três horas depois, a grávida retornou ao hospital de São Mateus do Sul com sensação de corrimento, supondo ter rompido a bolsa e estar entrando em trabalho de parto. Novamente a análise clínica e exame realizado serviu de base para o atendimento médico e descartou a necessidade de internação. Cerca de uma hora e meia depois nasceu o bebê, em condições saudáveis e sem anormalidades.

O nascimento foi em casa, após o segundo retorno do hospital, assistido por uma jovem e, depois, auxiliado pelo marido da gestante. Supostamente seu 4º filho. Depois acionado o Corpo de Bombeiros e encaminhado o recém-nascido e a mulher para o Paulo Fortes onde receberam assistência médica. O episódio virou tribuna de julgamento na internet e a reportagem do GI foi em busca de esclarecimentos.

Casos, hipóteses e medidas

Um especialista de longos anos de experiência, ouvido pela reportagem, avaliou os fatos descritos nas redes sociais, o protocolo médico seguido e emitiu opinião sobre o caso. Para evitar retaliação ou ser mais importante, até conforme o próprio e entendimento técnico que a pessoa em si que faz a análise, a reportagem resguarda o sigilo sobre esta fonte, mas referendando seu profissionalismo.

Neste entendimento clínico, o especialista frisa que as informações iniciais dão conta de que cerca de 60 mulheres escolhem o Hospital e Maternidade Doutor Paulo Fortes para ter seus bebês, todo mês. Fato que leva a, 1º: analisar o fato ocorrido como ‘caso isolado’, tendo para isso o respaldo de que foi a única contestação neste sentido registrada nos últimos meses em São Mateus do Sul.

Pesando ainda a informação de que muitas mulheres têm seus filhos na rua, no carro, na ambulância e em diversos lugares. Inclusive na residência. A situação é observada como normal, por escapar ao tempo de chegar até o hospital, tamanha é a ‘pressa que a criança tem em nascer’. Não havendo tempo hábil para chegar até um médico e ter o seu parto assistido pelo profissional.

Mesmo em determinados atendimentos “não dá tempo nem de colocar a luva”, acrescenta o especialista. Fato absolutamente normal na medicina. Disso, a avaliação é da necessidade da análise clínica e ultrassonografia. Exatamente o que foi feito pela profissional que atendeu a mulher em São Mateus do Sul. Só justifica o internamento se haver a constatação da perda de líquido pela gestante.

As informações apuradas pela reportagem são de que não havia rompimento da bolsa. O Índice de Líquido Amniótico (ILA) estava acima de oito centímetros, na casa de 12 conforme o exame feito na consulta que resultou no retorno da gestante para casa. Para indicar perda de líquido, com rompimento de bolsa, o ILA teria de estar abaixo de oito, o que naturalmente resultaria num internamento e assistência imediata.

Retorno habitual

O caso da paciente, conforme informações levantadas, é de mãe multíparas (que já teve gestações anteriores) e isso aumenta a possibilidade de um parto mais rápido, sem tantos sintomas como de uma ‘mãe de primeira viagem’. Disso o entendimento clínico do especialista de casualidade. O que poderia solucionar o caso seria uma espécie’ hotel para gestantes’, espaço para hospedar mulheres.

Em contato com o diretor clínico, Luís Antônio Roderjan Manfroni – que é médico ginecologista e obstetra do Hospital Paulo Fortes, estas opiniões do especialista foram referendadas. Segundo ele, a atitude da profissional que atendeu à paciente e indicou o retorno, por duas vezes, para a residência foi dentro do protocolo internacional de assistência a gestantes, sustentado no exame realizado.

Somente justificaria um internamento se houvesse a comprovação de uma dilatação maior e constatação do ILA abaixo de oito. No caso, a informação é de que o índice estava em 12, o que não sustenta a tese de rompimento de bolsa citado para o caso. Corrimentos não chegam a ser anormalidade clínica, desde que não haja sangramento ou a consulta médica indique necessidade de internar.

Se houvesse um espaço para acomodar pacientes nesta situação, em que chegam no hospital e o médico plantonista entende não ser necessário o internamento, dentro do protocolo internacional e sem verificar anormalidades, a gestante poderia ficar hospedada. O que não existe na atual situação e por conta disso não há outra opção senão a indicação de retorno para a residência.

Nascimento normal e agravamento

Após o nascimento com auxílio de uma doula (assistente de parto) e socorro prestado pelo Corpo de Bombeiros, mãe e bebê chegaram ao hospital sem nenhuma anormalidade. Sendo atendidos normalmente e recebendo toda a assistência necessária. Casos como estes de casualidade, tanto de acordo com Manfroni quanto o entendimento de outro especialista, acabam por ocorrer, em especial para multíparas.

Existem, conforme a reportagem apurou, outros problemas de alta gravidade que precisam ser estancados. Exemplo de uma hemorragia, que mesmo estando dentro do hospital pode levar à morte pela ausência de sangue. O tempo de retirar uma amostra, chegar a União da Vitória e retornar para São Mateus do Sul com uma bolsa para transfusão pode incidir num agravamento irreparável.

Manfroni reforça que a necessidade de uma Agência Transfusional, com estoque mínimo de sangue em São Mateus do Sul, seria uma discussão muito mais importante. Ao passo que defende os atendimentos prestados no setor de ginecologia e obstetrícia. Apesar de todos os comentários e indignações produzidas nas redes sociais, o caso em si aconteceu dentro de casualidade e sem danos.

Sidnei Muran

Sidnei Muran

Jornalista (MTB 7597 DRT/PR), formado pelo Centro Universitário de União da Vitória (Uniuv), pós-graduado em História e Cultura pela Unespar – campus de União da Vitória e Licenciado em História pela Unespar – campus de União da Vitória.
Sidnei Muran

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