O caminho linear, que soma mais de 200 metros, é o destino que exige muita atenção, responsabilidade e principalmente a paixão pela Arrancada na Terra, esporte automobilístico que envolve cada vez mais participantes de diversos lugares do país. As são-mateuenses Juliana Ribeiro Cordeiro Gavasso e Elisângela Marques Carneiro – que participam da categoria Penélope criada especialmente para mulheres no esporte – entendem muito bem disso, e buscam com sua determinação incentivar cada vez mais mulheres nas Arrancadas.

Elisângela Marques Carneiro iniciou as competições em 2018. (Fotos: Acervo Pessoal)

Como funciona a Arrancada na Terra

A Arrancada na Terra é uma competição esportiva no estilo de corrida automobilística em que os veículos originais ou especialmente preparados completam uma trajeto reto e nivelado no menor espaço de tempo, partindo da imobilidade. Elisângela explica que a largada em uma prova de Arrancada é dividida em três partes: preparação, alinhamento e aceleração. Na etapa de preparação, os pilotos dirigem-se à pista e dois em dois recebem a ordem para o alinhamento que só ocorre com a pista limpa e desobstruída. Isto quer dizer que não há carros parados na área de escape, detritos espalhados pela pista ou líquidos provenientes de quebras. Em seguida há o alinhamento, onde o piloto já no lado da pista em que vai correr efetua o burn out (conhecido no Brasil como borrachão).

Passada esta etapa os pilotos dirigem-se ao pinheirinho para o alinhamento entre si, com ambos os carros parados lado a lado na linha das fotocélulas de largada. Vem então a arrancada propriamente dita. No pinheirinho é iniciada uma sequência de quatro lâmpadas coloridas que vão do amarelo ao verde, quando os carros partem o cronômetro é acionado e só vai ser parado na passagem do carro pela fotocélula ao final do percurso registrando o tempo e a velocidade final. Caso o piloto movimente seu carro antes de acender a lâmpada verde, a largada é perdida e dada como “queimada”.

Outro fator extremamente importante para o sucesso deste tipo de prova é a segurança. Arrancada, em dia de chuva, nem que seja pouca chuva, já é motivo para o cancelamento da prova pois os carros que participam desta modalidade dependem basicamente de tração para se manterem na pista e a chuva reduz a aderência.

Ambulância, bombeiros e equipes com extintores são fatores fundamentais para a prevenção de riscos maiores, bem como uma boa área de escape para proteger tanto o piloto quanto o público que assiste as provas. Os carros de categorias maiores estão passando no final dos 201 metros a mais de 150km/h.

A Arrancada é dividida em Categorias, algumas delas:

1 – ST: Standard;
2 – DO: Dianteira Original;
3 – DS: Dianteira Super;
4 – STT: Street Tração Traseira;
5 – TS: Traseira Super;
6 – DTB: Dianteira Turbo B;
7 – DTC: Dianteira Turbo C;
8 – FLD: Força Livre Dianteira;
9 – TT: Turbo Traseira;
10 – FLT: Força Livre Traseira;
11 – XTM: Extreme;
12 – DES: Desafio 8.0 – 8.9 – 9.9 – 10.5;
13 – PEN: Penélope.

As são-mateuenses no esporte

Para Juliana, que começou a praticar o esporte em 2016 com a Marajó #701 – nome do Chevette 1989 –, o esporte é responsável por um dos sentimentos mais libertadores que já sentiu em toda sua vida. Conhecendo a Arrancada na Terra através do marido, que a apoiou e incentivou na carreira automobilística, a são-mateuense afirma que o esporte mudou a sua vida. Antes de conhecer a Arrancada, Juliana passava por um tratamento contra a depressão, tendo que inclusive, tomar medicamentos controlados para amenizar as crises de ansiedade. “Nas Arrancadas eu encontrei a cura para minha depressão”, garante.

Juliana Ribeiro Cordeiro Gavasso pilota desde 2016.

Toda a família sempre foi envolvida no ramo automobilístico. O esposo – que também é piloto –, trabalha com guinchos e sempre foi responsável por levar os carros equipados para as competições de Arrancada em diversas cidades brasileiras. A Marajó, que é utilizada pelo casal, foi montada especialmente para as Arrancadas com a potência de um motor OHC. “Quando comecei a pilotar, senti uma sensação tão boa que mudou a minha vida”, diz. Competindo para vencer os seus próprios desafios, a são-mateuense foi a primeira mulher a entrar nos 8 segundos de competição em uma prova de Arrancada na Terra e faz de tudo para levar o reconhecimento do esporte para mais mulheres. “Nas competições fiz amigos que levarei para sempre comigo”, afirma. Juliana possui um canal no Youtube que divulga o nome do esporte para todo o mundo.

Também foi com o incentivo do marido que Elisângela iniciou nas Arrancadas em 2018. A são-mateuense pilota o Gol #595 – Ap Turbo 1989 –, e afirma que sempre gostou do esporte. “Eu assistia e prestigiava as competições, e em Novembro de 2018 com apoio do meu marido que também é piloto, comecei a andar na categoria Penélope no Campeonato Catarinense em Mafra, depois a paixão só aumentou”, afirma.

Em sua primeira participação na Arrancada, Elisângela e mais três participantes competiam. “Eu era a única iniciante e consegui ficar com o segundo lugar na categoria. Esse ano comecei o campeonato Catarinense em Papanduva e iniciei em mais uma categoria, além de andar na Penélope onde somos só mulheres, decidi me escrever na categoria Desafio 10.5, onde corri somente com homens e consegui o segundo lugar”, diz. A piloto garante que está procurando evoluir e aprender a cada dia, conversando com pilotos experientes para trocar ideias de como progredir no esporte.

Quer conhecer mais sobre a Arrancada na Terra? Acompanhe o canal de Juliana no Youtube: “Tudo sobre Arrancada na Terra”.

Comentários

Compartilhe:


MATÉRIAS RELACIONADAS
Flamengo agenda reunião por Mauricio Kozlinski, do Avaí
Costebel vence Campeonato Municipal de Futebol pela segunda vez
Atletas de quase 40 municípios participam da 1ª Meia Maratona de São Mateus do Sul